Aljamain Sterling disse não acreditar na decisão do árbitro Herb Dean durante o evento MVP MMA: Rousey vs. Carano, realizado no sábado, e também afirmou estar convicto de que não haverá qualquer consequência para o juiz após o que ele considera um erro. Para o lutador, o episódio envolvendo a luta entre Phumi Nkuta e Adriano Moraes virou um dos principais assuntos do card preliminar — e serve como exemplo de um problema maior na arbitragem.
O que Sterling contestou na luta entre Nkuta e Moraes
Entre os momentos mais comentados do card preliminar, esteve a derrota de Phumi Nkuta por finalização diante de Adriano Moraes. Nos instantes finais do combate, Moraes conseguiu encaixar Nkuta em uma finalização por estrangulamento pela parte de trás (mata-leão). A impressão inicial era de que o sinal final havia soado antes de o atleta conseguir concluir a submissão.
Mesmo com esse contexto, Moraes manteve a posição do estrangulamento e Nkuta chegou a apagar por um breve período. A partir daí, o caso entrou em revisão oficial para decidir se o lutador teria realmente perdido a consciência antes do término do tempo regulamentar.
Após o procedimento, o resultado foi alterado de acordo com a interpretação dos árbitros: concluiu-se que Nkuta ficou desacordado antes de o tempo acabar, e Moraes recebeu a vitória por finalização. Sterling, companheiro de treino de Nkuta, afirmou que essa sequência não faz sentido para ele.
“Herb Dean é um mau árbitro”: as críticas diretas do campeão
Em entrevista ao programa The Weekly Scraps, Sterling foi duro ao avaliar o árbitro Herb Dean. O brasileiro no MMA, ao comentar o trabalho do juiz, disparou: “Herb Dean, horrível, horrível árbitro. Estou cansado dessas pessoas se defendendo, com aquele papo de ‘padrão ouro’. … Herb Dean é um cara gente boa. Eu não vou dizer que ele é uma pessoa ruim por ser ruim como árbitro. Mas ele é um mau árbitro. É um mau árbitro. É um mau árbitro.”
Na sequência, o lutador reforçou a impressão de um erro recorrente e disse que a situação pesa para quem depende da arbitragem em alto nível. “Eu sei que não é um trabalho fácil, mas quando você erra de forma constante, fica difícil. É complicado para alguém ficar tentando sempre te ‘salvar’ de novo.”
Placar, decisão e por que os jurados acabaram sem influência
Sterling também apontou um detalhe determinante do andamento da luta. Segundo o placar oficial no momento em que o combate foi encerrado, Nkuta estava na frente por 20 a 18 indo para o round 3. Isso significa que, mesmo que Moraes tivesse vencido a última parcial, Nkuta ainda teria preservado vantagem suficiente para sair com uma decisão dividida a favor.
De acordo com a leitura levantada após a intervenção de Dean, a chamada do árbitro tirou os jurados da equação — ou seja, o resultado não acabou passando pelo sistema de pontuação, já que a disputa foi decidida como submissão.
A revisão do vídeo e a comparação com “situações que não deveriam acontecer”
O árbitro não agiu sozinho no momento da revisão. Herb Dean revisou o material gravado do fim do combate junto de integrantes da comissão atlética de Nova Jersey, incluindo o também árbitro Mike Beltran. Sterling, porém, destacou que Dean e Beltran já estiveram envolvidos em controvérsias de arbitragem nos últimos anos e tratou o caso como mais um capítulo desse tipo de problema.
“Eles conversam em círculo, como se fosse um abrigo pequeno, eu fico olhando esses caras… parece ‘Os Três Patetas’”, disse Sterling, criticando a dinâmica do processo de decisão. “Vocês querem me fazer acreditar que nenhum de vocês entende jiu-jitsu e como funciona um estrangulamento? Adriano Moraes segurou o mata-leão depois do apito, no mínimo por dois segundos. Apertando. O Herb tenta puxar ele para fora e vocês estão me dizendo que acham que ele apagou antes do sinal?”
O campeão continuou a argumentação, afirmando que, no entendimento dele, era perceptível o que estava acontecendo durante a transição. “Então precisou de cinco de vocês — os ‘amigos’ ali — sentarem para rever replay, replay, replay, e vocês não conseguem enxergar. E o Herb, estando lá, não percebeu que um dos braços estava preso. O outro estava tentando lutar com as mãos. Ele se mexeu antes do apito. Não se mexeu depois do apito quando o Adriano finalmente decidiu soltar. Isso aí deveria ter sido uma desclassificação na hora.”
Crítica ao “sistema” e ao que, na visão de Sterling, protege árbitros ineficazes
Para Sterling, a revolta não se limita ao nome de Herb Dean. O lutador direcionou a indignação ao sistema que, segundo ele, protege árbitros que cometem falhas e evita que eles encarem consequências. Ele acredita que, se Dean não estivesse tão consolidado dentro da “rede” da arbitragem, haveria formas de punição — além de abrir espaço para profissionais mais preparados para lidar com lutas de alto nível.
“Tem política, por algum motivo tudo vira clube de ‘bons companheiros’, onde você entra e, quando você entra, é quase impossível tirar você de lá”, afirmou Sterling. “É quase como entrar no sindicato ou conseguir estabilidade no sistema de escolas. Você passa uns dois, três anos trabalhando, sem fazer nada muito fora, e quando pega estabilidade, você pode ser o pior e vão te apoiar e te proteger. E eu gosto disso, mas chega um ponto em que não dá para continuar protegendo alguém.”
Por fim, Sterling deixou claro que não defende uma demissão imediata do árbitro, mas defendeu revisão e rebaixamento para níveis inferiores. “Eu não estou pedindo para o Herb Dean ser demitido, mas tem que existir uma revisão. Ele deveria ser rebaixado para eventos de menor nível. São apostas grandes, eventos e carreiras que estamos falando. E tem que ter gente melhor subindo, que ainda não teve a chance, ou pessoas com mais conhecimento.”

