A luta entre Adriano Moraes e Phumi Nkuta terminou com uma cena que deixou muita gente confusa — e com um veredito que, para alguns, foge do padrão esperado. O confronto, que parecia caminhar para a vitória de Nkuta por pontos, acabou reclassificado após revisão, gerando debates acalorados nas redes e questionamentos sobre o momento exato em que a finalização ocorreu.
Combate em peso combinado e virada no fim
Moraes (22-6) e Nkuta (11-1) se enfrentaram em uma luta de 130 libras em acordo de peso (catchweight), no card preliminar do MVP MMA 1. O evento aconteceu no último sábado, com transmissão pela plataforma Netflix, direto do Intuit Dome, em Inglewood, na Califórnia.
O duelo foi competitivo, mas Nkuta parecia controlar o caminho para a vitória: ele saiu na frente em dois rounds, aparecendo em duas das três mesas de pontuação. Assim, mesmo que Moraes conseguisse vencer o terceiro assalto, Nkuta ainda estaria a caminho de um triunfo por decisão.
O cenário mudou nos instantes finais. Em uma sequência intensa e “desorganizada” na troca, Nkuta caiu no chão após se envolver com Moraes. A partir disso, o brasileiro conseguiu tomar as costas do adversário e encaixar um mata-leão pelas costas (rear-naked choke). Com cerca de nove segundos restantes no cronômetro, Moraes apertou a finalização e sustentou a posição.
O ponto central da controvérsia está justamente no timing. Moraes apertou bastante e manteve a finalização por quase dois segundos depois do som do sinal que marca o fim do round. Na sequência, ele empurrou Nkuta para fora da posição, e o lutador ficou desacordado.
Revisão de replay e decisão técnica
Após o término da luta, o árbitro Herb Dean, junto com os oficiais na área do octógono, parou para analisar a repetição. Com base na revisão, o combate foi reclassificado: em vez de uma vitória por decisão para Nkuta, a organização determinou um encerramento técnico (technical submission) em favor de Moraes.
Dean afirmou estar convicto de que a decisão correta foi tomada. Em conversa na segunda-feira, durante o programa “The Ariel Helwani Show”, o árbitro detalhou o que observou no momento da paralisação.
O que Herb Dean disse sobre o momento do apagão
Dean explicou que, na visão dele, a finalização havia sido aplicada e Nkuta teria apagado antes do sino. Ele relatou que, no fim da luta, o americano topou em uma finalização com controle na pegada de palma com palma (palm-to-palm grip) e que o apagão aconteceu bem no final, próximo ao “clapper” de 10 segundos, no período imediatamente anterior ao término do round.
Segundo o árbitro, no instante em que ele interrompeu a luta, houve um intervalo extremamente curto em que Nkuta ainda pareceu manter algo na finalização, mas que por isso ele decidiu conferir o replay para garantir o enquadramento correto do momento do apagão em relação ao sino.
De forma mais detalhada, Dean afirmou que inicialmente enxergou a situação como uma vitória por finalização, mas que só foi ao replay para confirmar a avaliação. Ele também comentou que, em cenários desse tipo, costuma ampliar o campo de visão para entender sinais no corpo — principalmente o que pode indicar que alguém “saiu” do combate — e que, no momento de decidir parar, o foco muda para as mãos, para identificar quais pegadas estão ativas e o que precisa ser controlado caso o adversário não solte instantaneamente.
Dean sustentou que viu o movimento do corpo, porém não estava concentrado nessa parte naquele momento. Como havia tempo para revisar, ele foi checar a sequência completa, com atenção ao instante em que tudo aconteceu, especialmente em relação ao sinal sonoro. Por fim, declarou estar “bem certo” de que Nkuta ficou desacordado antes do sino — em uma fração de segundo anterior ao término do round.
Apesar da explicação, um detalhe alimentou ainda mais a discussão: para muita gente que acompanhou a transmissão, parecia que Moraes manteve o mata-leão por quase dois segundos depois do sino, e não apenas por um intervalo “quase instantâneo”, como Dean sugeriu.
Controvérsia nas redes e justificativa do árbitro
A finalização e a revisão do resultado provocaram repercussão imediata online. Parte do público entendeu que Nkuta teria sido prejudicado e que, com base no que imaginava ter ocorrido, o nigeriano poderia ter recebido a vitória por decisão.
Dean, no entanto, considera que a checagem do replay ajudou a tornar a situação mais nebulosa do que ela realmente seria no entendimento original. Ele disse que a revisão deu a impressão de algo “estranho”, mas que a intenção foi gastar o tempo necessário para reunir todas as informações e chegar ao veredito mais correto possível, já que a luta estava encerrada.

