Anthony Joshua está perto de encerrar um ciclo praticamente completo na carreira do boxe — mas a pergunta agora é se ele vai buscar um novo desafio dentro do MMA. Apelidado de “Bronze Bomber”, o inglês já teve experiência em um crossover de esportes de combate ao enfrentar Francis Ngannou em seu segundo compromisso no boxe, em duelo que aconteceu após o ex-campeão peso-pesado do UFC. Na ocasião, Joshua venceu com nocaute brutal: Ngannou não resistiu além de dois rounds, sofrendo uma derrota decisiva em março de 2024.
O que fez Joshua pensar em cruzar para o MMA
Depois de conquistar uma vitória contra o influencer Jake Paul, Joshua voltou a ser tema de conversa no mundo das lutas ao levantar a possibilidade de migrar para o MMA. Em entrevista no podcast do Mr Verzace, o lutador explicou a ideia como um movimento “de mão dupla” entre modalidades, insinuando que o esporte de origem dele tem sido cada vez mais procurado por nomes de outras áreas.
“Acredite em mim: eu estava pensando por que eu não dar um passo para o lado deles, já que eles continuam chegando ao nosso território”, declarou Joshua. Ele ainda ressaltou que o cenário atual é grande negócio e que não se trata de amadores, e sim de atletas experientes: “Obviamente, isso é um grande negócio. É boxe pesado, é boxe no topo, com os melhores do seu estilo. No MMA e no kickboxing, não são amadores — são lutadores com vivência real.”
Joshua também deixou aberta a possibilidade de que o movimento não seja necessariamente para o MMA, mas sim para outras modalidades de combate, como o kickboxing. A referência faz sentido diante do que vem acontecendo no cenário internacional, onde atletas têm testado novos rumos diante de públicos cada vez mais conectados.
O paralelo com Rico Verhoeven e Oleksandr Usyk em 2026
Um exemplo recente de crossover que pode servir de termômetro para o interesse de Joshua é o confronto entre o veterano do kickboxing Rico Verhoeven e o exímio pugilista Oleksandr Usyk. A luta, apontada como uma das mais marcantes de 2026, colocaria Verhoeven para medir forças com o que há de melhor no boxe, em um teste de alto nível e com enorme carga de expectativa.
De acordo com o contexto citado na narrativa, Verhoeven levou a disputa ao limite: foram 10 rounds de intensidade máxima, mas ele acabou saindo derrotado em uma decisão controversa de TKO nos segundos finais do round 11. O resultado reforça que cruzar fronteiras entre modalidades pode render tanto impacto quanto risco — e, ao mesmo tempo, chama atenção para o que estaria em jogo para quem tenta repetir o caminho.
Dinheiro, nomes e a “próxima onda” do crossover
Apesar de o cenário do boxe e do kickboxing oferecer cifras enormes aos seus protagonistas, a expectativa é que a compensação no MMA não siga o mesmo padrão para cruzamentos semelhantes. Ainda assim, Joshua acredita que números podem convergir de forma “sensata” quando há o oponente certo e o contexto correto.
“Então, mesmo que a gente fale em Anthony Joshua, em terceira pessoa, atravessando para o MMA, não seria tão grande quanto eles vindo para o boxe”, disse ele. “Boxe é o ponto mais alto do esporte de combate.”
Na sequência, Joshua foi direto sobre o tipo de adversário que considera ideal para um possível passo adiante: “100% [eu gostaria de um nome].” Para ele, isso reforça o caráter comercial do movimento: “Aí significa que vira grande negócio. MMA, kickboxing ou boxe. Dá para fazer. Eu acho que deveria ser feito. Eu penso que essa vai ser a próxima coisa que a gente quer ver.”
Casos anteriores no UFC: Holly Holm e James Toney
Joshua também citou indiretamente o histórico de atletas do boxe que tentaram o caminho do UFC. Dois exemplos marcantes são Holly Holm e James Toney, que chegaram ao octógono com credenciais gigantes do boxe.
Holm teve uma trajetória positiva e sem ressalvas na carreira no MMA. Ela derrubou a então invicta Ronda Rousey, conquistando o cinturão dos pesos galos do UFC, e ainda disputou outras lutas por títulos ao longo do período em que permaneceu no topo da categoria.
Já Toney não teve a mesma sorte. O ex-campeão do boxe assinou para enfrentar a lenda Randy Couture e, como era de se esperar, o duelo rapidamente tomou outro rumo: Toney foi levado para baixo e, depois, acabou finalizado. O caso virou um alerta sobre o desafio de lidar com o jogo completo do MMA — principalmente quando o adversário consegue impor a luta no chão.
Mesmo lembrando do “estudo de caso” envolvendo James, Joshua não trata o passado como um bloqueio. Pelo contrário: ele enxerga o movimento como uma disputa de territórios entre modalidades e sugere que pode haver um “primeiro” a fazer o crossover no sentido inverso, algo que ainda não se consolidou de forma definitiva.
“Teve um estudo de caso em que alguém como James cruzou para o outro lado”, comentou Joshua. “Existiu, sim. Mas eu estava pensando nisso: esses caras continuam vindo para o nosso território. Vai ser interessante ver quem vai ser o primeiro a cruzar para o território deles.”
O que esperar da conversa sobre Joshua no MMA
Com o histórico de Joshua no mundo do boxe e a disposição demonstrada para explorar fronteiras, a conversa ganha força não apenas pelo impacto esportivo, mas também pelo peso do espetáculo. Afinal, trata-se de um atleta que já enfrentou um ex-campeão do UFC no ringue e que, agora, considera transformar essa curiosidade em um desafio ainda maior — seja no MMA, seja em outra modalidade de combate.
No fim das contas, a ideia que fica é a mesma: ver Joshua tentando se adaptar ao conjunto completo do MMA. E, como a própria discussão sugere, o próximo capítulo pode depender de um nome grande, de um contexto de luta “no ponto” e de uma rota que faça sentido tanto no esporte quanto no mercado.

