Alex Pereira chegou a considerar uma mudança para o peso-pesado antes mesmo da disputa do cinturão interino contra Ciryl Gane no card do UFC White House, mas a sensação era de que o momento ainda não tinha “encaixado”. Agora, com a transição se concretizando exatamente na fase em que ele tenta virar o primeiro campeão de três divisões na história da organização, o timing parece ter sido perfeito.
Após conquistar cinturões no peso-leve-heaviyweight e no médio, o brasileiro vinha sinalizando interesse em atuar no peso-pesado. A movimentação, inclusive, já era discutida desde janeiro, quando o UFC voltou a ganhar força com a estreia na programação do Paramount. Com o campeão do peso-pesado, Tom Aspinall, fora de ação por conta de uma lesão no olho, a promoção ficou pressionada a definir um novo caminho — e o plano acabou passando por entregar um título interino envolvendo Pereira na luta contra Gane.
Em entrevista ao Paramount, Pereira comentou a janela de tempo para a mudança de categoria: “Eu acho que o momento certo é agora. Em alguns momentos antes eu até pensei, mas eu não lembro exatamente quando daria para subir sem parecer forçado. Não agora. Agora está acontecendo de forma bem natural, numa luta perfeita”.
O lutador ainda reforçou que a disputa no peso-pesado tinha tudo para ocorrer mais cedo no calendário, mas por motivos diversos acabou sendo adiada: “Essa luta era para acontecer antes, no primeiro evento do ano. Por algumas razões não aconteceu e agora isso virou um grande momento”.
A transição para o peso-pesado
Quando Pereira começou a colocar mais massa no preparo, ele não apenas atingiu o peso-pesado como chegou a ficar muito perto do limite da divisão, com quase 265 libras. Já se aproximando do fim do camp, o ex-campeão de duas categorias encontrou o “ponto ideal” para encarar Gane no dia 14 de junho.
Sobre quanto pretende pesar na pesagem do dia da luta, Pereira indicou um número específico: “Por volta de 242 libras. Não tão pesado. Antes eu chegava a ficar mais alto. Eu subi até 258 libras e, a partir daí, fui cortando aos poucos”.
Em uma revelação curiosa, o brasileiro explicou que o peso esperado para o card do UFC White House é praticamente o patamar em que ele costuma iniciar o corte para chegar ao limite do peso-leve-heaviyweight. Segundo ele, o caminho já parecia conhecido no corpo: “Eu estava em 242 libras, depois eu desci para 205 libras. Agora fazer as contas fica difícil”.
Apesar de nunca ter perdido o limite e de, em geral, raramente precisar sequer do adicional de 1 libra concedido para lutas que não são disputas de título, Pereira admitiu que o processo de corte cobrava um preço real do organismo. Com a chegada ao peso-pesado, a preocupação diminui e a preparação passa a girar em torno do que importa diretamente para a luta, sem a batalha paralela contra a balança.
Sem o peso como adversário
Agora no peso-pesado, Pereira disse estar mais confortável e com o foco totalmente direcionado para se preparar para Ciryl Gane, em vez de lidar com uma possível briga com a balança. “Isso me ajuda muito por causa da minha dieta. Eu não tenho mais essa preocupação”, afirmou.
Ele detalhou que, quando competia no peso-médio, o processo era bem mais complexo: “Cerca de um mês antes da luta eu tinha que cortar pesado na alimentação. Às vezes até parecia que eu ficava um pouco mais fraco. O corte era bem agressivo. Agora eu não tenho mais essa preocupação e, para mim, isso é muito importante”.

