Raoni Barcelos finalmente volta a ter uma oportunidade de encarar um adversário bem ranqueado dentro do octógono. O brasileiro estreia no card principal do UFC Vegas 116 contra Montel Jackson na noite de 25 de abril, e a missão é clara: vencer e acelerar sua escalada na categoria. Com 38 anos no dia do combate (ele completa 39 dias depois), o peso-galo busca transformar a sequência recente em um passo decisivo rumo ao topo.
Sequência e a mira em lutas maiores
Barcelos chega embalado por uma série de quatro vitórias consecutivas. O atleta venceu Payton Talbott, Cody Garbrandt, Ricky Simon e Cristian Quinonez, consolidando o momento e chamando atenção dentro do circuito. Em entrevista, ele afirmou que, caso saia vitorioso na luta deste sábado, pretende direcionar o caminho para dois nomes: Marlon Vera ou Deiveson Figueiredo.
O lutador não cravou qual dos dois seria a melhor opção, mas ponderou o cenário. Como Marlon Vera está em uma sequência recente negativa (três derrotas seguidas), Barcelos entende que talvez seja mais viável mirar Figueiredo. Ainda assim, o recado que o brasileiro faz não é do tipo “provocação” que costuma tomar conta da mídia pré-competição; ele prefere agir com objetividade, e até o fato de citar um compatriota como alvo foi considerado ousado dentro do estilo dele.
“Ele é brasileiro. Eu acompanho a carreira dele há muito tempo e, sinceramente, não tenho muito o que falar além disso”, disse Barcelos. “Mas eu não tenho muito tempo sobrando.”
O peso-galo seguiu explicando por que enxerga Figueiredo como um confronto ideal para o estágio atual do seu plano. Para ele, a busca por lutas desse tamanho faz parte do momento da carreira.
“Eu acho que o Deiveson Figueiredo seria um grande duelo. Eu respeito muito ele e a equipe — ele faz parte do Pitbull Brothers. Tenho um respeito enorme”, afirmou. “Só que chega um ponto na carreira, e no que eu estou vivendo agora, em que você precisa pedir esse tipo de combate, porque é a melhor forma de eu avançar.”
Barcelos também reforçou a urgência do próprio projeto dentro do UFC, lembrando que já soma oito anos na organização. A leitura é direta: a vitória sobre Jackson precisa ser a ponte para um confronto que coloque o nome dele ainda mais alto.
“Eu não tenho tempo para ficar perseguindo coisas”, declarou. “Eu já tive uma trajetória de oito anos no UFC, então eu acredito que é o meu momento. Por isso, eu acho que o Deiveson seria uma luta muito boa.”
O brasileiro ainda detalhou o impacto no ranking. Segundo o próprio raciocínio dele, um triunfo sobre Figueiredo — atualmente no top 7 — o colocaria em posição privilegiada.
“Ele está entre os sete melhores. Se eu ganhar dele, eu sairia do 13 para o 7. Isso me colocaria numa situação bem forte”, completou.
Por que Barcelos acredita no matchup com Deiveson Figueiredo
O último triunfo de Deiveson Figueiredo dentro do UFC aconteceu em outubro, quando venceu Montel Jackson por decisão dividida. Na sequência, porém, ele perdeu o próximo compromisso para Umar Nurmagomedov. Desde a mudança para o peso-galo, o ex-campeão dos moscas registra campanha de 4 vitórias e 3 derrotas, incluindo triunfos sobre Marlon Vera, Cody Garbrandt e Rob Font.
Ao comentar o estilo de Figueiredo, Barcelos destacou a combinação de golpes e versatilidade que o desafiante apresenta tanto em pé quanto no chão. Na visão do brasileiro, seria um confronto intenso e com alto ritmo, capaz de agradar o público.
“O Deiveson também é um atleta fora de série. Ele tem mãos muito pesadas, é completo tanto no trabalho de trocação quanto no jiu-jitsu e no wrestling”, disse Barcelos. “Eu também me considero um lutador completo. Acho que seria uma luta excelente.”
“Seria um combate intenso, rápido, com bastante ação. Eu realmente acho que os fãs vão curtir”, acrescentou.
A lembrança de Curitiba e a chance de colocar o plano em prática
Barcelos acompanhou ao vivo uma parte importante do enredo que o levou a mirar Jackson e, consequentemente, a abrir caminho para outros grandes nomes. Ele estava na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, quando Figueiredo superou Montel Jackson por decisão dividida. Na hora, o brasileiro decidiu que chamaria Jackson depois do combate contra Ricky Simon, por entender que aquele duelo seria o tipo de combinação ideal para ajudar seu nome a entrar no ranking.
O desejo foi atendido. Com a luta marcada contra Jackson no Meta APEX em 25 de abril, Barcelos mostrou confiança de que vai cumprir o plano e manter o foco na escalada.
O plano de luta: controle, queda e ameaça constante
Na estratégia apresentada por Barcelos, o coração do combate passa pelo jogo de quedas, grappling e controle no chão. Ele descreveu que quer manter o próprio estilo como principal ferramenta para criar problemas ao adversário e, ao mesmo tempo, explorar seu momento técnico.
“Eu quero ficar no meu jogo de quedas e wrestling”, afirmou. “Meu jiu-jitsu está muito forte e bem afiado agora, e eu pretendo usar isso na luta. Esse é o estilo que mais causa problemas para os oponentes na minha divisão.”
Barcelos citou um aprendizado que enxergou em outro confronto recente, explicando por que acredita que levar um adversário ao chão pode alterar o condicionamento quando ele voltar à distância. Na leitura dele, o caminho é reduzir o espaço do oponente e ditar o ritmo.
“Eu acho que o Merab Dvalishvili mostrou para todo mundo que, quando você derruba alguém, fica muito difícil manter o condicionamento quando a pessoa volta”, disse. “Eu vou seguir essa linha.”
O brasileiro também tratou a rota como uma das mais simples para buscar a vitória dentro do que ele consegue executar com consistência, sem deixar de mencionar que está preparado para qualquer cenário que apareça no octógono.
“Provavelmente é o jeito mais fácil para eu vencer. Vou usar essa estratégia, tentar fechar a distância e derrubar. Claro, eu estou pronto para qualquer coisa”, completou.
Por fim, Barcelos apontou um detalhe que muda o tipo de desafio: Jackson é canhoto. Para ele, isso exige ajuste de timing, mas também amplia a chance de um golpe decisivo caso a mão conecte.
“Ele é canhoto, é um tipo de jogo diferente. Mas se meu golpe encaixar, ele fica pesado. E, obviamente, eu também consigo nocautear”, finalizou.

