Brandon Jenkins mantém rotina de lutas apesar de desafios sem cartel oficial

Brandon Jenkins vive o MMA há tanto tempo que parte de suas lutas amadoras não aparece oficialmente no cartel. O motivo é simples: antes de o Alabama começar a regular esse tipo de evento, vários confrontos de sua trajetória ocorreram sem chancela, e por isso não entram no histórico formal.

Mesmo assim, Jenkins seguiu mantendo a rotina de desafios — e, ainda que tenha tido uma passagem pelo UFC com resultados de “uma luta sim, outra não”, ele segue valorizado no mercado. Com cartel de 16-11, o lutador construiu reputação de atleta confiável, competitivo e capaz de entregar combates movimentados. A trajetória remonta ao início da carreira, quando ele fez sua estreia nas lutas em 2010.

É justamente esse perfil que levou a Most Valuable Promotions (MVP) a contratá-lo para o primeiro combate de MMA na história da organização. Jenkins vai abrir o evento deste sábado, no Intuit Dome, em Inglewood, na Califórnia (transmissão pela Netflix). O adversário será Chris Avila, que chega ao confronto com campanha de 8-9.

De onde vem a fome por “experiências”

Apesar de mudanças ao longo dos anos, algumas motivações permanecem as mesmas. Jenkins, de 34 anos, explicou que encara o esporte como uma forma de buscar vivências fora do padrão — e que, quando era mais jovem, ele próprio organizava oportunidades para competir.

“Eu sou muito sobre experiências. Eu era um garoto do interior, e quando cresci lutando eu era aquele tipo de moleque de bairro, que marcava as próprias lutas”, disse Jenkins. “Eu colocava as datas bem longe, chamava gente como Dean Toole para fazer combates em ilhas, e falava: ‘Ei, posso lutar no card com um hotel na praia?’. Aí ele arrumava a hospedagem na praia, eu ficava deitado pegando sol e, no fim das contas, eu pensava: ‘Ok, depois vai ter briga com socos’. Era praticamente uma viagem pra mim. Então sempre que consigo viajar pra um lugar legal e lutar, conhecendo coisas novas, eu fico ligado.”

O lutador também construiu um currículo que inclui participações em grandes organizações, além de diversas ligas regionais. No histórico, aparecem passagens pelo UFC, PFL, Karate Combat e Gamebred Bareknuckle MMA, demonstrando capacidade de se adaptar a diferentes cenários e estilos.

O caminho até a MVP e o recado sobre o timing

Jenkins revelou que, antes de turbulências começarem a surgir no Oriente Médio, um próximo passo na carreira poderia ter sido pelo Misfits. Ele contou que havia uma luta contra Dillon Danis em negociação dentro do projeto, mas o confronto ficou inviável por causa do local previsto: o duelo seria marcado para o Catar. Com a instabilidade na região, a ideia foi descartada.

Foi nesse momento que a chegada do contrato com a Netflix fez sentido. Jenkins afirmou que a proposta apareceu quando ele já estava com o foco em seguir evoluindo, inclusive após aceitar trabalhar com os irmãos Tackett — dois atletas de destaque no BJJ — buscando elevar o nível técnico mesmo depois de tantos anos na ativa.

“Minha gestão, a Iridium Sports Agency, mandou eu ir no e-mail e assinar o contrato”, contou Jenkins, rindo. “Eu pensei: ‘O que é isso?’. Eles falaram: ‘É a Netflix’. Eu fiquei tipo: ‘Caramba… tá, beleza, vou fazer’.”

Atividade em 2026 e a transição para o papel de treinador

Mesmo estando menos ativo em 2026, o lutador não perdeu a energia competitiva. Ele disse que as oportunidades surgiram justamente para reacender a vontade de lutar no momento certo. Ainda assim, em dezembro, Jenkins começou a migrar com mais força para uma função de treinadora na Syndicate MMA, em Las Vegas.

O clima de “luta fora da caixa” que aparece nesses convites também o fez lembrar de um conselho importante vindo do técnico John Wood. Na visão de Jenkins, o treinador reforçou que a aposentadoria não é um conceito fechado — e que o caminho segue aberto enquanto aparecer um desafio especial.

Nas palavras do lutador: “nunca digo que estou aposentado”

Jenkins afirmou que, apesar de conversas sobre pausa, ele não se vê encerrando a carreira. Para ilustrar isso, ele contou uma conversa com John Wood e a forma como o treinador trata o tema do futuro.

“Ele jura que não se aposentou. Ele fala como se tivesse 45 ou 46, e eu pensei: ‘Como assim, cara?’. Ele disse: ‘Eu nunca parei de verdade. Eu ainda lutaria. Só teria que ser perfeito. Não teria acampamento de treino. Eu teria que estar em algum lugar, sem comissão e, tipo, alguém fala: ‘Ei, você luta contra esse cara’. Eu aceito na hora. Eu não tô ferrado, não tô aposentado. Nunca fala que você se aposentou. Você nunca sabe quando algo especial vai aparecer na sua mesa. Você precisa estar pronto pra agarrar’”, declarou Jenkins.

Na sequência, o atleta reforçou que mantém a porta aberta, mas sem a obsessão por “caçar” oportunidades que ele já tenha atingido no passado. Ele também citou qual tipo de legado quer construir dentro do esporte.

“Então eu nunca vou falar a palavra ‘R’. Vou manter isso aberto, entende? Mas os dias de correr atrás de coisas que eu já (fiz) acabaram. Eu quero tentar ser mais como Davey Grant. Ele é o meu lutador favorito, e eu só quero sair com um legado de ‘lutas de pancadaria’, de briga boa.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.