Com uma “rodada” de lutas forte no mês de maio, a lista de destaques acabou convergindo para performances que realmente chamaram atenção: um retorno de peso no peso-galo com Haddon no centro das atenções, uma finalização raríssima por chave de tornozelo no duelo entre Ardelean e Polyana Viana, um impacto imediato de Kai Asakura ao subir de volta para o peso-galo e, no co-main do UFC 328, um combate de fôlego e controle entre Joshua Van e Tatsuro Taira que definiu o melhor Fight do período.
UFC Macau: Haddon volta e acerta de cheio — o que isso muda no peso-galo
Na luta em que Haddon voltou a aparecer após um período parado, o peso-galo australiano dominou Aoriqileng usando a própria base de grappling para neutralizar o tipo de potência perigosa do veterano, sem abrir mão de mostrar também trechos de boa trocação e leitura de luta apurada — principalmente no momento decisivo. Desde o topo, ao longo do primeiro round, ele manteve atividade, conectou golpes curtos e com impacto e permaneceu atento a janelas de finalização. A virada do combate veio com um golpe certeiro: uma joelhada na região do fígado, na cerca, que encerrou a luta e garantiu a sua segunda vitória dentro do UFC.
O contexto fora do octógono pesava. Haddon vinha de um perfil de grande promessa após a 8ª temporada do programa do Dana White’s Contender Series, e conseguiu sua primeira vitória na organização ainda antes de o ciclo da atração terminar. Porém, problemas nos pés o tiraram de dois compromissos ao longo de 2024, fazendo com que ele perdesse ritmo e ficasse atrás de parte das novas caras em uma divisão de 135 libras cada vez mais competitiva — situação que também abriu espaço para dúvidas sobre seu futuro. O que ele entregou em Macau, no entanto, recolocou o lutador no mapa: foi uma atuação completa contra uma figura experiente e perigosa, suficiente para reativar a atenção sobre o prospect.
Outro ponto do card de Macau que também apareceu na seleção de menções foi o companheiro de equipe de Haddon, Quillan Salkilld. Ele entrou na lista de “destaques honrosos” por ter iniciado o mês com uma vitória por interrupção no primeiro round sobre Beneil Dariush, justamente no mesmo lugar onde os dois constroem suas histórias: Perth. O texto também destacou o trabalho do treinador Romelo Luistro e da Luistro Combat Academy, citando o crescimento do grupo no estado de WA.
- Honorable Mentions: Quillan Salkilld, Carlos Prates, Yaroslav Amosov, Benardo Sopaj, Juan Diaz, Rodrigo Vera, Rei Tsuruya, Luis Felipe Dias, Kai Asakura
Em termos de ranqueamento, o retorno de Haddon com uma finalização limpa e uma performance “de ponta a ponta” é o tipo de resultado que normalmente reabre portas na divisão: não é apenas vencer, é mostrar controle, variedade e tomada de decisão no momento certo. Para a cena do peso-galo, o recado é claro: ele está saudável o bastante para voltar a competir como candidato a voos maiores.
Finalização do mês: Ardelean surpreende com chave rara de tornozelo em Viana
Uma das cenas mais marcantes do mês veio no confronto entre Ardelean e Polyana Viana, em 16 de maio, em Las Vegas. Já no fim do segundo round, a brasileira foi surpreendida e acabou cedendo para uma finalização incomum: um “capsule lock”, descrito como uma chave de tornozelo dolorosa e rara, que deixou Viana visivelmente desconfortável — e gerou curiosidade imediata sobre o que estava acontecendo até as repetições esclarecerem.
O detalhe técnico foi o que transformou o momento em algo digno de reconhecimento. A lutadora posicionou-se na guarda da adversária no centro do octógono, aproveitou a tentativa de proteção de Viana e, com ela tendo aplicado uma “body triangle” a partir de baixo, travou o pé esquerdo usando as próprias coxas. A partir daí, Ardelean torceu o conjunto para trás, criando uma pressão intensa sobre o tornozelo de Viana — forçando a atleta a bater para encerrar a disputa.
Embora a tendência recente do MMA seja ter finalizações mais “catalogadas” (já que o nível de defesa no chão e a consciência corporal evoluíram), esse caso foi diferente: foi um daqueles momentos em que o público pensa “o que foi isso?” e, ao entender, percebe que a ataque foi intencional e bem encaixada. A escolha pelo “Submission of the Month” faz sentido exatamente por isso: foi ofensivo, foi estratégico e terminou do jeito mais eficiente possível.
