Georges St. Pierre contra Anderson Silva é apontado por muitos como um dos maiores confrontos que o UFC nunca conseguiu realizar. Os dois são frequentemente lembrados como referências máximas em suas respectivas divisões e, por um bom período, suas trajetórias no topo cruzaram em um cenário de “poucos desafiantes à altura”, o que manteve a expectativa por um confronto histórico sempre viva. A negociação do que seria um super luta de peso especial já estava em andamento desde 2012, mas a combinação nunca saiu do papel — e, para fãs e especialistas, aqueles entendimentos de 2012 foram o mais próximo que a modalidade chegou de transformar um sonho em realidade.
A visão de St. Pierre sobre a negociação
Mesmo com a negociação se arrastando por anos no debate público, Georges St. Pierre já havia admitido anteriormente que recusou a luta contra Silva. Ainda assim, a história, segundo “Rush”, não é tão simples quanto parece. Recentemente, ele apareceu no MightyCast, programa de Demetrious Johnson, para explicar detalhes do lado dele no processo e, principalmente, sobre o que teria sido pedido e ignorado.
“O que aconteceu foi o seguinte: na época, quando eu estava no auge e o Anderson também estava no auge… eu só posso falar da minha parte”, afirmou St. Pierre. “Eu não sei o que estava acontecendo do lado do Anderson.”
De acordo com o canadense, a abordagem para discutir o combate teria acontecido uma única vez, envolvendo Dana White e Lorenzo Fertitta. “Eu fui perguntado uma vez por Dana e Lorenzo… e eu fiz esse pedido porque eu pensei: ‘se você quer que eu saia da minha zona, suba de categoria, eu preciso ser compensado, porque é diferente’. Eu tenho muitos desafios dentro do meu peso. Se eu for lutar com alguém maior, eu preciso ajustar meu treinamento, tentar ficar maior…”, detalhou.
“Eu queria estar no contrato e ser melhor compensado”
St. Pierre também deixou claro qual teria sido a principal exigência para aceitar o desafio: garantia contratual e compensação maior, além de condições específicas para que o retorno à divisão original fosse viável. Johnson, que é conhecido por defender seus interesses em negociações, certamente se identificaria com esse tipo de impasse — e St. Pierre reforçou que o pedido dele não se limitava a aceitar a revanche histórica, mas sim a como o acordo seria estruturado.
“Então, meu pedido era lutar com Anderson Silva. Eu queria ser colocado sob contrato”, continuou o ex-campeão. “Eu queria ser compensado melhor. Primeiro: eu queria que fosse feito em um peso combinado, porque o Anderson lutou no PRIDE em 170 e eu sabia que ele tinha capacidade de descer. Eu não sei se ele conseguiria fazer isso naquele momento… mas parece que ele foi ficando mais pesado com o passar do tempo, então eu não sei. É só uma impressão.”
Na sequência, St. Pierre explicou por que o formato em peso combinado seria importante para o planejamento do próprio corpo e carreira. “A ideia era essa: seria em catchweight, e depois eu poderia [voltar para o meu peso]. Se eu subisse, eu teria que retornar ao meu limite, porque eu não passaria o resto da minha carreira ali. E o terceiro ponto foi que eu queria que houvesse testes antidoping implementados. E eles nunca me deram retorno.”
O que aconteceu depois: a luta com Bisping e o fim de uma era
Apesar de o super duelo jamais ter se concretizado, St. Pierre acabou mesmo migrando para o peso-médio em uma oportunidade pontual pelo cinturão. Quase uma década atrás, no UFC 217, ele enfrentou Michael Bisping em uma luta única pelo título e venceu “The Count” no terceiro round, com uma sequência que culminou em queda e finalização por estrangulamento.
Após conquistar o cinturão nessa passagem pelo peso-médio, St. Pierre seguiu com a aposentadoria ainda com o título nas mãos. O desfecho, porém, não agradou Dana White, que viu a carreira do campeão encerrar de forma abrupta depois de uma sequência impressionante: foram 13 lutas seguidas de vitórias.
Presença em cena e o futuro sem “GSP vs. Anderson”
Com o legado consolidado e a história do confronto gigante ainda pairando no imaginário dos fãs, St. Pierre permanece fora do octógono, mas sem perder completamente a conexão com o público. A expectativa é que ele possa reaparecer em projetos de mídia nos próximos anos. De todo modo, a impressão é que, apesar das propostas de combate que surgiram ao longo do tempo, “GSP” mostra estar confortável com a aposentadoria.

