UFC em Winnipeg: placar dos grandes vencedores de Burns vs Malott

Pela primeira vez em mais de oito anos, o UFC voltou ao Canada Life Centre, em Winnipeg, no sábado, para o UFC Fight Night: Burns vs Malott. Com o pó baixando na capital de Manitoba, chegou a hora de revisitar os destaques da noite no placar dos grandes vencedores.

Em resumo: principais vencedores da noite

  • “Captain Canada” encerrou a noite com nocaute técnico no terceiro round sobre Gilbert Burns.
  • Malott ampliou sua sequência de vitórias para quatro e ganhou força para entrar no ranking na atualização da semana.
  • Jourdain venceu Kyler Phillips por decisão unânime e chegou a três triunfos seguidos no peso-pena.
  • Jasudavicius superou Karine Silva por decisão unânime após responder bem a um revés anterior.
  • Barbosa finalizou Dennis Buzukja em apenas 80 segundos com um cruzado de esquerda.
  • Valentin garantiu vitória emocional sobre Julien Leblanc e dedicou o triunfo à mãe, falecida durante o camp anterior.

Quem roubou a cena foi “Captain Canada”. Ele fechou o evento com uma paralisação dominante no terceiro round diante de Gilbert Burns, um resultado que tende a impulsioná-lo diretamente para a lista dos ranqueados quando as atualizações forem feitas nesta semana.

Pressão em casa e virada completa de Malott

Durante a semana, Malott carregou uma pressão silenciosa. A edição foi construída em torno dele e da segunda chance de superar um concorrente experiente do peso-meio-médio depois de ter tropeçado pela primeira vez contra Neil Magny no UFC 297, há cerca de dois anos.

Mesmo com o jeito simpático e grato durante os dias que antecederam o combate, no sábado à noite ele entrou com postura de quem queria resolver. Malott entregou seu desempenho mais completo até aqui: venceu a maior parte das trocas, feriu Burns nos dois primeiros rounds e, quando aumentou o ritmo, conseguiu derrubá-lo duas vezes.

Com a intensidade crescendo, veio o desfecho no terceiro round. A vitória manteve a sequência do canadense em quatro triunfos e ainda abre caminho para algo maior em sua próxima aparição.

O triunfo em solo natal foi o marco que pode projetar o atleta de 34 anos para a disputa mais acirrada de uma divisão de peso-meio-médio bastante disputada.

Jourdain vence e chega a três seguidas

Após duas primeiras aparições no peso-galo com finais elétricos, Jourdain precisou lutar com mais dificuldade para ampliar sua sequência para três. Ele superou Kyler Phillips com decisão unânime.

O estilo de luta continuou com momentos de impacto na trocação, e um joelho voador tardio ajudou a encaminhar a vitória. Ainda assim, Jourdain precisou mostrar maturidade: no primeiro round, trabalhou a partir da parte de baixo e demonstrou excelente capacidade de levantar.

Ele também conseguiu “tirar” as mãos do adversário e encontrar espaço para ter sucesso mesmo quando Phillips era quem iniciava as trocas no clinch e no jogo de grappling. Jourdain não desacelerou e foi essa constância de ações que inclinou o resultado a seu favor.

Uma posição no ranking não é garantida apenas por conta da profundidade da categoria, mas bater Phillips é um feito relevante no currículo de um atleta de 30 anos e deve deixá-lo pronto para um novo degrau de adversários na próxima vez.

Os dois lutadores ainda ganharam a distinção de Luta da Noite, o que deixa Jourdain com três bônus em três combates como peso-galo. Performances como essa tiram o lutador do rótulo de “agitação garantida” e o colocam como alguém com condições reais de causar impacto na divisão daqui para frente.

Antes do evento, ele mencionou que acompanharia de perto o duelo entre Song Yadong e Deiveson Figueiredo. Um confronto com o vencedor parece ser uma combinação obrigatória, independentemente de quem emergisse com a vitória.

Jasudavicius responde após revés e volta a vencer

Quando uma atleta sofre um grande tropeço, a resposta emocional e técnica pode mudar o rumo da carreira. Depois de ter sido superada com contundência em Vancouver no mês de outubro passado por Manon Fiorot, o foco em Winnipeg era entender como Jasudavicius reagiria no confronto contra Karine Silva.

