Curtis Blaydes admitiu que recebeu muito carinho e elogios após o que foi, para muitos, um possível “Luta do Ano” contra Josh Hokit no UFC 327. Ainda assim, o peso-pesado norte-americano não conseguiu deixar de pensar que deveria ter deixado Miami com uma vitória. No duelo principal, Blaydes e Hokit fizeram um vai e vem intenso durante três rounds, trocando mais de 390 golpes somados. Quando a arbitragem anunciou o veredito, porém, Hokit levou a melhor por decisão unânime, com placar de 29-28 em todos os cartões, e Blaydes reconheceu que ficou frustrado.
Blaydes acredita que venceu e aponta lances de clinch
Mesmo satisfeito com o nível do confronto e com o reconhecimento pelo espetáculo, Blaydes foi direto ao afirmar que sente que foi o vencedor da noite. Ele declarou que enxergou o primeiro round como seu, apesar de ter sido atingido e abalado por Hokit em determinado momento, e lembrou que conseguiu responder com dano no fim da parcial e ainda levou a luta ao chão com uma queda. No segundo round, Blaydes disse que Hokit conduziu melhor as trocas, com combinações mais efetivas, enquanto ele trabalhava mais com golpes pontuais. Ainda assim, ele concedeu a parcial ao adversário, mas sustentou que voltou a crescer no terceiro capítulo.
Na visão do lutador, o terceiro round também deveria ter ficado com ele, já que, além de buscar a mesma agressividade à frente, Blaydes afirmou que conectou mais golpes, especialmente na curta distância. O peso-pesado ainda criticou a forma como, em sua percepção, o clinch foi computado pelos juízes. Segundo ele, foi justamente nesses momentos de amarração e trocação junto à grade que a diferença teria aparecido, com Blaydes dizendo que venceu cada uma das disputas de clinch que se repetiram ao longo do combate.
Blaydes também comentou a leitura geral do combate e como a estratégia interferiu na pontuação. Ele disse que tentou chutes em alguns momentos, enquanto Hokit teria ficado mais quieto nessa linha, e que tentou levar o adversário para o wrestling. Para o lutador, a dúvida é como a agressividade e as tentativas de queda são avaliadas, mesmo quando nem sempre resultam em sucesso claro no controle. Ainda assim, ele reforçou que acredita ter sido melhor nos rounds 1 e 3, e que pretende rever a luta para ter uma conclusão ainda mais precisa após analisar os detalhes com calma.
Recado mental: ele diz que não aceitou ser finalizado
Além de achar que saiu com desempenho suficiente para vencer, Blaydes também ponderou os próprios erros do combate, especialmente nos momentos em que foi atingido e chegou a ficar cambaleante. Ainda assim, ele fez questão de destacar um ponto central: na sua avaliação, ele resistiu com firmeza e não pensou em aceitar uma finalização. O lutador afirmou que havia muitas questões técnicas que ele não executou do jeito ideal, mas que, em termos de vontade e resistência, ele permaneceu no combate mesmo quando foi colocado em risco por diversas vezes.
Blaydes relatou que ouviu comentários de que a situação “fazia sentido” e, mesmo assim, ele seguiu ali por pura determinação. Na leitura dele, a ideia era não permitir que Hokit conseguisse finalizar a luta, principalmente por causa do contexto emocional que envolvia o confronto. Ele ainda mencionou que o adversário vinha sendo desrespeitoso durante a semana e que, em vários momentos, pensou que não poderia deixar aquilo virar uma história de domínio sobre ele. Blaydes resumiu que, no fim das contas, o fato de Hokit já ter uma vitória sobre ele é o tipo de coisa que o motivava a seguir firme, sem ceder.
Hokit chamou atenção na semana e repetiu provocação durante o combate
Antes mesmo do UFC 327 chegar ao octógono, o comportamento de Josh Hokit chamou atenção durante toda a semana. No dia de mídia, ele protagonizou uma altercação verbal durante o evento, envolvendo Jiri Prochazka e Carlos Ulberg. Depois disso, ainda apareceu para uma apresentação promocional diferente do padrão e, em seguida, deixou o local antes de responder qualquer pergunta à imprensa.
Na coletiva pré-luta, o clima seguiu o mesmo: Hokit tentou ofender Blaydes enquanto despejava rimas ensaiadas sempre que colocava um microfone na mão. Já dentro do combate, a postura não mudou. Blaydes contou que Hokit repetidamente levantou o dedo do meio após algumas trocas. O brasileiro de pensamento foi outro: Blaydes “ignorou” as provocações e evitou qualquer interação, admitindo que seu incômodo com o adversário influenciou até a falta de gestos como aperto de mão, abraço ou qualquer sinal de respeito após o término da luta.
