Belal Muhammad promete “sangrar” Strickland após ataques e confusão no UFC

Belal Muhammad guarda um histórico de atrito com Sean Strickland. A origem da situação remonta ao fim de 2021, quando “Remember the Name” tentou fechar uma luta em cima da hora contra o meio-médio? — não: contra o peso-médio que ele tinha como alvo na época, no UFC 268, em Nova York. Strickland acabou recusando a proposta, mas, mais tarde, chamou Muhammad para viver um encontro “bizarramente” fora do comum no deserto do estado de Nevada.

Agora, cinco anos depois, a dupla ainda não se cruzou em um combate oficial. Mesmo assim, Belal segue com a expectativa de finalmente enfrentar Strickland depois que “Tarzan” usou elementos de fé e de vida familiar para alavancar o evento principal do UFC 328 contra Khamzat Chimaev.

Assim como acontece com Strickland, Muhammad também tem um passado turbulento com Chimaev. Ainda assim, os dois dividem a mesma base religiosa, o que torna o tema ainda mais sensível para o brasileiro? — aqui, o foco é o que Muhammad afirmou, mesmo sem citar nacionalidade, sobre a forma como Strickland abordou a questão.

“Eu não fico animado para ver o Strickland falando”, declarou Muhammad em um vídeo no YouTube. “Porque eu vou dizer isto: mesmo com o palhaço pedindo desculpas, falando ‘me desculpem os meus fãs muçulmanos, eu só estava promovendo uma luta’ — não, não é promover quando você está falando de religião. Ele sempre faz essa encenação, solta umas coisas sem sentido, e depois vem com ‘eu amo esse cara, ele é o melhor’, aquela ladainha. Não. Quando você fala de religião e de família, muda tudo. Eu espero, um dia, poder colocar as mãos nele dentro do octógono, antes que tudo isso termine, e fazer ele sangrar.”

Sean Brady, cotado no peso meio-médio, também demonstrou irritação com a forma como o “desentendimento” foi conduzido. Em entrevista ao The Ariel Helwani Show, Brady afirmou que, se houver qualquer tipo de menção a assuntos pessoais ligados à mãe, aos filhos e à religião, ele não trata como brincadeira.

“Se você fala da minha mãe, dos meus filhos, da minha religião, eu vou lutar com você se eu te encontrar no estacionamento”, disse o contender. “Em qualquer lugar que eu te veja, vai ser tipo Peter Griffin e o galo do Family Guy: eles vivem brigando. Você não pode falar assim de alguém e depois sair fazendo amizade, de boa. Eu não gosto disso. Entendo vender uma luta, mas existem certas coisas que você não pode dizer. Quando você ultrapassa uma linha, não tem volta — é aquele tipo de treta no estilo Conor contra Khabib.”

Brady ainda comentou o desfecho da luta entre Strickland e Chimaev, lembrando que o duelo terminou com o americano vencendo o russo por decisão dividida controversa. “Existem linhas que você não deve atravessar, e quando atravessa, tem consequências”, reforçou o meio-médio. “Eu sou fã do Khamzat e do Strickland, mas quando eles começaram a dar aquela ‘tapinha’ um no outro no octógono, aquele clima todo, com toda a segurança e o tanto de provocação antes… eu pensei: ‘vocês fizeram tudo isso por quê?’ Foi uma boa luta, mas não era exatamente o que a gente imaginava. Eu fiquei um pouco decepcionado. E eu nem sou fã desse tipo de conversa paralela. As pessoas iam assistir a esse confronto mesmo sem isso.”

Na sequência, Brady completou a crítica, deixando claro que, para ele, a postura precisa ser consistente do começo ao fim. “Se você vai falar tudo isso, então tem que manter a mesma energia para sempre”, concluiu.

Com o rastro de polêmica e a sensação de que a história ainda não terminou, existe a possibilidade de que Sean Strickland e Khamzat Chimaev reacessem o clima ruim em uma revanche — um caminho que, para muitos, pode ser o mais inevitável.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.