Dustin Poirier enxerga que Conor McGregor terá um grande desafio em seu retorno ao octógono no card de UFC 329, quando enfrenta Max Holloway no combate principal marcado para o dia 11 de julho, na T-Mobile Arena, em Las Vegas. O norte-americano, que já conhece bem os dois lados desse confronto, tratou do tema com a autoridade de quem viveu diferentes fases contra ambos os adversários e acredita que a volta do irlandês exige mais do que apenas talento — especialmente depois de um longo período afastado.
Poirier é apontado como uma das principais referências do mundo para comentar esse tipo de cenário, já que encarou McGregor e Holloway três vezes cada. No retrospecto das “trilogias”, ele venceu dois duelos em cada sequência, fechando 2 a 1 contra os dois lutadores. Essa bagagem dá peso às análises do peso-leve e ajuda a explicar por que ele entende que o retorno de McGregor não será simples, ainda que o irlandês chegue com poder de sobra e com a capacidade de mudar o rumo de uma luta em poucos instantes.
Em meio às inevitáveis perguntas sobre o desempenho de McGregor após um hiato de cinco anos, Poirier relembra o último encontro entre os dois. A última vez em que o irlandês lutou foi contra ele no UFC 264, em julho de 2021, e o duelo terminou de forma dramática: ainda no primeiro round, McGregor sofreu uma fratura na perna e a luta virou desastre. Agora, ele terá 38 anos apenas três dias depois do UFC 329, o que adiciona uma camada extra de dúvida, mesmo que não exista questionamento de que a versão atual de McGregor será diferente da que esteve naquelas condições. Para Poirier, porém, existe uma característica que tende a continuar sendo ameaçadora.
“Conor tem o poder”, disse Poirier em participação no podcast “Deep Waters”, do Paramount. “Não importa qual seja a lesão que ele esteja carregando — o timing ainda é importante, outras coisas também contam. Mas a força vai estar lá. Vai ser uma briga de trocação. O Oliveira conseguiu ‘sufocar’ (o Holloway), e eu fiquei surpreso, porque o Max é muito difícil de segurar no chão. O Conor vai ficar no kickboxing com ele por 25 minutos. Ele tem uma chance de nocautear.”
Depois, Poirier detalhou o que espera do confronto em termos de impacto e evolução do estilo de Holloway ao longo dos anos. Mesmo reconhecendo o volume característico do havaiano, ele afirma que os golpes de Max também passaram a carregar mais ameaça do que apenas quantidade. “Max é, com certeza, um lutador de volume, mas no último duelo em que eu o enfrentei, aos 55, ele tinha potência por trás dos golpes, e eu tenho que pensar que nos 170 ele vai ter ainda mais força, porque o Max consegue nocautear agora. Ele não é só um lutador de volume. Ele sabe finalizar lutas.”
Apesar de Poirier tender a favorecer Holloway no confronto, ele ressalta que existem pontos de interrogação para o havaiano — especialmente ligados à forma como o corpo tem respondido ao ritmo que ele sustentou por tanto tempo. Com mais golpes absorvidos do que qualquer outro atleta na história do UFC, a resistência famosa que Max carregou por anos começa a mostrar sinais de desgaste.
“O que eu fico pensando é que, nas últimas três lutas do Max, ele foi ao chão mais vezes do que em toda a carreira antes disso”, afirmou Poirier. “(Justin Gaethje e Ilia Topuria) derrubaram ele, e eu também derrubei. Esses foram os últimos combates. Se a ‘pedra’ do Max finalmente estiver cobrando do estilo que ele faz, o Conor pode colocá-lo no chão.”