Sem aperto e sem “boa luta”: Blaydes explica a postura
Blaydes explicou que teve poucas oportunidades de contato com Hokit. Segundo ele, a maior parte das interações aconteceu apenas na coletiva de quinta-feira, na pesagem de sexta e, claro, no confronto dentro do octógono. Para o atleta, fica difícil respeitar alguém que durante a luta repete a provocação, apontando que, nessas condições, ele não sabia o que dizer. Mesmo assim, Blaydes reconheceu que, apesar da antipatia, acredita que o duelo foi realmente bom.
Sobre se arrepender, ele disse que sim: queria ter sido mais profissional. Na visão dele, após uma luta desse tamanho, o correto seria cumprimentar com aperto de mão, dar um “dap”, desejar boa sorte e seguir adiante. O problema, conforme Blaydes relatou, é que ele não conseguiu fazer isso por não gostar do adversário e por sentir que havia uma falta de respeito evidente durante o confronto.
Encontro na ambulância: Blaydes pediu para ser afastado
Após a luta, Blaydes acabou cruzando com Hokit quando ambos eram levados para uma ambulância com destino a um hospital local em Miami para tratamento. O momento, porém, não teria sido tranquilo: Blaydes afirmou que, ao ouvir a voz do rival, pediu imediatamente para ser colocado mais longe para evitar que uma nova confusão começasse ali mesmo.
O peso-pesado contou que entrou na ambulância antes e ficou à frente, já imobilizado, com cintas de segurança e com a estrutura que limita movimentos. Ele disse que não conseguia virar para olhar diretamente Hokit, mas ouviu o adversário comentando algo como “Blaydes, por que você não desistiu? F***!”. Blaydes interpretou como uma tentativa de piada, mas afirmou que não estava na posição de ouvir com clareza ou levar adiante qualquer tipo de conversa naquele instante.
De acordo com Blaydes, ele pediu para o responsável por empurrá-lo na maca afastá-lo do adversário. O lutador afirmou que, se não fosse feito isso, ele poderia até tentar sair do veículo, e que haveria risco de “uma quarta rodada” naquele contexto. A solicitação foi para que o trajeto e o ambiente do hospital não fossem compartilhados na mesma área, no mesmo corredor e no mesmo setor, mantendo o afastamento total de Hokit.
Mesmo com toda a antipatia antes, durante e depois da luta, Blaydes admitiu que chegou a pensar que poderia existir a chance de eles tirarem aquelas fotos famosas pós-luta no hospital. Isso, porém, também não aconteceu. Segundo ele, foi como se Hokit não conseguisse “desligar” o personagem e seguir para um mínimo de normalidade após o fim do combate.
Equipe do evento teria torcido para Blaydes
Blaydes ainda trouxe um outro elemento do clima nos bastidores. Para ele, Hokit não era apenas um adversário difícil dentro do octógono, e sim alguém que também desagradava fora dele. O veterano disse que ouviu de diversos integrantes da equipe do UFC no evento — incluindo funcionários de suporte, pessoas ligadas ao credenciamento e até segurança — que havia uma espécie de consenso de que, no sábado, todos queriam que Blaydes saísse com a vitória.
Ele relatou que as pessoas repetiam durante a semana que a intenção era “bater” no adversário, dizendo que não gostavam dele. Blaydes comentou que, ao ouvir isso, ficou surpreso com o nível de rejeição e questionou como alguém conseguia irritar até quem trabalhava no evento, já que isso sugeria que o problema ia além do combate.
Possível revanche e mudança de categoria em discussão
Com a luta encerrada, Blaydes afirmou que acredita que, mais cedo ou mais tarde, pode acabar enfrentando Hokit novamente e que uma revanche não está descartada, especialmente pela quantidade de elogios que o primeiro encontro recebeu. Por outro lado, ele demonstrou dúvidas sobre o futuro do adversário no peso-pesado.
Antes do combate, Blaydes teria declarado sentir que Hokit era menor do que o padrão da divisão. Ainda que a mão rápida e a resistência do atleta fossem pontos impressionantes, o lutador disse não saber se isso se sustentaria no longo prazo. Ele se referiu ao cartel de Hokit, dizendo que seriam cerca de nove lutas no total, e sugeriu que, se esse tipo de esforço for repetido contra adversários mais pesados, o impacto acumulado pode cobrar um preço alto. Na percepção dele, Hokit poderia ter mais chances descendo para o peso-leve de força, ou seja, para o meio-pesado, onde a potência do golpe tende a ser menor e o ritmo pode favorecer características como velocidade e pressão.
Blaydes também argumentou que Hokit tem wrestling e que isso pode ajudar, mas ressaltou que a manutenção dessa estratégia pode ser difícil se ele quiser lutar do mesmo jeito que fez naquele confronto, já que ainda seria um peso menor para a categoria. Por fim, o peso-pesado concluiu que, se fosse gestor, irmão ou alguém próximo no círculo do atleta, sugeriria uma conversa séria sobre avaliar a descida para a divisão dos meio-pesados e considerar isso como um plano de longo prazo, mesmo que a decisão precise ser construída com o tempo.

