Bryce Mitchell critica evento “Freedom 250” e diz que governo deve proteger

LAS VEGAS — Bryce Mitchell não gostou da ideia de o UFC promover o “Freedom 250”. O lutador, que vive a expectativa de voltar ao octógono neste sábado, criticou o formato do evento ligado ao governo dos Estados Unidos.

A edição marcada para 14 de junho acontece no aniversário do presidente americano Donald Trump, na South Lawn da Casa Branca, em Washington, D.C.

O que Mitchell disse sobre o “Freedom 250”

  • Mitchell afirmou que não é surpreendido com a polêmica envolvendo o evento
  • Ele defendeu o direito de criticar nações estrangeiras e também o próprio país
  • Mitchell disse que sua discordância não é com o UFC, e sim com o governo
  • O lutador declarou que não tem inveja de outros atletas escalados
  • Ele criticou a ideia de o governo “entreter” com eventos esportivos

Campeão dos meio-médios do UFC, Sean Strickland afirmou ter sido impedido de participar do encontro após criticar Israel — e Mitchell disse entender a discussão, mas não concordar com a limitação a manifestações.

Durante o media day de quarta-feira, Mitchell (cartel de 18-3 no MMA e 9-3 no UFC) afirmou que liberdade de expressão é o que faz o país ser “realmente” grande, destacando que não deveria haver proibição de críticas a uma nação estrangeira. Ele completou dizendo que, na prática, haveria um tipo de alvo que não poderia ser criticado, e sugeriu que mudanças viriam com o tempo.

Mitchell também usou uma referência cultural para sustentar seu ponto, mencionando que “impérios do mal não duram para sempre” e que sempre existe revolta. A fala veio acompanhada de uma comparação com o universo de “Star Wars”, como forma de ilustrar a ideia de queda de figuras de poder.

Foco na luta: Mitchell x Santiago Luna

Mitchell esclareceu que o problema dele não é com o UFC no contexto do evento na Casa Branca, mas com a postura do governo. No fim de semana, ele enfrenta Santiago Luna (8-0 no MMA, 2-0 no UFC) no card principal do UFC Fight Night 278, evento de 14 de junho transmitido pelo Paramount+, na unidade Meta APEX.

Ao detalhar sua posição, ele disse que não está com ciúmes de nenhum dos atletas envolvidos. Mitchell afirmou que está feliz pelo card e que, se precisassem dele para substituir alguém, ele estaria disponível caso estivesse saudável.

Para o lutador, o planejamento do UFC seria positivo e, do ponto de vista do evento esportivo, ele considerou “o cenário perfeito”. Porém, quando o tema passa para a esfera política, Mitchell afirmou que se dedica ao estudo de economia e gosta de acompanhar política, mas ressaltou que a questão não é do negócio do UFC.

Na visão dele, o governo estaria “desfigurando” seu papel na sociedade ao promover entretenimento esportivo. Mitchell argumentou que a função seria proteger e servir o público, defendendo que a atuação estatal deveria ser a mínima possível.

Ele acrescentou que, ao sediar eventos desse tipo, o governo se afasta do objetivo original, já que recursos e dinheiro de impostos estariam financiando a operação. Mesmo dizendo que não critica o UFC e que admira nomes como Dana White, Hunter Campbell, Sean Shelby e Mick Maynard, Mitchell reforçou que, para ele, o governo não deveria organizar competições esportivas.

Mitchell fechou a linha de raciocínio dizendo que eventos desse tipo abririam mais espaço para corrupção e que o país já enfrenta um cenário político contaminado. Para o brasileiro, a orientação do governo deveria ser proteger as pessoas, e não “entreter” com lutas.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.