Junior dos Santos x Werdum: trilogia no Brasil com duelo em grappling no UFC

Junior dos Santos e Fabricio Werdum, dois ex-campeões dos pesos-pesados do UFC, vão se reencontrar pela terceira vez em uma nova edição do Kings Championship. O duelo está marcado para 8 de agosto, em Florianópolis (Brasil), e, para a alegria do público, a luta não será disputada como um combate completo de MMA: a promessa é de que o confronto aconteça no formato de grappling, preservando o foco no trabalho de solo e finalizações, em vez de um confronto com trocação e regras integrais.

Os dois atletas já dividiram o octógono em outras ocasiões, mas a história da rivalidade começou muito antes. Em 2008, quando ainda era pouco conhecido no cenário internacional, dos Santos conseguiu um resultado surpreendente ao nocaute ar Werdum em apenas 80 segundos, em uma vitória que marcou o início do crescimento do “JDS” diante de um adversário já mais consolidado. Quinze anos depois, a dupla voltou a se enfrentar novamente, agora sob o guarda-chuva da Gamebred Bareknuckle MMA, organização comandada por Jorge Masvidal. Naquele segundo encontro, dos Santos saiu mais uma vez com vantagem em uma luta bastante intensa, vencendo por decisão dividida, ampliando sua vantagem no confronto direto e confirmando que a rivalidade entre os dois nunca ficou para trás.

Apesar do retrospecto favorável a Junior dos Santos nesse histórico, o cenário atual coloca “Cigano” em uma posição bem menos confortável. Werdum chega para o terceiro capítulo da disputa como um grappler de altíssimo nível, faixa-preta de jiu-jitsu com um currículo muito respeitado, o que faz com que o duelo no solo seja ainda mais determinante do que seria em um combate tradicional. Entre os dois, quem tem mais ritmo de competição recentemente é dos Santos: desde a revanche de 2023, ele lutou duas vezes. Primeiro, venceu Alan Belcher em mais um compromisso pela Gamebred. Poucas semanas antes da confirmação do Kings Championship, porém, “Cigano” foi derrotado, sendo finalizado, em um evento do MVP MMA, diante de Robelis Despaigne.

Werdum, por sua vez, não vinha competindo desde o período próximo ao anúncio. Ele chegou a assinar com a GFL em 2024, mas a organização acabou passando por um colapso pouco menos de um ano depois. Com esse cenário, o caminho do brasileiro no esporte ficou ainda mais incerto, e a expectativa é que a carreira dele não siga adiante. A razão citada é a existência de lesões cerebrais incapacitantes, o que reduz drasticamente a possibilidade de novos combates.

Com a luta marcada para o grappling, a torcida tende a se voltar para o controle de posições, quedas e tentativas de finalização — justamente as áreas em que Werdum costuma ser mais perigoso. Ainda assim, fica um alerta no ar para qualquer tipo de acidente durante o embate: a esperança é que não ocorram choques involuntários de cabeça, algo que costuma trazer preocupação em confrontos onde há movimentação intensa e transições rápidas no chão.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.