“Upset especial”? A ex-campeã do peso-galo feminino do UFC, Ronda Rousey, chega ao duelo principal do evento de MVP na plataforma de streaming Netflix como a favorita nas apostas, cotada a -700, contra a ex-estrela do Strikeforce Gina Carano. O combate acontece neste sábado (16 de maio de 2026), no Intuit Dome, em Los Angeles, e marca um confronto que pode surpreender — mesmo com “Rowdy” como nome mais forte no papel.
Matt Brown vê Gina Carano como a chave do “azar” para Rousey
Entre os que enxergam possibilidade de reviravolta, o veterano do peso-meio-médio Matt Brown cravou Gina Carano como a escolha para o resultado inesperado. Em sua análise, Brown destacou que espera um combate “feio” e com dinâmica pouco atraente, mas que o cenário favorece a rival.
“Acho que vai ser, na maior parte do tempo, uma luta feia”, declarou Matt Brown. “Vou dizer por que estou indo com Gina Carano: eu acredito que a Gina é naturalmente um pouco maior do que a Ronda. E nesse período parado — eu não conheço as duas pessoalmente, mas vou supor a partir das personalidades que eu vejo online e da cobertura na mídia — penso que a Carano tentou, pelo menos, ficar em melhor forma. Já a Ronda, pelo que eu entendo, teria simplesmente parado de treinar e ficado fora, e agora está voltando.”
Rousey contesta a leitura e Brown mantém o argumento
Rousey, por sua vez, afirma que a leitura é a inversa. Ainda assim, Brown sustentou seu raciocínio e ampliou a explicação sobre como enxerga o estilo do duelo.
“Além disso, a Ronda é bem mais previsível”, acrescentou Brown. “Por um lado, ela não sai tentando fazer duplo-leg. A tendência é que seja uma queda em estilo de judô, que acaba sendo um pouco mais previsível. Ela precisa entrar no clinch e tentar arremessar. Se a Gina fizer algumas coisas básicas, ela consegue reduzir bastante esse risco. Mesmo assim, deve ser uma luta horrível. Daquelas que não dá para escrever nada demais. Eu vou na Carano — e também sou mais fã da Carano, então talvez tenha um pouquinho de influência aí.”
Como Brown acredita que o “mito” do judô pode ser neutralizado
O veterano também argumentou que há caminhos relativamente claros para diminuir o impacto do jogo de Rousey. Na visão dele, a preparação e o aprendizado de como defender de forma eficiente tornam o cenário menos assustador do que parece à primeira vista.
“O ponto é que tudo o que a Ronda faz pode ser mitigado com relativa facilidade”, disse Brown. “Eu não quero dizer que é ‘fácil’ demais, mas você aprende rápido como não cair em uma finalização de braço. Você também aprende rápido como não ser arremessada no judô. A Holly Holm mostrou o roteiro para isso. Eu não acho que a Ronda tenha conseguido sequer uma queda contra ela.”
“Judô é um esporte específico, com kimono, com pegadas e com certas rotinas do próprio sistema. Quando você leva isso para o sem quimono ou para o MMA, essa transferência fica limitada. Não que não seja bom — eu gosto de judô, acho um esporte incrível —, mas só uma parte pequena do repertório funciona do mesmo jeito. É um conjunto bem restrito de movimentos.”
O “plano” de 2022 e a diferença de demandas entre as lutadoras
Brown conectou a própria análise ao que ele acredita ser um motivo de reviravolta em outros cenários. Na explicação dele, Carano teria um conjunto mais objetivo de coisas para treinar especificamente contra Rousey, enquanto Rousey precisaria gastar o tempo de preparação para melhorar áreas que, segundo o comentarista, não evoluíram.
“Talvez isso ajude a explicar como esse tipo de surpresa aconteceu em 2022”, apontou Brown. “A Gina tem um número limitado de coisas para treinar contra a Ronda, enquanto a Ronda precisa treinar para melhorar o boxe e o restante do jogo de trocação — e ela estava treinando isso por um bom tempo e não melhorou. Eu não acho que ela tenha aquela intuição natural para ser uma striker de alto nível. Some isso ao tamanho e, pensando na Carano, acredito que ela tende mais a manter a forma com o passar de 17 anos.”
Histórico recente: afastamento e retornos
Ronda Rousey, aos 39 anos, se afastou do MMA no fim de 2016, depois de sofrer duas derrotas seguidas por nocaute. As vítimas foram Holly Holm e Amanda Nunes. Já Gina Carano, de 44 anos, encerrou a carreira após perder por nocaute técnico para Cris Cyborg, em uma luta disputada sob a bandeira do Strikeforce — organização que hoje não existe mais —, no verão de 2009.
O card completo do confronto “Rousey vs. Carano” terá continuidade no evento de MVP na Netflix, com a programação completa dedicada ao formato da noite.

