Se você gosta de filmes e séries, talvez já tenha ouvido a expressão “That Guy” para descrever uma figura conhecida, que aparece com frequência, mas que nem sempre vem à cabeça pelo nome na hora. No universo do entretenimento, esse tipo de personagem virou até categoria em alguns programas.
No UFC, a lógica é parecida. Tuco Tokkos pode ser visto como o “That Guy” do MMA: presença constante, carismático e frequentemente visto ao lado de parceiros de treino, além de aparecer em fotos e vídeos de preparação de atletas do alto nível. Neste fim de semana, porém, ele deixa de ser apenas o rosto conhecido nos cantos e vai para o centro do octógono, enfrentando Ivan Erslan em Las Vegas.
Tokkos muda visual e mira volta ao caminho das vitórias
- Tokkos diz que errou ao “se atrapalhar na carreira” por causa de um visual antigo ligado ao cabelo.
- Ele afirma que, no momento da pesagem, integrantes da equipe comentaram que ele poderia ser o mais “bonito” do elenco.
- Tokkos brinca que, por causa da aparência, até a entrada no Performance Institute gera dúvida, já que perguntam se é mesmo ele.
O britânico, no entanto, admite que a mudança de aparência chama atenção até fora do esporte. Em entrevista, ele comentou que só percebeu o tamanho do impacto quando chegou aos check-ins, momento em que ouviu comentários da equipe sobre sua aparência. Na mesma fala, ele ironizou que precisaria conversar com Paulo Costa, citando a brincadeira como parte do clima do dia a dia.
Apesar do cabelo longo deixar Tokkos menos reconhecível nesta semana, o foco principal é o desempenho dentro do octógono. Para o duelo contra Erslan, ele entra em um momento diferente: pela primeira vez em sua passagem recente pelo UFC, o atleta chega após uma vitória.
Da derrota inicial à vitória sobre Junior Tafa
- Tokkos perdeu seus dois primeiros compromissos no UFC, diante de Oumar Sy e Navajo Stirling.
- Na última temporada, em Nashville, ele dominou Junior Tafa e buscou a finalização no fim do segundo round.
Tokkos tem 35 anos e começou sua trajetória no UFC com resultados negativos. Em suas duas primeiras lutas, ele foi derrotado por Oumar Sy e por Navajo Stirling, ambos adversários da divisão de meio-pesados. O cenário mudou no verão seguinte, quando ele desembarcou em Nashville e impôs seu jogo contra Junior Tafa.
Naquela ocasião, ele colocou o australiano no chão com frequência, controlando a luta no aspecto físico e de posicionamento até converter o domínio em finalização já no final do segundo round. O resultado, além de render a vitória, trouxe um alívio importante para o atleta após um início conturbado.
Confiança, “impôster” e aprendizado dentro do UFC
- Tokkos descreve a vitória como um grande alívio por reduzir a sensação de “impôster”.
- Ele destaca que enfrentou adversários difíceis e, por isso, entrou na luta com foco e consciência do nível dos rivais.
- Ele diz que, ao encarar o duelo com Junior Tafa, sentiu confiança para sair vencedor.
Tokkos explicou que, ao chegar ao UFC, é comum sentir um tipo de insegurança ou dúvida sobre estar no lugar certo, e que a primeira vitória serve para dissipar parte desse sentimento. Ele reconhece que alguns atletas conseguem superar isso já na estreia, mas reforça que, no caso dele, os confrontos iniciais foram contra nomes difíceis, o que exigiu ainda mais preparo mental.
Quando finalmente recebeu a chance diante de Junior Tafa, ele conta que enxergou a combinação como positiva e decidiu entrar confiante, mantendo em mente que os dois primeiros resultados vieram de adversários complicados. A leitura do momento, segundo ele, tornou mais simples construir a confiança necessária para executar o plano.
Para lidar com a sensação de “impôster”, Tokkos aponta uma estratégia prática: estar no ginásio e treinar constantemente ao lado de atletas do mais alto patamar, em rotinas que aceleram o crescimento técnico e ajudam a medir o próprio nível.
Entre os nomes citados por ele, está Jiří Procházka. Tokkos também mencionou ter passado um tempo na Califórnia para auxiliar Khamzat Chimaev, com treinamento antes do UFC 328. A ideia central é observar como o ritmo, a qualidade e os detalhes do jogo evoluem quando se está sparring com gente do topo.
Ele reforça que, ao treinar e passar tempo com esse tipo de competidor, fica claro onde seu arsenal está no mesmo patamar e onde é possível melhorar mais rápido. Para Tokkos, se ele consegue produzir bons rounds ou se destacar em alguma disciplina específica contra esse nível, a conclusão é direta: ele está evoluindo e tem chance de se firmar no UFC.
Duelo contra Erslan: “diferentes níveis”
- Tokkos afirma que quer voltar a lutar neste fim de semana e provar que está acima do nível de Erslan.
- Ele reconhece a qualidade do rival e seus nocautes, mas sustenta que os feitos não ocorreram no UFC.
- Tokkos diz que foi treinando com adversários melhores e enfrentou atletas mais fortes e agressivos.
Com a confiança recém conquistada pela vitória inicial e o trabalho ao lado de adversários de elite, Tokkos demonstra empolgação para retornar à atividade no octógono. Ele afirma que precisa mostrar que a diferença de nível é real e que a luta será uma oportunidade para colocar isso em prática contra Erslan.
Tokkos diz que respeita o oponente e reconhece que ele tem força e um número relevante de nocautes. Ainda assim, argumenta que esse histórico não aconteceu dentro do UFC, e completa dizendo que já enfrentou gente que bate mais forte e também lutadores maiores do que o rival deste fim de semana.
Ele admite que Erslan pode até acertar e “encostar” na luta em algum momento, mas sustenta que este não seria o cenário em que o adversário conseguiria sucesso. Na visão do britânico, tudo o que ele fez até aqui, incluindo treinos com pessoas melhores e experiências contra adversários mais exigentes, precisa aparecer no resultado do combate.
Por fim, Tokkos resume o pensamento: para ele, tudo se trata do próprio desempenho. A missão deste fim de semana, portanto, é transformar confiança em atuação e confirmar que está em um patamar diferente do de Ivan Erslan em Las Vegas.

