Após um passeio imponente no UFC Perth, Carlos Prates cravou a sensação de “missão cumprida” e passou a tratar sua próxima meta como inevitável: uma disputa de título no peso meio-médio contra o campeão Islam Makhachev. O brasileiro dominou Jack Della Maddalena com autoridade diante do público local do australiano, aplicando joelhadas de impacto e explorando o próprio alcance para punir toda vez que o adversário entrava na distância.
O ritmo do combate ficou cada vez mais pesado para Della Maddalena. Ainda no início, Prates já demonstrava controle de range, conectando golpes grandes e impedindo que o australiano ganhasse espaço para ditar as ações. Conforme a luta avançou, o domínio virou pressão contínua, até que, no terceiro round, o cenário ficou claro: Prates fez Della Maddalena cair ao chão e seguiu com o trabalho até garantir uma vitória por nocaute técnico (TKO).
“Eu deveria ser o próximo”
Com o resultado em mãos, Prates foi direto ao ponto durante a coletiva pós-evento em Perth. Na avaliação do brasileiro, não há discussão sobre o merecimento: ele entende que eliminou um nome de alto nível ao derrotar um adversário que já foi campeão e que, além disso, soma feitos relevantes na divisão.
“Eu deveria ser o próximo. Ninguém derrotou dois ex-campeões de um jeito tão convincente. Eles não tinham perdido por nocaute, e aí eu chego e faço parecer fácil”, afirmou Prates. “Respeito ambos, porque são lutadores difíceis. Mas contra Leon [Edwards] e contra Jack Della Maddalena, eu deixei tudo com cara de simples — e eu sou o próximo.”
Prates também fez questão de comparar o próprio caminho com outros nomes do ranking. “Claro que existe [Michael] Morales, mas o Morales não enfrentou um ex-campeão. Eu enfrentei dois ex-campeões, então vou ser o próximo.”
O caminho do campeão e a expectativa por Islam Makhachev
Mesmo com a força da atuação em Perth, o cenário imediato do cinturão parece seguir outro roteiro. O UFC, historicamente, pode abrir portas para quem vem de vitórias marcantes, mas, neste momento, a próxima apresentação de Islam Makhachev está tratada como definida.
Prates reconheceu que o cronograma do campeão tende a passar por Ian Machado Garry. “Você tem o Ian, ele vai lutar agora contra o Makhachev. Então o próximo [será] Carlos Prates”, disse o brasileiro.
Relação com Garry e plano de revanche no Brasil
Um ponto que chama atenção na história de Prates é a ligação com Ian Machado Garry. Os dois já se enfrentaram em abril de 2025, quando Garry saiu vencedor, mas a amizade entre eles permanece. Na coletiva, Prates explicou que a conversa entre os lutadores vai além do octógono.
“A gente conversa às vezes. Ele me ligou há um mês e meio”, contou Prates. “Falamos sobre a vida, sobre lutas, e ele disse: ‘Ei, irmão, você precisa vencer o JDM. Aí eu vou vencer o Islam e então a gente pode fazer uma revanche no Brasil. Seria incrível.’ Eu não sei se isso vai acontecer no Brasil, mas seria muito legal lutar o Islam, porque ele é o número 1 do ranking de pound-for-pound.”
Apesar da possibilidade de enredo envolvendo uma revanche em território brasileiro, Prates fez uma ressalva importante: o foco atual continua sendo o confronto contra Garry e o que vem a seguir na esteira do cinturão. “Ainda assim, é negócio fazer contra o Ian. Ele me venceu, e eu não gosto disso.”
O que pode mudar: Topuria, Gaethje e a virada para o meio-médio
Para Prates, a vitória sobre Jack Della Maddalena ajuda a fortalecer o pedido por uma chance ao cinturão, mas não garante que a fila permaneça intacta em caso de mudanças no topo da divisão. O brasileiro precisa torcer para que o desfecho de agosto siga a lógica que ele imagina — especialmente se Ilia Topuria decidir acelerar o próprio caminho no peso meio-médio.
Isso porque existe um cenário em junho: Topuria pode enfrentar Justin Gaethje e, caso vença, declarar que está se movendo para o meio-médio para desafiar Islam. Se esse plano se confirmar, a conquista de Prates em Perth pode não ser suficiente para assegurar posição imediata na linha do título, deixando o futuro do brasileiro ainda mais dependente do que acontecer com os principais nomes da divisão.