Apesar de momentos difíceis e alguns deslizes que precisam ser ajustados, ela levou a melhor e conquistou uma decisão unânime. A luta seguiu com pressão constante, resiliência e avanço progressivo, com mais danos aplicados por ela nos dois rounds finais para enfim voltar ao caminho das vitórias.

Jasudavicius vinha em trajetória que a colocava perto de uma oportunidade de título antes de encarar Fiorot. Havia, inclusive, a possibilidade de o revés ter virado um obstáculo para que ela avançasse novamente nas colocações. Em vez disso, ela administrou um começo complicado, seguiu seu plano e garantiu um resultado importante diante de uma adversária do Top 10.

Ela lutou de maneira mais defensiva em Winnipeg, saindo de uma derrota, mas a leitura para o próximo compromisso é que agora pode ser hora de “lutar para frente” novamente. Durante a semana, ela chegou a comentar a chance de enfrentar Alexa Grasso.

Um evento principal do Noche UFC em setembro faria bastante sentido com o momento atual da divisão. Seja qual for o próximo nome, Jasudavicius mostrou muita capacidade de recuperação imediata, derrotou uma lutadora perigosa como Silva e se firmou no bloco de cima da categoria, enquanto o Q2 se encaminha para o fim do primeiro mês.

Barbosa estreia com final relâmpago

Entre os 46 atletas que conquistaram contrato em uma temporada do Dana White’s Contender Series, destacar-se costuma ser difícil. Isso só fica fácil quando o lutador entra e entrega algo como Baisangur Susurkaev, que já estreou rapidamente no UFC 319, ou como Josh Hokit, que manteve o protagonismo desde o fim da Temporada 9.

Barbosa foi um dos poucos peso-pena a receber convite para o Octógono no ano passado. E com Jose Delano, Lerryan Douglas e Tommy McMillen apresentando atuações de qualidade em suas primeiras lutas, o peso da expectativa recaiu sobre Barbosa para fazer algo no mesmo nível e se diferenciar dentro de uma turma grande e competitiva.

E ele fez.

Apenas 80 segundos depois do início contra Dennis Buzukja, Barbosa detonou o adversário com um gancho de esquerda na linha do queixo. O golpe interrompeu a luta na hora: Buzukja ficou desacordado assim que foi atingido e caiu com força no chão.

Ele permaneceu por alguns segundos sem reação clara, em estado catatônico, antes de voltar aos poucos e entender o que tinha acontecido. Barbosa mereceu o bônus pelo desempenho e deve, rapidamente, virar aquele tipo de lutador que o público quer ver em seguida, “para ver o que ele vai fazer em mais uma edição”.

O sucesso dos atletas da Temporada 9 segue alto até aqui, e “Ticotô” adicionou mais um capítulo impressionante na noite em Winnipeg.

Vitória de Valentin emociona e rende dedicação

Fora o bom momento dos canadenses no card principal, a vitória mais tocante e carregada de emoção da noite ficou com Valentin ao superar o estreante de origem francesa no UFC, Julien Leblanc, no duelo que virou lembrança de um momento difícil.

Valentin não demorou para encurtar a distância e levar a luta ao chão. Quando os dois acabaram caindo na lona, ele rapidamente passou para a montada, avançou para as costas e travou uma finalização que encerrou o combate.

Assim que a luta foi interrompida, Valentin caiu no choro. Depois, dedicou o resultado à sua mãe, que morreu durante o camp anterior. Em seguida, agradeceu ao treinador Dewey Cooper e também a quem permaneceu ao lado dele, mesmo com um começo difícil no grande palco.

Valentin também é um dos maiores nomes da Temporada 32 do The Ultimate Fighter. Ele chegou à final, mas foi derrotado por Ryan Loder, que o venceu no segundo round. Após cair em decisão dividida para Torrez Finney em abril, ele voltou às atividades no UFC 318, em New Orleans, enfrentando o prospecto em sequência Ateba Gautier, mas acabou sofrendo a terceira derrota consecutiva.

O compromisso em Winnipeg tinha um clima de “momento decisivo” para o suíço no peso-meio-médio, e ele aproveitou tudo do jeito que precisava.

Mesmo com respeito ao atleta derrotado, era impossível não se sensibilizar com a abertura e a vulnerabilidade de Valentin. A sensação no fim foi de alívio por vê-lo finalmente do lado certo do resultado no UFC.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.