INGLEWOOD, Califórnia — Ronda Rousey percebeu sinais de preocupação no alto escalão do UFC. A ex-campeã dos pesos-galos do MMA feminino e membro do Hall da Fama da organização interpretou a movimentação mais recente da empresa como um indicativo de que a rivalidade com a MVP MMA é vista como uma ameaça real.
Retorno de Rousey e o impacto da MVP MMA
Rousey, com cartel de 13 vitórias e 2 derrotas, chegou ao octógono no comando do card principal do primeiro evento de MMA da MVP MMA. A luta marcou seu retorno após mais de uma década afastada das competições. No combate, ela venceu Gina Carano — uma das pioneiras do MMA feminino — com finalização rápida por submissão, reafirmando seu potencial mesmo após um longo intervalo.
O evento, realizado no sábado à noite, foi transmitido ao vivo pela plataforma de streaming Netflix e aconteceu no Intuit Dome.
UFC e o timing: anúncio do UFC 329 durante o evento da MVP
Durante a noite, enquanto Francis Ngannou, ex-campeão peso-pesado do UFC, entrava no octógono para enfrentar Philipe Lins, o CEO do UFC, Dana White, foi ao Instagram para anunciar o card completo do UFC 329. A programação também marca o retorno de Conor McGregor.
Muita gente interpretou a coincidência de horários como uma tentativa do UFC de ofuscar a vitrine construída pela MVP MMA. Rousey concordou com essa leitura e levou a provocação como parte de uma narrativa maior.
Em coletiva de imprensa pós-luta da MVP MMA, Rousey comentou: “Quer dizer, é meio maldoso, sim. Mas também mostra que eles veem a MVP MMA como uma ameaça. Que eles fariam isso justamente naquele momento e ainda colocariam tanto esforço e atenção no horário. Então eu também encaro como um elogio, porque isso coloca a MVP MMA em outro patamar. É como se estivessem dizendo que nos enxergam como um rival de verdade. E eu acho que essa é uma história bem forte. Agora eles estão ajudando a gente a contar isso.”
Críticas ao UFC e atenção aos contratos
Rousey, aos 39 anos, teve um relacionamento considerado positivo com o UFC durante sua passagem pela organização. Ao longo dos anos, ela repetiu que se trata de uma amizade pessoal com Dana White. Ainda assim, antes do seu retorno, ela transformou a preparação para a luta em uma crítica direta ao UFC e às práticas de trabalho da empresa.
Na avaliação dela, o UFC mantém contratos restritivos e paga pouco para atletas, especialmente no contexto em que ela passou a defender o tratamento oferecido pela MVP MMA aos seus lutadores.
Alfinetada em Hunter Campbell e mudança de postura sobre promoção
Além disso, Rousey mirou de forma mais pessoal Hunter Campbell, que ocupa o cargo de diretor de negócios do UFC. Ela afirmou que estaria mirando a posição dele e, ao mesmo tempo, demonstrou interesse em atuar como promotora na MVP MMA.
Com o retorno devidamente concluído, porém, Rousey recuou um pouco em relação à intenção de seguir na linha de trabalho de promoção. Ela explicou que a vontade existe, mas que ainda é cedo para cravar como será daqui para frente.
“Eu acho que o UFC precisa de concorrência. E eu penso que isso é o melhor para eles. E, nesse papel, eu realmente acredito que a MVP seria a melhor organização”, declarou Rousey. “Eu quero ajudar, mas… sim, eu acho que mesmo que eu não continue por aqui, eu realmente espero que a MVP vá muito bem no MMA, porque eu considero isso importante. Este evento foi incrível. Ele trouxe uma nova vida para o esporte e pareceu que a magia voltou. Eu adoraria ajudar, mas acho que eles conseguem fazer isso sem mim — só que não tão bem. Porque uma coisa que eu percebi com essa experiência foi: cara… eu sou muito boa promovendo. E eu estava até me divertindo.”
Ela completou: “Mas eu não sei se eu sei fazer isso no papel de promotora do jeito que eu sei fazer quando estou como lutadora. Não dá para eu comparar assim. Então eu acho que a gente vai precisar ver como as coisas vão se desenrolar.”

