Alex Pereira mira lugar na história do UFC diante de grandes nomes

A lista de adversários para preencher três categorias de peso diferentes no UFC não é extensa, mas reúne nomes bem conhecidos do público. Entre eles estão Conor McGregor, Frankie Edgar e Kenny Florian, ao lado de atletas como Jared Cannonier, o falecido Anthony “Rumble” Johnson e o brasileiro Lucas Martins. No centro dessa conversa, porém, está Alex Pereira: o fenômeno tenta conquistar um cinturão pela terceira divisão de peso no próximo mês, no UFC Freedom 250, um feito que, mesmo apenas por estar tentando, já diz muito sobre a relevância do “Poatan” no cenário do MMA.

Pereira integra um grupo seleto de 11 lutadores que venceram títulos em duas divisões distintas no UFC. Com isso, ele pode se tornar apenas o segundo “Double Champ” depois de McGregor a obter vitórias dentro do Octógono em três categorias. A comparação, contudo, encontra diferenças importantes: enquanto McGregor conquistou duas vezes o cinturão em peso-meio-médio, superando Nathan Diaz e Donald “Cowboy” Cerrone, Pereira agora vai entrar em cena diante de Ciryl Gane — ex-campeão interino e desafiante por cinturões em três oportunidades na divisão pesada, com a disputa interina em jogo.

O simples fato de Pereira buscar esse caminho já coloca o capítulo seguinte da carreira dele como algo histórico. E isso se soma ao que já foi, até aqui, uma jornada lendária no UFC.

Antecedentes

A trajetória de Alex Pereira no kickboxing e o histórico de confrontos envolvendo o então campeão dos meio-médios Israel Adesanya fizeram dele um alvo imediato quando ele assinou com o UFC. A estreia aconteceu no UFC 268, contra Andreas Michailidis. Naquela noite, porém, o brasileiro ainda era um lutador de cartel com 3 vitórias e 1 derrota no MMA (3-1) e já tinha 34 anos, o que tornava ainda mais chamativa a ousadia do momento.

O “Poatan” cresceu no confronto ao longo do primeiro round e passou a se sentir mais confortável antes de, segundos após a metade do combate, acertar um golpe voador com o joelho que deu início definitivo à sequência de finalização. Foi um desfecho de impacto, dentro de uma estreia forte — ainda que não totalmente surpreendente — que deixou claro que aquele brasileiro de expressão firme estava sendo preparado para buscar, com insistência, um duelo contra Adesanya.

Antes de Sean Strickland se tornar um campeão de peso-meio-médio em duas ocasiões, ele era uma presença constante no Top 10. Depois de emendar cinco triunfos seguidos após retornar de uma pausa de dois anos, Strickland cruzou o caminho de Pereira durante a semana de lutas internacional, em um confronto que funcionou como uma espécie de eliminatória pelo título. Apesar de muitos esperarem que Strickland tentasse derrubar cedo, ele escolheu trocar em pé nos primeiros minutos do primeiro round e pagou caro.

Strickland sofreu com ganchos castigadores e golpes de curta distância que acertaram com força até o momento em que o atleta caiu na lona, se acumulando em desvantagem. Depois de atravessar adversidades anteriores no mesmo card, “Poatan” deu um passo enorme contra um nome de nível alto, venceu com autoridade e colocou o confronto com Adesanya como próximo objetivo.

Um ano e seis dias depois de estrear na promoção, Pereira voltou a entrar em cena para desafiar Adesanya pelo cinturão dos médios no evento principal do retorno anual do UFC ao Madison Square Garden.

Nos quatro primeiros rounds, o campeão se comportou de maneira extremamente competente: conseguiu evitar a força do brasileiro, encaixou golpes em grande volume e mostrou o nível de execução que o transformou em um dominador da divisão. Adesanya começou o quinto round com vantagem por 3 a 1 nas três tabelas oficiais, e o corner de Pereira entendeu que a missão exigia uma finalização.

Foi então que Glover Teixeira, ex-campeão em outra categoria, orientou Pereira a buscar o fim da luta. Dois minutos e um segundo mais tarde, o combate chegou ao fim, e Pereira celebrou como campeão. Mesmo com críticas ao encerramento, o ataque do desafiante era inegável, e o brasileiro deixou o Octógono com o cinturão no ombro.

Cinco meses depois da vitória sobre Adesanya, que o colocou como campeão dos médios, “The Last Stylebender” devolveu a resposta no UFC 287, em Miami. Dessa vez, foi Adesanya quem nocauteou Pereira para recuperar o trono — e o resultado fez com que o brasileiro subisse para os pesos-pesados da divisão.

