Após 9 anos, Winnipeg volta ao Octógono: Malott encara Gilbert Burns em abril

Quase nove anos se passaram desde a última vez que o Octógono esteve em Winnipeg. Mesmo assim, a cidade de Manitoba segue sendo cenário de grandes capítulos do MMA canadense — e o destaque do dia 18 de abril coloca o canadense Mike Malott no papel principal, enfrentando o brasileiro naturalizado? não, “Gilbert Burns”, ex-desafiador de cinturão, em luta que reacende o interesse por um evento que marcou época: o “Gateway to the West”.

O que o UFC em Winnipeg significou na época: batalhas com impacto imediato

Naquele card de dezembro de 2017, o peso do momento era evidente. Com Tyron Woodley no topo do ranking, ostentando três defesas bem-sucedidas de título, dois veteranos experientes queriam deixar claro que pertenciam ao grupo de adversários que viriam em seguida. Robbie Lawler, que havia retomado o cinturão após vencer Woodley cerca de dois anos antes, buscava reencontrar o caminho das vitórias naquele mesmo evento.

Lawler até reagiu com uma vitória sobre Donald “Cowboy” Cerrone na mesma noite em que Woodley travou Demian Maia. Porém, o enredo ganhou um componente decisivo: o lutador acabou sofrendo uma lesão no ombro, o que abriu espaço para a possibilidade de uma disputa interina durante o período de recuperação.

Do outro lado, Rafael dos Anjos tentava transformar a campanha de retomada em uma declaração definitiva. Depois de derrotas seguidas para Eddie Alvarez e Tony Ferguson, ele subiu de categoria para os meio-médios e encontrou um novo ritmo: em apenas três meses, venceu Tarec Saffiedine e Neil Magny, em sequência. Uma vitória no main event contra Lawler poderia consolidá-lo como uma força de alto nível, com ambição clara de entrar no seleto grupo de atletas que conquistaram cinturões em mais de uma divisão.

O main event: dos Anjos controlou o jogo e colocou Lawler em um novo caminho

Quando finalmente os dois se enfrentaram em Winnipeg, a leitura do combate foi dominada por Rafael dos Anjos. “RDA” impôs um plano de ataque completo durante a luta, mirando as pernas e o tronco de Lawler com chutes e, em momentos-chave, misturando a transição para o grappling para neutralizar o estilo agressivo e constante de “Ruthless”.

No fim, dos Anjos levou a melhor de forma ampla: acertou mais e conseguiu controlar a luta no chão também, fechando o confronto com placar de varredura em todas as avaliações dos jurados.

Após o resultado, Rafael dos Anjos seguiu para encarar Colby Covington pelo título interino, mas acabou derrotado por decisão. Já Robbie Lawler teve outro capítulo mais duro: sofreu uma lesão no ligamento do joelho (ACL) e ficou fora de ação até 2019.

Repercussão de outros combates que ajudaram a definir o futuro do card

Enquanto o main event ganhava proporções históricas, outros confrontos também tinham relevância para o rumo das categorias.

Josh Emmett chegou ao combate contra Ricardo Lamas com um retrospecto de 3-1, mas ainda não era visto como alguém que tivesse “provado” de forma definitiva o nível necessário. O duelo contra um ex-desafiador do cinturão nos penas servia como degrau de competição. E havia um ingrediente a mais: Emmett vinha embalado por vitórias seguidas, finalizando Charles Oliveira e Jason Knight em lutas consecutivas.

Dentro do octógono, Lamas era tratado como favorito por ser mais experiente, mas Emmett entregou uma amostra do que o tornaria candidato de verdade na divisão dos penas. Ele conectou um gancho de esquerda limpo que apagou Lamas nos instantes finais do primeiro round. A finalização foi a primeira vitória por nocaute na carreira do atleta no UFC — e, ainda assim, não seria a última.

O desempenho ficou apenas “manchado” por um detalhe: Emmett não bateu o limite da categoria no momento da pesagem. Ainda assim, esse foi o único tropeço na balança durante sua passagem pela organização.

Malott x Burns em 2026: por que esse resgate de Winnipeg importa para ranqueamento e próximos passos

O evento de 2017 em Winnipeg funciona como um retrato do tipo de confronto que coloca atletas no radar das disputas maiores. No mesmo card em que dos Anjos dominou Lawler, Emmett mostrou força para transformar a trajetória no peso, e outros nomes aproveitaram a vitrine para abrir caminhos. Essa lógica ajuda a entender o que está em jogo agora, com o confronto de Mike Malott diante de Gilbert Burns em 18 de abril.

Burns chega como ex-desafiador de cinturão e, por isso, uma vitória tende a recolocá-lo em rota direta contra os principais nomes do topo. Já Malott, ao atuar novamente em Winnipeg, carrega o peso de um “teste” contra um adversário de alto nível técnico e com histórico de lutas decisivas. Na prática, a luta pode funcionar como divisor: para Burns, reforço de posição e continuidade rumo às disputas; para Malott, chance real de encostar em um patamar acima no ranqueamento.

  • Ponto de ranqueamento: vitórias contra nomes com histórico de disputar título costumam reposicionar atletas rapidamente no recorte de topo da divisão.
  • Ponto de cinturão: para um ex-desafiador como Burns, o caminho pós-vitória normalmente passa por confrontos que definem o próximo candidato.
  • Próximo passo provável: o vencedor tende a entrar em conversas de lutas de topo, enquanto o derrotado fica mais distante das disputas imediatas.

O restante do card: Ponzinibbio, vitórias por nocaute e “Fight of the Night” com finalização

Além dos duelos que puxaram o foco, o “Gateway to the West” também teve momentos que mudaram trajetórias. Santiago Ponzinibbio, da Argentina, entrou no confronto contra “Platinum” Mike Perry em alta. Depois de começar com cartel de 2-2 dentro do octógono, o atleta emplacou uma sequência de cinco vitórias seguidas e ainda foi o único a finalizar Gunnar Nelson cinco meses antes.

No encontro com Perry, Ponzinibbio encarou um degrau maior de exigência. Na época, Perry tinha retrospecto de 4-1 e acumulava quatro nocautes devastadores. Mesmo assim, Ponzinibbio levou o combate às avaliações e saiu com a vitória por decisão unânime, estendendo a sequência para seis triunfos e abrindo caminho para uma oportunidade de main event no país natal em 2018.

O card também contou com três apresentações que renderam bônus de performance. Nordine Taleb e Alessio Di Chirico receberam premiação por suas vitórias com nocaute. Já Julian Marquez e Darren Steward faturaram o prêmio de luta da noite.

No confronto que valeu o “Fight of the Night”, Julian Marquez finalizou “The Dentist” em sua estreia no UFC ao aplicar uma finalização do tipo guilhotina, garantindo a vitória por submissão.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.