- Honorable Mentions: Kody Steele vs Dom Mar Fan, Wes Schultz vs Ben Johnston, Baisangur Susurkaev vs Djorden Santos, Jim Miller vs Jared Gordon, Grant Dawson vs Mateusz Rebecki, Amosov vs Joel Alvarez, King Green vs Jeremy Stephens, Nicolle Caliari vs Shauna Bannon, Sopaj vs Timmy Cuamba, Diaz vs Wellmaker, Jaqueline Amorim vs Loma Lookboonmee, Tsuruya vs Luis Gurule, Song Yadong vs Deiveson Figueiredo
Asakura acerta a subida e ameaça do topo: rumo a um confronto entre os 15 melhores
Kai Asakura ganhou ainda mais força na conversa do MMA após sua apresentação no UFC. A trajetória dele, porém, vinha com uma virada importante: antes de chegar à organização, o lutador havia se destacado no Japão com finalizações devastadoras atuando perto do limite do peso-galo. Já no UFC, ao descer para o peso-mosca, ele sofreu dois tropeços iniciais, ambos por finalização no segundo round.
Na sequência, veio a transformação com uma atuação que o texto colocou como “mais próxima do que ele sempre foi conhecido”. Mesmo com a lembrança de que o adversário do dia era Alexandre Pantoja, o ponto central é que a luta de Macau serviu como prova de força para Asakura: ele dominou Cameron Smotherman de forma espetacular.
Ao lutar no peso-galo pela primeira vez na organização, Asakura apareceu fisicamente melhor e tratou de encurtar distância quase imediatamente, levando a luta para onde queria. A finalização começou com uma finta: um golpe de esquerda em forma de uppercut, que enganou, abriu espaço para um cruzado em mão direita com mudança de base (switch-stance) que chegou limpo. Depois, ele completou com uma mão esquerda na direção da grade, derrubando Smotherman e encerrando o combate com um nocaute — o apelido “The Baby-Faced Killa” entrou em cena no momento decisivo.
Apesar do respeito ao adversário, o texto também orienta a leitura do resultado: apesar de Smotherman não ser o tipo de barreira que o público esperava dificultar, o desempenho foi acima do padrão e reacendeu o entusiasmo em torno da inclusão do lutador no elenco. Ainda que a divisão tenha muita gente qualificada e que a hierarquia esteja bem desenhada, a avaliação apresentada é direta: da próxima vez, a tendência seria colocá-lo em um confronto entre os 15 melhores para medir como ele se sai contra alguém mais experiente e “mais esperto” dentro do octógono.
Em meio a isso, foram citadas possibilidades para os próximos passos, incluindo uma luta com Marlon “Chito” Vera ou outro duelo envolvendo Raoni Barcelos — tudo como “conversa de bastidor” alimentada pelo impacto do resultado.
- Honorable Mentions: Junior Tafa vs Kevin Christian, Brando Pericic vs Shamil Gaziev, Marwan Rahiki vs Ollie Schmid, Khaos Williams vs Nikolay Veretennikov, DooHo Choi vs Daniel Santos, Vera vs Zhu Kangjie, Haddon vs Aoriqileng, Sergei Pavlovich vs Tallison Teixeira
Fight of the Month: Van e Taira elevam o nível no co-main do UFC 328
No UFC 328, o co-main event entregou exatamente o tipo de batalha que mistura controle, ajustes e viradas de momentum — e por isso Joshua Van e Tatsuro Taira acabaram escolhidos como o Fight of the Month. O combate colocou dois nomes em evidência, com a promessa de que pode haver pelo menos mais uma luta entre eles no futuro, tamanha foi a capacidade de cada um de responder ao plano do outro.
Logo cedo, Taira conseguiu bons resultados, usando a luta agarrada para colocar o campeão na lona e manter o adversário ali por quase nove minutos iniciais. Quando Van conseguiu se reerguer, ele respondeu com eficiência nos momentos finais do segundo round e conseguiu acertar Taira. O terceiro round trouxe pressão de ambos os lados: Van aplicou o próprio ritmo, castigou Taira e o deixou machucado, mas, mesmo com a vantagem, escolheu perseguir uma finalização — que acabou não se concretizando.
O que chama atenção é que Taira não só sobreviveu como reagiu. No quarto round, ele voltou a demonstrar solidez na luta agarrada e mostrou persistência e “sangue frio” para atravessar a fase mais complicada. A partir do quinto, Van voltou do corner com agressividade e intensidade, como se tivesse começado do zero: ele achou o final 92 segundos após o início do round e fechou sua primeira defesa bem-sucedida de cinturão.
O recado do combate, mesmo com espaço para ajustes, foi de maturidade competitiva. Os dois mostraram precisão dentro das próprias especialidades e também postura em momentos grandes. Para a leitura de ranqueamento e disputa de título, a mensagem é que a divisão dos moscas não só tem novos nomes, como tem lutadores capazes de sustentar pressão sob o peso da responsabilidade — e, com isso, manter os dois no cenário do campeonato por um bom tempo.
- Honorable Mentions: Steve Erceg vs Tim Elliott, Roman Kopylov vs Marco Tulio, Choi vs Santos