Em 205 libras, a divisão parecia mais natural para Pereira. Ainda que ele continuasse grande para a categoria, surgiam dúvidas sobre como a potência seria traduzida e como ele se comportaria frente a adversários maiores, que tentariam tirá-lo do eixo. No coevento do UFC 291, em Salt Lake City, contra o ex-campeão Jan Blachowicz, Pereira venceu em uma decisão dividida, de maneira muito disputada, para o veterano polonês.

Apesar de não ter sido a atuação avassaladora que muitos esperavam, Blachowicz era ex-campeão, brigou pelo título apenas sete meses antes e vinha de um histórico recente em que tinha sido derrotado apenas por Teixeira e Thiago Santos nos últimos sete anos. O triunfo reforçou que Pereira conseguia competir com a elite da divisão e o colocou em posição para tentar algo ainda mais especial poucos meses depois.

Quase um ano após conquistar o título dos médios no Madison Square Garden, Pereira voltou para mais um desafio, agora pela terceira temporada seguida de confronto contra Jiří Procházka. A luta foi pelo cinturão vago dos pesos-pesados.

Procházka venceu o primeiro round nas três tabelas oficiais, mantendo distância e evitando os grandes golpes que poderiam mudar o cenário a seu favor. Ainda assim, como costuma acontecer com “Poatan”, bastou uma oportunidade. No final do segundo round, Pereira encontrou o momento decisivo: um gancho de esquerda derrubou Procházka e o atleta tentou encaminhar a luta para uma tentativa de queda como forma de buscar segurança. Foi quando Pereira inundou o adversário com uma enxurrada de cotoveladas, atingindo a região lateral da cabeça. O desgaste fez Procházka ceder, e o árbitro Marc Goddard interrompeu a luta.

Um pouco mais de dois anos após a estreia no UFC, e com apenas um dia a menos de um ano desde a conquista do título dos médios, Pereira entrou para a lista de nove lutadores que venceram cinturões em duas divisões diferentes.

Sete meses antes desse evento, Pereira perdeu o cinturão dos pesos-pesados do UFC para Magomed Ankalaev em um duelo de cinco rounds no UFC 313. O russo venceu com varredura nas tabelas e, após o combate, o campeão apontou que uma lesão não divulgada limitou severamente seu desempenho. No revanchismo, porém, Pereira não demorou para provar que aquela derrota havia sido uma exceção.

Logo no início, o brasileiro acelerou, correu pelo espaço e passou a pressionar Ankalaev, empurrando o adversário para trás e controlando o ritmo e a forma como a luta seria conduzida. O primeiro direto de direita acima da cabeça acertou com força e fez o campeão entrar em pânico para buscar a luta agarrada — tentativa que Pereira neutralizou com facilidade, impedindo o plano de clinch.

Com Ankalaev no chão, Pereira o colocou em desvantagem e despejou golpes pesados de martelo e cotoveladas, até chegar ao encerramento do confronto.

Em menos de quatro anos, Pereira virou campeão em duas categorias, acumulou três reinados e somou três defesas bem-sucedidas no total. Agora, a mira dele é ampliar ainda mais um currículo já impressionante, enfrentando um desafio que ninguém havia tentado de forma semelhante.

Outros lutadores já passaram por três classes de peso, mas Anthony “Rumble” Johnson foi o único a disputar o cinturão ao subir para uma terceira categoria no UFC — começando como peso-meio-médio e, depois, tentando a glória em pesos-pesados, com duas lutas contra Daniel Cormier. Pereira, por outro lado, segue uma trajetória mais singular: do médio ao pesado, ele mantém um tamanho e uma estrutura capazes de acompanhar a escalada, e mesmo atuando como peso-pesado, ainda assim aparece grande. Até aqui, contra Gane, ele tem sido competitivo e não parece deslocado dentro da divisão.

A luta

Ciryl Gane representa o teste mais exigente: um atleta completo, com as únicas derrotas chegando para Francis Ngannou e Jon Jones, e que oferece velocidade, bom jogo de pés e um arsenal de trocação variado. Além disso, Gane está acostumado com a categoria, entende como administrar energia, convive com o ritmo de grandes pesos e lida naturalmente com adversários do mesmo porte — coisas que, desta vez, serão novidades para Pereira.

Mesmo assim, se existe alguém capaz de realizar o feito de vencer um cinturão do UFC em uma terceira divisão de peso, esse alguém é o brasileiro estoico, que já superou expectativas e entregou apresentações marcantes ao longo da carreira.

O pós-luta

Como a matéria fonte descreve o contexto e o histórico que antecedem o duelo, não há informações do que ocorreu após a luta (sem resultado, rounds, métodos de finalização ou declarações posteriores). A expectativa fica, portanto, concentrada no que esse confronto pode representar para a continuidade da campanha de Alex Pereira no UFC Freedom 250.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.