George Mangos saiu do octógono após sua participação na 9ª temporada do programa de oportunidades de Dana White e, no caminho de volta, admitiu que ficou preocupado por ter atrapalhado suas chances de chegar ao maior palco do MMA. O australiano, no peso pena, fez sua última aparição antes do retorno do torneio de desenvolvimento e encarou Radley Da Silva em uma luta que chamou atenção pela dinâmica: Da Silva optou por levar a melhor na luta agarrada na maior parte do confronto, sustentou o controle durante o tempo restante e acabou garantindo uma vitória por decisão dos juízes — mas, ainda assim, sem contrato. Ao encerrar o episódio, o presidente do UFC não poupou críticas ao desempenho, e Mangos interpretou o recado como um sinal de que poderia ficar fora dos holofotes por um período. Mesmo assim, uma conversa após o evento com o chefão da organização ajudou a dissipar a ansiedade.
O próprio Mangos contou que, logo depois do combate, foi chamado para falar diretamente com Dana White. Segundo ele, o dirigente conversou com calma e pediu para que ele não se apressasse, destacando que a idade joga a seu favor e que haveria espaço para uma nova oportunidade. O lutador explicou que o pensamento que dominava sua cabeça era o medo de, além de perder, acabar sendo visto como “um lutador sem valor” ou alguém “entediantemente previsível”, especialmente por lembrar de como Dana costuma reagir a lutas consideradas pouco empolgantes na Contender Series. Por isso, quando White retornou com a mensagem de que ainda havia interesse e que o plano era acompanhá-lo de perto, o australiano entendeu como um alívio importante, ainda mais após o modo como o oponente foi comentado antes. Ele reforçou que, apesar do resultado adverso, não sentiu que aquilo tivesse sido o fim do caminho.
Com a poeira baixada, Mangos voltou para casa e rapidamente voltou também a vencer. Ele aceitou uma revanche com Justin Van Heerden e conseguiu uma finalização ainda no primeiro assalto, recolocando o ritmo na direção correta. A partir daí, a equipe começou a desenhar uma rota de volta ao UFC. A princípio, o retorno a Las Vegas no meio do ano parecia ser o caminho mais provável, mas o cenário mudou quando ele passou a considerar o torneio do peso pena do Road to UFC desta temporada.
Ao comentar a decisão, Mangos lembrou que recebeu a chance de participar do programa já no ciclo anterior, porém preferiu tentar primeiro a Contender Series, justamente pela maior exposição e por todo o hype que costuma acompanhar esse tipo de vitrine. Ele explicou que a ideia era tentar novamente a oportunidade após mais uma vitória, mas o raciocínio evoluiu quando colocou a questão para o treinador e gerente Tim Simpson. A conversa, segundo ele, passou pelo formato do Road to UFC, já que haveria três lutas marcadas para o ano, o que poderia acelerar o desenvolvimento. Mangos também destacou que, para o momento da carreira, o que ele mais precisa é ganhar experiência — principalmente fora do ambiente doméstico, algo que ainda não havia completado no circuito regional. Para ele, aumentar o número de combates não era algo que pudesse piorar sua situação; pelo contrário, a chance de acumular vivência parecia um movimento inteligente. Com isso, a oportunidade foi encarada como o passo certo, e ele afirmou que está satisfeito com a escolha.
Agora, a poucos dias do início do Road to UFC, o australiano diz estar ainda mais motivado. Ele quer mostrar, diante do público, o quanto evoluiu desde o duelo de setembro contra Da Silva. Apesar de alguns setores enxergarem como improvável que mudanças tão grandes tenham ocorrido em tão pouco tempo, Mangos lembra que tem apenas 22 anos e está no início da carreira profissional, com nove lutas no cartel. Mesmo considerando o período invicto como amador, ele soma somente 15 apresentações no total, com uma única vez levando a disputa até o fim completo dos assaltos, enquanto a grande maioria dos resultados no primeiro round veio por interrupção antes do tempo normal.
Com idade baixa e ainda pouco tempo de jaula acumulado, crescer de forma acelerada entre as aparições é algo compreensível, e ele acredita que a tendência natural é continuar avançando. Mangos reforçou que segue treinando há bastante tempo, mas que ainda é jovem e que cada luta — mesmo as mais rápidas — traz algum aprendizado. Ele citou que agora faltam mais três compromissos para tirar ainda mais lições do que já fez, e que a sensação de estar sob as luzes do UFC pode ser um marco importante. Para ele, a assinatura dependeria apenas do próximo passo: conquistar sua vaga e provar seu valor dentro do cage da organização.
Ele também decidiu encarar o Road to UFC de um jeito semelhante ao que Joseph Larcinese, outro australiano em ascensão, está fazendo no torneio de peso mosca do evento que acontece na sexta-feira. No caso de Mangos, a leitura é que a competição não é apenas sobre vencer individualmente, mas sobre aproveitar a vitrine para construir narrativa e ganhar tração diante do público do UFC. A empolgação aumenta porque, nesta quinta-feira, ele e Yanawaga serão os primeiros a entrar em ação no programa, e Mangos afirma que, embora a atenção esteja direcionada ao primeiro oponente, ele já enxerga o torneio como uma chance de elevar o nível do próprio destaque. Ele comentou que, no Road to UFC, nem sempre a galera sai com a sensação de ter conhecido estrelas novas em massa, mas que pretende mudar isso com uma sequência forte.
Mangos disse que quer três finalizações bonitas e mira em nocautes, para que, quando receber o contrato, o UFC tenha melhores “destaques” de seu desempenho e ele consiga criar reconhecimento para a estreia. Para ele, no entanto, esse objetivo só se concretiza se conseguir fazer o trabalho já na quinta-feira, encerrando a luta com Yuito. O australiano também se coloca como favorito para vencer o torneio, afirmando que os demais lutam, na prática, pela segunda colocação. Ele foi direto ao explicar que, quem tiver que enfrentar o vencedor — seja no próximo combate ou na final — vai estar “perdendo tempo”, porque a ideia é impedir qualquer adversário de chegar adiante.
Além disso, Mangos quer corrigir o que chama de estreia frustrante diante do público do UFC em Las Vegas no ano passado. Ele diz que está focado em mostrar, para quem assiste na quinta-feira, que tipo de atleta ele realmente é e que esse é o perfil que aparece em praticamente todas as outras lutas. Para ele, a expectativa é que o público veja um lutador mais empolgado e mais maduro em comparação com os combates anteriores, e que se divirta com aquilo que ele entrega como padrão: colocar adversários para baixo e colocar um fim no combate. Ele argumentou que esse sempre foi o caminho que seguiu, e que agora só precisa reproduzir esse estilo sob o octógono do UFC.
