Nate Diaz segue como um dos grandes nomes das lutas no mundo e, quando ele passou a buscar seu próximo compromisso, naturalmente surgiu interesse de diferentes lados — inclusive do Ultimate Fighting Championship, antiga casa do lutador. Durante meses, circulou a possibilidade de uma trilogia contra Conor McGregor, sequência que faria sentido após dois dos duelos mais marcantes da história do evento. Ainda assim, a combinação não avançou e o confronto acabou não acontecendo.
Mais tarde, Diaz explicou por que optou por não aceitar uma proposta financeiramente atraente do UFC. Segundo ele, a decisão foi tomada para enfrentar Mike Perry no card que reuniria Ronda Rousey e Gina Carano. O motivo, de acordo com o próprio lutador, foi a falta de interesse em participar do “retorno do McGregor” em meio ao cenário de que ele voltaria a competir pela primeira vez em cinco anos — além de estar lidando com recuperação de uma lesão na perna, considerada quebrada.
No fim, Diaz considera que fez a escolha mais adequada ao aceitar um bom pagamento para encarar Perry. Ele também afirmou estar satisfeito com o caminho, destacando que, fora do UFC, há espaço para lutas e construção de imagem no cenário mais amplo das artes marciais.
“Eu estava apenas avaliando as opções e pensei que, naquele momento, era a melhor alternativa”, disse Diaz. “Ele é o maior nome fora do UFC fazendo coisas, do jeito que eu também tento fazer. É isso que lutadores deveriam buscar: servir de exemplo. Mas, para isso, é preciso que duas partes joguem o jogo. E, além disso, eles têm o pacote com a Netflix junto — é como se fosse dois por um.”
Antecedentes
Nos últimos anos de contrato dentro do UFC, Nate Diaz enfrentou períodos longos sem lutar, até que, em 2022, conseguiu encerrar o vínculo ao final da passagem. Na ocasião, ele venceu por finalização Tony Ferguson, o que o colocou novamente como agente livre pela primeira vez desde o período em que chegou ao The Ultimate Fighter, ainda em 2007, quando assinou seu primeiro acordo com a organização.
Diaz sustenta que não tem problemas com o UFC e que valoriza o fato de a promoção ter voltado a procurá-lo recentemente, com a intenção de trazê-lo de volta ao ambiente que lhe é mais familiar no esporte. Ao mesmo tempo, ele ressalta que um retorno também envolve aceitar outro contrato com múltiplas lutas, e que ele não esquece quanto tempo levou para chegar à condição de liberdade sob o acordo anterior.
“Eu acho que nós temos uma boa relação com o UFC”, comentou Diaz. “Poderia ter sido melhor. Espero que eles não estejam chateados por eu estar fazendo o que estou fazendo. Eu não acho que eles possam estar. E eu também não acredito que eles estejam felizes com tudo isso, mas, no fim, é negócio.”
Ele completou explicando a dificuldade de voltar ao ritmo de antes sem haver opções internas que o motivem no momento. “Eu também tinha o meu próprio programa, mas eu fiz demais para sair e, enquanto estava lá, fiz demais para sair também. Então fica complicado simplesmente voltar agora, quando, do meu lado, não tem muito acontecendo por dentro.”
Mesmo assim, Diaz disse que não seria contra um reencontro com o UFC — ainda que isso significasse firmar outro compromisso longo — desde que as oportunidades oferecidas fossem as corretas para o momento dele. Porém, no cenário atual, ele afirma não enxergar alternativas viáveis dentro da organização.
Por isso, fechar uma luta de um combate com o time de Jake Paul, a Most Valuable Promotions, para enfrentar Mike Perry, fez sentido. Diaz também afirmou que espera que o UFC tente negociar um contrato maior de múltiplas lutas, mas que só aceitaria se houvesse um conjunto de adversários pelos quais ele realmente tivesse interesse.
A visão de Diaz sobre o UFC e o mercado
Na avaliação do lutador, o UFC reúne os melhores nomes e ele segue disposto a encarar adversários de alto nível, inclusive com a ambição de disputar cinturão. Porém, ele não quer ficar “rodando” pela organização sem uma rota clara, nem desperdiçar o tempo de ninguém.
“Eu esperaria que o UFC também quisesse que eu assinasse um contrato com múltiplas lutas”, disse Diaz. “E eu ficaria feliz com isso, também, se existisse um grupo de caras que eu quisesse enfrentar agora dentro do UFC. A questão do UFC é que eles têm a nata: os melhores. E eu ainda quero lutar contra os melhores. Eu ainda quero disputar título. Eu ainda quero fazer as melhores coisas do jeito que dá.”
Para ele, é fundamental que o processo de negociação e escolha de desafios seja mais ativo por parte dos lutadores, em vez de aceitar automaticamente novos acordos que os mantenham presos a uma exclusividade por tempo indefinido. “Eu não quero ficar só ali dentro do UFC por ficar, apenas para brincar e desperdiçar o tempo de ninguém. Ou as pessoas tomam atitude, correm atrás, fazem as coisas e constroem as lutas delas. Por dentro, neste momento, não tem ninguém que acenda tanto meu interesse. Mas você sabe como é: o UFC aparece quando quer.”
O que Diaz gostaria que mudasse
Diaz afirmou que, idealmente, gostaria de ver mais lutadores seguindo um caminho parecido com o dele: ao invés de renovar automaticamente contratos e permanecer sob exclusividade sem explorar o que existe no mercado, muitos deveriam ao menos observar as possibilidades antes de fechar novos vínculos.
Para o brasileiro? — aqui, no caso, para o próprio Diaz, ele considera que isso não seria um ataque ao UFC em si, mas sim uma forma de permitir que os atletas descubram o verdadeiro valor do próprio cartel. Segundo ele, a maneira de entender o preço real de um lutador é entrar em um mercado aberto, onde diferentes interessados possam competir por sua assinatura e oferecer melhores condições.
“Seria ótimo se existissem mais agentes livres por aí fazendo o que fazem”, declarou Diaz. “Mas eu acho que isso vem com o tempo e com aprendizado. As pessoas precisam acelerar, pisar fundo, recuperar o controle das próprias carreiras e do que está acontecendo de verdade.”

