Gina Carano, uma das pioneiras do MMA feminino, entrou no octógono com o peso de uma história inteira nas costas e acabou derrotada em uma luta que durou apenas 17 segundos no evento MVP MMA 1, realizado no último sábado, 16 de maio de 2026, dentro do Intuit Dome, em Los Angeles, Califórnia. A adversária foi Ronda Rousey, ex-campeã do UFC, e o combate principal terminou com uma finalização rápida, deixando Carano sem tempo de reagir. Apesar do revés contundente, a participação no card — especialmente por marcar o retorno de uma atleta que não lutava havia quase 17 anos — se transformou imediatamente em um dos assuntos mais comentados do evento histórico transmitido pela Netflix.
A derrota também teve um detalhe que chamou atenção: Carano não compareceu à coletiva de imprensa pós-luta após o resultado relâmpago. Dois dias depois, a lutadora finalmentebrou o silêncio com uma mensagem longa e carregada de emoção nas redes sociais, na qual relembrou o que viveu no combate, descreveu o período de treinos e explicou o significado do momento para ela, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal.
No pronunciamento, Carano afirmou que a experiência foi “uma das melhores de sua vida”, dizendo que se sentiu totalmente concentrada no dia da luta, sem medo e com uma adrenalina positiva, além de demonstrar carinho pelo próprio time. Ainda assim, a ex-lutadora reconheceu que o resultado não saiu como ela queria: o plano era atacar, lutar e vencer, mas ela admitiu que “chutou” quando deveria ter se movido, acabou derrubada e foi finalizada. Segundo o que ela relatou, caso não tivesse desistido na finalização, a articulação seria rompida, já que o quadro de dor teria começado a “estalar”. Para completar, Carano descreveu a frustração de perder dessa maneira como algo que ensina humildade, mesmo para alguém acostumado a enfrentar desafios difíceis.
Ela também mencionou a conversa que teve após o combate. Carano relatou que Jon Jones e Cain Velasquez se aproximaram de sua mesa depois da luta e ajudaram a “colocar a cabeça no lugar”. Na descrição dela, Jones teria dito que ela não lutava há 17 anos e que isso exige coragem absurda para voltar ao esporte depois de tanto tempo, além de ressaltar que ela teria feito algo grandioso ao retornar. Para a lutadora, ouvir esse tipo de mensagem vindo de um dos maiores nomes da modalidade foi exatamente o tipo de incentivo de que precisava.
Na sequência, a brasileira de coração e pensamento ligado ao MMA detalhou o processo físico que antecedeu o retorno. Carano disse que passou um ano em déficit calórico, que os treinos pareciam “nadar rio acima” com todo o esforço, e que poucas vezes conseguiu sentir que estava realmente bem durante a preparação. Ela descreveu a transformação corporal como o trabalho mais pesado que já enfrentou, combinando a retirada de peso com a volta ao ritmo de uma atleta, chegando a comparar a fase a um experimento científico ao perder 100 libras. Carano também falou sobre a pressão semanal para tirar uma pequena parcela a mais do peso e admitiu que aprendeu mais tarde a ajustar o caminho de forma mais saudável, mas que tudo foi feito no “teste pelo fogo”.
Carano ainda entrou em detalhes sobre os procedimentos de fiscalização antes da luta. De acordo com o que ela contou, a comissão atlética da Califórnia é rígida e realizou pesagens com antecedência de uma semana e meia, além de exames extras e diferentes testes. Ela reforçou que, na pesagem e no momento da verificação na noite do evento, o protocolo de reidratação foi acompanhado para assegurar o cumprimento das regras, e que ela teria sido liberada com tranquilidade. Para ela, passar por tudo isso não foi apenas um retorno pontual, mas uma oportunidade de implementar mudanças permanentes de estilo de vida. Com isso, Carano concluiu que, mesmo com o resultado, sentia que aquilo era apenas o começo e que ainda tinha vontade de testar até onde o próprio corpo pode ir.
Em outro trecho, a lutadora demonstrou gratidão por ter permitido que o mundo enxergasse uma versão de Ronda Rousey. Carano disse que encontrou uma mulher completa — esposa, mãe, filha e lenda — e afirmou admiração pela adversária, além de declarar que a dupla ajudou a “fazer história” mais uma vez. Ela também fez questão de elogiar o MVP MMA e a transmissão pela Netflix, afirmando que o evento “esmagou” tudo e pedindo respeito ao trabalho de Nakisa Bidarian e Jake Paul, destacando que foi uma experiência especial.
Por fim, Carano encerrou agradecendo a todos que apoiaram a jornada. Ela ressaltou que o apoio do público é o que torna possível encarar medos e viver sonhos, e finalizou a mensagem dizendo que, com todo o coração, agradecia por cada demonstração de suporte.
Apesar de o desfecho ter sido frustrante, o retorno de Carano foi encarado por muitos como uma vitória por si só, principalmente pela distância de quase duas décadas sem competição ativa e pela transformação física impressionante para conseguir voltar a competir em alto nível. Segundo o que foi divulgado, a estrela teria perdido 100 libras durante o período de preparação, reconstruindo o condicionamento e o corpo para retornar ao formato de luta depois de tanto tempo longe do combate.
Quanto ao futuro, Gina Carano, com cartel de 7-2, permaneceu sem compromisso sobre uma próxima luta. Ela não descartou oficialmente um novo compromisso, mas deixou pistas de que deseja voltar para Hollywood, seguir atuando e, no futuro, possivelmente migrar para a direção de filmes. Caso esse capítulo realmente seja o último da carreira no esporte, Carano se despede como uma das verdadeiras responsáveis por abrir caminhos no MMA feminino — alguém que ajudou a tornar lutas como essa possíveis desde o início.

