UFC garante que vai seguir usando IA na criação de conteúdo, apesar da polêmica

O UFC tem enfrentado reações contrárias do público e de parte do mercado quanto ao uso de inteligência artificial na produção de conteúdo, mas a organização sinalizou que não pretende recuar. A promoção seguirá empregando IA e também outras tecnologias no caminho à frente, ainda que o tema permaneça polarizador em diferentes setores, especialmente quando envolve mídia e esportes. Em entrevista, o criador-chefe de conteúdo do UFC, Craig Borsari, afirmou que enxerga a ferramenta como um meio para ampliar possibilidades na narrativa e na execução, e não como um substituto do processo criativo.

De acordo com Borsari, a utilização de IA pode oferecer aos times de produção recursos que, no passado, não seriam viáveis ou não permitiriam o mesmo nível de eficiência. Ele ressaltou que a visão do UFC é tratar a inteligência artificial como um mecanismo para amplificar o conteúdo, tal como outras técnicas já consolidadas no audiovisual, citando de forma comparativa o uso de chroma key (tela verde). Para ele, o foco é manter o grupo empurrando limites: se a equipe não estiver buscando formas diferentes de contar histórias e inovar na apresentação, corre o risco de estagnar. A intenção, segundo o criador-chefe, é evitar que o trabalho se torne conservador e “seguro demais”, mantendo o UFC na busca por novas abordagens de storytelling.

Após o UFC Seattle, o CEO Dana White também foi provocado sobre a decisão de mergulhar no tema da inteligência artificial e sobre a repercussão negativa entre torcedores. White respondeu com uma mensagem direta ao público, dizendo que a chegada da IA é inevitável e que, se a organização está usando esse tipo de ferramenta, a principal prioridade deveria ser acompanhar as lutas. Em sua fala, o dirigente pediu que as pessoas se calassem e focassem no que importa: assistir aos combates.

Questionado novamente sobre o assunto em meio ao clima de debate e à resistência de parte do público, Borsari reforçou a mesma postura de continuidade. Ele afirmou que o UFC pretende seguir buscando caminhos não apenas para aplicar IA, mas para aproveitar avanços tecnológicos de forma ampla, levando essa evolução tanto para a produção tradicional quanto para a experiência ao vivo dos eventos. O criador-chefe destacou que a promoção ainda está em fase inicial ao lidar com inteligência artificial e que a ideia não é simplesmente inserir comandos e usar automaticamente o material gerado. Para Borsari, o trabalho envolve editores e produtores passando por etapas como correção de cores, usando a tecnologia como uma ferramenta de apoio dentro do fluxo de criação.

Além da IA, ele mencionou o interesse em outras melhorias, especialmente no lado do áudio, com tecnologias novas que passaram a ficar disponíveis. A direção, segundo Borsari, é continuar na linha de frente dessas mudanças, usando inteligência artificial e outros recursos para produzir conteúdo de um jeito que antes não seria possível. Em resumo, a mensagem do UFC é que a inovação tecnológica continuará fazendo parte do processo de criação e de apresentação do produto, mesmo diante das críticas.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.