Sean Brady quase ficou de fora: preparação turbulenta antes do UFC 322

Sean Brady admitiu que passou boa parte da semana de preparação do UFC 322 se perguntando, inclusive, se conseguiria mesmo entrar no octógono. O peso-meio-médio, que agora tem como compromisso enfrentar Joaquin Buckley em uma luta importante na categoria dos meio-médios no UFC 328 neste sábado, viveu um período turbulento após seu duelo anterior contra Michael Morales, realizado na ida anual da organização a Madison Square Garden, em novembro.

Na ocasião, Brady chegou ao combate em uma sequência forte e vinha com moral, mas foi parado ainda no primeiro round por Morales, que seguia invicto. Para o lutador, não foi uma noite que lhe pertencesse — e, apesar de reconhecer que existem fatores além do controle total, ele trata a responsabilidade como algo que fica principalmente com ele.

“Sim, é maluco. Eu tive uma ótima preparação. É engraçado: eu fiz o melhor camp da minha carreira e mesmo assim eu fui para lá, não consegui vencer e acho que isso se resume a mim. Aconteceram algumas coisas nos bastidores naquela semana, mas não é desculpa. O Morales foi lá e me superou, só que isso fez com que eu não ficasse cem por cento travado, cem por cento presente, como eu estive em lutas contra Leon, contra Gilbert, contra o Gastelum. Foi aí que eu mais aprendi”, declarou Brady.

“São aqueles 15 minutos, ou 25 minutos, dependendo do tempo da luta, mas eu preciso estar totalmente presente, totalmente focado, e contra o Morales eu não fui. Eu não segui meu plano de jogo e isso custou caro. Só que é assim mesmo: lutar no mais alto nível contra um cara jovem, perigoso e em ascensão. No fim das contas, é isso. … Perder é muito ruim, especialmente sendo o competidor que eu sou, mas eu tenho que voltar pra casa e no dia seguinte eu preciso ser pai. Então, no fim, você realmente não consegue ficar se lamentando.”

Foco se desloca para o UFC 328 e a tentativa de retomar o caminho

Antes do duelo com Morales, Brady havia protagonizado um momento marcante ao finalizar Leon Edwards, ex-campeão, no evento principal do UFC London, em março de 2025. Com Islam Makhachev conquistando o cinturão dos meio-médios no UFC 322, naquela mesma noite, surgiram questionamentos sobre quem seria o próximo da fila na divisão dos 170 libras — e a luta entre Brady e Morales entrou forte nesse debate.

Mesmo assim, quando o brasileiro de decisão rápida — neste caso, Brady — chegou a Nova York, precisou lidar com algo fora da rotina comum de preparação. A situação envolveu um incidente relacionado à New York State Athletic Commission, que trouxe um obstáculo à realização do combate.

“Eu não vou entrar em muitos detalhes, mas era algo ligado a exames. A gente só descobriu na quinta-feira que a luta poderia nem acontecer. Então ficou em aberto pelos dois dias seguintes se essa luta ia rolar. E, no sábado à noite, bem antes de eu sair para ir para o combate, foi quando eu soube que eu ainda estava lutando”, explicou.

“Então foi difícil manter total foco. Mas isso é minha responsabilidade. Eu deveria estar mais comprometido e mais travado, mas aconteceram coisas que a gente não sabia até literalmente algumas horas antes de eu sair para ir para o ginásio, pra saber se eu ainda ia lutar ou não.”

Não houve uma explicação pública sobre o motivo exato do sinal médico, mas o episódio certamente atrapalhou o ritmo de uma oportunidade grande para um meio-médio que vive entre os mais bem ranqueados.

Brady quer que Morales receba o devido crédito

Agora, tentando retomar a trajetória neste sábado contra Buckley, Brady afirmou que quer garantir que Morales receba todo o reconhecimento pelo que fez. Para ele, apesar do revés, o adversário cumpriu o papel dentro do octógono e mostrou que está no caminho certo na divisão.

“O Morales foi lá e fez o que tinha que fazer, e eu estou ansioso para ver o que ele vai fazer na categoria. Quando eu perdi para o Belal, todo mundo ficou falando mal de mim e falando mal do Belal também. O Belal acabou virando campeão mundial do UFC. Independentemente do que digam sobre ele, ele ainda foi campeão, e eu acho que o Morales vai seguir uma trajetória parecida”, disse.

“Se o corpo dele, esse ‘big ass’, não subir para o peso-médio, eu gostaria de tentar pegar mais uma chance contra ele um dia. Mas se não for possível, tudo bem: ele é um bom garoto e eu espero que ele tenha sucesso na próxima luta com certeza.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.