Gilbert Burns não entrou no UFC Winnipeg pensando em encerrar a carreira. Porém, após uma derrota por nocaute no terceiro round para Mike Malott no combate principal, o veterano entendeu que era a hora de parar.
Com a emoção à flor da pele ao anunciar a decisão, Burns deixou claro que a aposentadoria não foi uma reação impulsiva a um resultado difícil. A luta, na prática, marcou a quinta derrota consecutiva do peso-meio-médio na sequência, mas o motivo central, segundo ele, vai além do placar.
O motivo da aposentadoria
- Burns afirma que a decisão foi baseada no nível de seus adversários e na percepção de que não consegue mais vencer lutadores do topo.
- Ele diz que, se não for capaz de superar atletas como Mike Malott, então não faz sentido seguir.
- O lutador também destaca que não quer “ficar demais” na modalidade e que a ideia é encerrar com dignidade.
- Burns menciona que a sequência recente de resultados e a hierarquia da categoria pesaram na decisão.
Burns explicou que, se não conseguisse bater Malott — com todo o respeito ao canadense —, então não deveria continuar no UFC. Para ele, a entrada na organização sempre esteve ligada a ser campeão, ser o melhor e “deixar marca”.
O americano (na carreira, com histórico como desafiante ao cinturão) relembrou que sua trajetória envolveu duelos contra nomes fortes e alternância de resultados ao longo do tempo. A mudança, segundo o atleta, veio das últimas lutas e do recorte da divisão.
Entre os fatores citados por Burns estão os avanços de Belal Muhammad e Jack Della Maddalena, além da presença de Sean Brady no grupo de topo. Ele também mencionou Michael Morales como alguém que poderia disputar um título ou figurar entre os principais cotados.
No raciocínio dele, Malott era o único adversário sem ranqueamento que apareceu na sequência anterior de combates. E, ao não conseguir superar o canadense, Burns interpretou como um sinal claro de que não está no mesmo patamar competitivo de antes.
Respeito a Malott e leitura do cenário
- Burns diz ter respeito por Mike Malott e por toda a equipe do atleta.
- Ele afirma que viu em Malott um adversário “muito gentil” e destacou o apoio que o canadense recebeu da torcida.
- Mesmo assim, Burns afirma que a derrota foi o ponto final para fechar aquele capítulo.
- Ele descreve a luta como uma forma de medir onde se encaixa na hierarquia do peso-meio-médio.
Burns reforçou que gostou do lutador e do ambiente ao redor dele. O atleta ainda comentou que Malott ajudou a movimentar a torcida e que, justamente por isso, a derrota ficou ainda mais marcante como um “divisor de águas”.
Ao mesmo tempo, Burns reconheceu que o canadense vem sendo tratado como uma grande promessa do Canadá. Ainda assim, segundo o veterano, o currículo dele no UFC não enfrentou um “elenco de peso” tão exigente quanto ele esperava ver.
Burns apontou que Malott soma 7-1 no cartel geral, mas que ele foi o primeiro adversário ranqueado que o canadense enfrentou no UFC. Ele também citou que a única derrota de Malott ocorreu por nocaute técnico (TKO) para Neil Magny, um nome veterano e tradicional na divisão.
De acordo com Burns, perder para um oponente fora do ranking foi o tipo de resposta que ele precisava para avançar para a próxima fase da vida e deixar a luta para trás.
“Não estou no nível”
- Burns afirma que a luta contra Malott foi um recado definitivo para ele.
- Ele diz que não se enxerga mais no mesmo patamar competitivo.
- O lutador também fala em tomar a melhor decisão para ele e para a família.
O atleta resumiu a mensagem do combate dizendo que, para ele, ficou claro que não está mais no nível necessário. Burns reconheceu que dói, mas ressaltou que é preciso “encarar” a realidade e seguir em frente.
Ele ainda afirmou que até poderia fazer mais uma luta, mas questionou o motivo. Para Burns, não existe obrigação de continuar se a percepção é de que não consegue competir no mesmo degrau do topo.
Com isso em mente, o veterano disse que quer encerrar e seguir para o próximo capítulo da carreira.
Plano de lutas e chamada em caso de vitória
- Burns declarou que não tinha um plano elaborado para se aposentar antes do combate.
- Ele disse que, se vencesse Malott, tinha uma provocação pronta.
- O atleta explicou como imaginava uma sequência de três lutas até decidir encerrar.
Apesar do desfecho, Burns negou que chegasse ao octógono com um grande plano de aposentadoria. Na verdade, ele afirmou que tinha uma chamada preparada caso derrotasse Malott.
Na visão dele, se conseguisse vencer o canadense com um grande anúncio durante a International Fight Week, faria sentido o UFC colocar seu confronto contra Colby Covington. A partir daí, Burns projetou que ainda faria mais uma luta e, por fim, encerraria no Brasil.
Ele detalhou a lógica: na hipótese de tudo sair como imaginava, Covington seria o próximo adversário na International Fight Week. Depois disso, ele sugeriu que o último combate poderia ser contra Daniel Rodriguez, Kevin Holland ou Leon Edwards, com uma “luta de despedida” no país.
Burns contou que essa era a linha de pensamento que tomou conta antes do evento. Mas, no fundo, ele já considerava que, se não conseguisse vencer Malott — especialmente se fosse finalizado —, então a carreira estaria encerrada.
Por que não quis “procurar uma vitória”
- Burns diz que, mesmo com a carreira encerrando em uma sequência de cinco derrotas, não queria continuar tentando “correr atrás”.
- Ele afirma que essa mentalidade costuma atrapalhar lutadores veteranos e até ídolos.
- Por isso, ele decidiu colocar luvas no centro do octógono e encerrar de forma definitiva.
Burns admitiu que o fim da carreira, vindo ao longo de uma série de derrotas, foi duro, mas ele não desejou prolongar a situação por esperança. O lutador afirmou que viu outros atletas caírem nessa armadilha e não quis repetir o mesmo caminho para ele e para sua família.
Segundo ele, a escolha foi tomada com resolução após o combate. De acordo com Burns, o momento ainda foi emocional, mas a decisão foi a correta.
Exemplos citados por Burns
- Ele comparou sua decisão à trajetória de B.J. Penn, que, na visão de Burns, não teria encerrado da maneira ideal.
- Burns citou Vitor Belfort e disse que, em suas lutas finais, não foi o melhor momento esportivo.
- Ele mencionou Anderson Silva como outro grande exemplo, defendendo que os atletas devem ter cuidado com a forma de finalizar a carreira.
Para sustentar o ponto, Burns citou B.J. Penn como um fã que ele sempre foi, mas que não teria encerrado no momento ideal. Ele também mencionou que houve alguns combates em sequência após derrotas, e questionou por que a continuidade persistiu.
O veterano ainda falou sobre Vitor Belfort e o período final do brasileiro. Burns lembrou que, no fim, não seriam as melhores lutas, e usou isso como alerta sobre o risco de insistir quando o corpo e o nível já não acompanham.
Ele também citou Anderson Silva, dizendo que não estava “chamando” ninguém para fora, mas reforçando que os grandes atletas precisam ser mais criteriosos ao decidir quando parar.
Por fim, Burns cravou que já chegou ao limite com a sequência de cinco derrotas. Ele afirmou que, ao menos, teve a chance de enfrentar o que havia de melhor, e que se sentir incapaz de vencer aquele tipo de adversário, então deve encerrar.
O lutador reiterou que estava em paz com a decisão. Apesar de o momento ter sido emocional, Burns sustentou que foi o caminho certo para encerrar a carreira.

