Belal Muhammad chega ao seu compromisso de retorno em 2026 com a missão de reafirmar o próprio lugar na divisão dos meio-médios. O veterano, que terminou 2025 sem o brilho de antes — após perder o cinturão e em seguida cair novamente nas decisões — aposta em ajustes pontuais no camp e em uma abordagem mais “inteligente” de preparação para, no sábado, enfrentar Gabriel Bonfim no card em Las Vegas.
O que aconteceu com Belal em 2025 e por que isso muda o patamar do confronto
Profissionalmente, 2025 não foi um bom ano para Belal Muhammad. Ele iniciou a temporada como campeão dos meio-médios do UFC, mas acabou perdendo o título para Jack Della Maddalena em um confronto disputado e competitivo no UFC 315, realizado em Montreal, em maio. Seis meses depois, já fora da condição de campeão, voltou a sentir o peso das urnas: sofreu uma derrota para Ian Machado Garry, em uma luta realizada no Qatar, e dessa vez ficou do lado errado das avaliações dos juízes.
Com esses dois revezes na sequência, Belal viveu um marco negativo raro na carreira: pela primeira vez, perdeu dois combates seguidos e, com isso, acabou estacionando na quinta posição do ranking da categoria.
- Início de 2025: campeão dos meio-médios.
- Maio (UFC 315, Montreal): perdeu o cinturão para Jack Della Maddalena.
- Seis meses depois: derrota para Ian Machado Garry, em Qatar, decidida pelos jurados.
- Consequência: primeira sequência de duas derrotas na carreira e queda para o posto #5 na divisão.
Apesar do tom de alerta que esse cenário poderia trazer, a leitura do próprio Belal sobre o período é menos “apocalíptica” e mais de perspectiva. Questionado sobre as dificuldades do ano passado antes do retorno em 2026, ele destacou que, no fim das contas, 2025 ainda foi um dos melhores períodos da vida — não apenas pelo esporte, mas pelas conquistas pessoais.
Retorno em 2026: ajustes no camp, trabalho com Mike Valle e foco em crescer sem “virar a chave”
Belal não tratou a sequência de resultados negativos como algo que exigia uma mudança radical. Em vez de “recomeçar do zero”, ele manteve a base de trabalho com Mike Valle e o grupo que construíram na região de Chicago, com a proposta de fazer pequenos ajustes ao redor do que já vinha funcionando — uma estratégia que, segundo ele, se conecta diretamente ao que pretende executar no octógono neste fim de semana.
Ele também explicou que passou a trabalhar com um novo programa de força e condicionamento, em parceria com outro profissional, citando Kyle Bracey como parte importante do processo. A principal mudança, na visão do campeão (ex-campeão) e agora 37 anos de idade, foi reduzir o impulso de “fazer mais e mais” em todos os treinos. Para Belal, o problema antes era o excesso: a tendência de ultrapassar limites em vez de mirar em objetivos específicos, respeitando recuperação e planejamento de carga.
O lutador descreveu que o ajuste foi tornar o trabalho mais criterioso, evitando se “matar” em cada sessão, pensando em recuperação e entendendo que empurrar recuperação é parte do processo — algo que ele, no passado, não valorizava tanto. No camp atual, ele também trouxe Miguel Baeza, que, de acordo com Belal, tem um tipo físico que encaixa bem no trabalho e que serve como referência/treino de alto nível para aumentar a confiança.
Além disso, Belal planeja manter o mesmo espírito de evolução contínua: “pequenas mudanças”, “pequenos movimentos” e uma execução mais eficiente no dia da luta.
Contexto de ranqueamento e cinturão: por que a luta contra Gabriel Bonfim é “toda” o que está em jogo
O duelo deste sábado coloca Belal frente a Gabriel Bonfim em uma luta considerada decisiva no peso de 170 libras. Do lado de Belal está a experiência e o histórico de quem já ocupou o topo e hoje é um nome fixo entre os principais do ranking. Do outro, Bonfim entra como promessa em ascensão e recebe a tarefa mais dura da carreira: a oportunidade de confirmar que está pronto para o nível de contender após ampliar sua sequência para quatro vitórias.
Essa sequência recente de Bonfim inclui uma finalização no segundo round contra Randy Brown, em seu primeiro compromisso como luta principal, realizado no mês de novembro passado.
Belal entende o papel que a luta assume no cenário: ao mesmo tempo em que Bonfim tenta “subir” e provar valor, o veterano não quer ser apenas um degrau. Ele afirmou que não está interessado em apenas “defender sua honra” ou proteger uma posição. A motivação dele, segundo o discurso, é seguir perseguindo o melhor desempenho e a melhor versão possível dentro do octógono, deixando claro que ainda há metas no cartel que ele considera inacabadas.
Em termos de narrativa, esse confronto também funciona como termômetro da divisão. O meio-médio, de acordo com o panorama descrito por Belal, está mais competitivo do que nunca, e a disputa por colocação dentro do Top 15 parece ficar mais acirrada a cada poucas semanas.
- Belal: ex-campeão, agora #5 no ranking após duas derrotas seguidas em 2025.
- Bonfim: em ascensão, vem de sequência de quatro vitórias; no último compromisso como main event, finalizou Randy Brown no segundo round.
- Risco esportivo: a luta influencia diretamente o posicionamento, já que o peso de 170 libras vive forte disputa entre os principais.
Belal reforça que o objetivo não é apenas “conter” o crescimento do rival, mas mostrar que ele segue como força dominante dentro do octógono — algo que ele pretende provar com desempenho. A ideia do lutador é impor um ritmo que o adversário não consiga sustentar, usar pressão para quebrar o melhor do mundo e, ao final, deixar evidente que Bonfim não conseguirá “tomar” o espaço dele.
Parceria de camp e preparação: Brendan Allen, Bonfim no mesmo card e a busca por uma atuação dominante
Outro ponto relevante do fim de semana é o ambiente de preparação em Chicago. Para os últimos compromissos, Brendan Allen — que vem como um contender no peso dos médios — tem aproveitado a viagem para trabalhar com Valle, com Belal e com o grupo do entorno de Chicago. A conexão não é apenas profissional: Belal disse que conhece Allen desde o início da trajetória, quando ambos treinavam sob o comando do falecido Duke Roufus, em Milwaukee, no período regional, antes da escalada ao UFC.
Agora, pela primeira vez na carreira, os dois treinam lado a lado com constância e ainda competem em sequência neste mesmo show, com lutas em dias consecutivos no card. Allen, na programação mencionada, divide o octógono com Edmen Shahbazyan antes, enquanto Belal e Bonfim fazem o confronto decisivo em seguida.
Belal tratou esse momento como especial e emocionalmente positivo: ele descreveu como é acompanhar o crescimento do “irmão” até chegar ao mesmo palco, ressaltando que a semana tem sido de energia boa e vibrações positivas. O lutador ainda mencionou o desejo de que aquela lembrança fique guardada para o futuro, como um marco raro de “estarem no mesmo card” depois de tanto tempo.
Na hora de definir o que seria sucesso, Belal foi direto. Ele quer uma atuação que gere conversa imediata na segunda-feira: algo como “dominar” — com a percepção de que no centro de treinamento de Chicago tanto ele quanto Brendan Allen venceram com autoridade. Para ele, essa é a vitória que importa.
