Brendan Allen, atleta do peso-médio, tem o hábito de deixar sua terra natal, no estado da Louisiana, para buscar ambientes de treino que considere os mais completos possíveis. No início de sua trajetória, ele passou a trabalhar em Milwaukee, no Wisconsin, para atuar junto à equipe da Roufusport. Depois, já no começo de sua caminhada no UFC, voltou a mudar de cenário e passou a treinar por alguns anos no sul da Flórida, integrando o grupo do Kill Cliff FC.
Últimos camps em Chicago e a influência de Belal Muhammad
Nos três últimos períodos de preparação, Allen agendou viagens para Chicago, onde voltou a se conectar com um antigo companheiro de treino da Roufusport: o ex-campeão dos meio-médios Belal Muhammad. A orientação do trabalho fica a cargo de Mike Valle e da equipe Valle Flow Striking, que passa a ser a base do planejamento do lutador de 30 anos para cada compromisso.
Allen destacou o modo como o grupo conduz o trabalho ao redor de cada luta.
“Eles têm um foco bem individual para cada compromisso, vindo do treinador e também da equipe. A convivência é muito boa, gente de qualidade e treinadores bons. O atendimento personalizado é algo que eu realmente enxerguei que precisava e que vi que também ajudou o Belal a ter sucesso”, afirmou.
O quarto colocado do ranking da categoria ainda completou, em tom descontraído, que não sente a necessidade de entrar no octógono tentando “impressionar” por estar em academias gigantescas.
“Neste momento, eu sei lutar. Eu já tive muitas lutas desse tipo — grandes e menores — então não tenho que ir para cá com uma estrutura enorme e lutar todos os dias. Eu preciso chegar para o combate, ficar afiado no que queremos estar afiados e encarar o processo de forma mais inteligente, para entrar no duelo mental e fisicamente em uma condição melhor. Acho que é isso que fazemos. A gente conversa bastante e os resultados têm sido exatamente o que têm sido.”
Virada após derrota e duas vitórias que marcaram o momento
Depois de iniciar o ano passado com um revés diante de Anthony Hernandez, Allen ajustou o rumo e construiu, de forma que pode ser considerada a mais significativa de sua carreira, duas conquistas de grande peso.
UFC 318: decisão unânime sobre Marvin Vettori
Em julho, ele lutou no seu estado natal pela primeira vez desde o duelo pelo título da LFA contra Hernandez, ocorrido sete anos antes. Na ocasião, Allen enfrentou Marvin Vettori em uma luta marcada por rivalidade e terminou com vitória por decisão unânime no UFC 318.
Retorno do evento em Vancouver: vitória interrompida antes do fim do 5º round
Três meses mais tarde, Allen substituiu Hernandez e encarou Reinier de Ridder na luta principal do retorno da organização em Vancouver. Ele aproveitou ao máximo a oportunidade, desgastando o adversário holandês em ascensão e levando a equipe dele a interromper o combate antes do início do último round.
Para Allen, essas vitórias reforçaram a convicção que ele sempre manteve: quando está no melhor nível, não existe ninguém na divisão que ele não consiga vencer. Além disso, ele apontou que a estrutura e a forma como o novo time organiza o trabalho ajudam a remodelar a abordagem tanto mental quanto fisicamente.
“Eu acho que é o tipo de gente com quem eu me cercarei, a mentalidade e a maneira como eu encaro agora. Eu sou bem mais velho, sou bem diferente. Estou me educando, aprendendo mais sobre mim, e ficando com pessoas que têm conhecimento — e eu também aprendo com ele [Belal].”, disse.
“Ser estudante de novo é algo que realmente me ajudou e me deixou mais calmo. Agora, eu tenho confiança na preparação, confiança no meu ponto de vista em todas as áreas. Então eu não fico pensando em nada; eu só mantenho o foco mental no que eu quero estar e sigo consciente, dia a dia, de como estou mentalmente e fisicamente.”
Allen também explicou como lida com a pressão ao longo da preparação.
“Eu vou lidando com as coisas momento a momento e isso está funcionando. Se eu não consigo tocar ou enxergar, então é longe demais para pensar. Então eu tento permanecer no que eu consigo focar.”
Duelo de alto risco e baixo retorno: confronto com Shahbazyan
Essa mudança, segundo Allen, ganha ainda mais valor ao se aproximar deste fim de semana, já que a luta contra Shahbazyan foi descrita como uma combinação de alto risco e baixo retorno, recebida com surpresa por parte do público quando foi anunciada inicialmente.
O atleta de 28 anos, oriundo do Dana White’s Contender Series, onde se formou um ano antes de Allen, tenta começar o ano construindo o que chamou de continuidade: ele chega buscando ampliar uma sequência de três vitórias consecutivas obtida no último período. Embora tenha passado por fases em que ocupou posição no top 15 ao longo de sua trajetória, “The Golden Boy” retorna ao APEX sem estar ranqueado no momento, e com Allen no grupo de cima — além de vir de vitória convincente em luta principal — o confronto tende a levantar questões difíceis e, ao mesmo tempo, possíveis frustrações.
Apesar do cenário, Allen disse não se preocupar com isso.
“Eu não sinto nenhuma pressão de verdade. Isso não é algo que eu não tenha feito antes. Eu sempre senti que, se eu sou o melhor cara do mundo, eu deveria vencer qualquer um. Eu sempre mantive isso na cabeça mesmo quando tive lesões. Se eu sou bom daquele jeito, eu sou bom daquele jeito. Obviamente, teve noites em que eu não estive tão bom, mas eu estou aqui e eu não sinto que preciso lembrar ninguém de nada.”
“Eu sei quem eu sou, sei o que eu já fiz. Meu cartel fala por si. Então eu só preciso ir lá e vencer. Eu quero fazer o que eu quero fazer. Eu não vou lá para fazer algo que não é do meu normal, porque eu sinto pressão — como se eu tivesse que ganhar a qualquer custo ou ter que finalizar esse cara.”
Objetivo é vencer: buscando a terceira vitória seguida
Para Allen, a prioridade é permanecer no plano construído nos treinamentos e observar como o combate se desenrolará no sábado à noite.
“Eu vou seguir exatamente o que treinei para fazer, e a gente vai ver como as cartas vão cair na noite de sábado.”
Ele admite que a melhor hipótese é uma finalização, mas deixou claro que o que realmente busca é emplacar o terceiro triunfo consecutivo. No fim, para o lutador, vencer é o fator mais importante.
“Eu quero finalizar, claro — eu entro em toda luta querendo finalizar — mas nesta eu só quero ganhar. Eu trabalhei muito duro e fiz muitos sacrifícios, como sempre faço. Nesta fase da minha vida, parece tudo diferente: meus filhos estão ficando bem mais velhos, várias coisas mudam em casa. E também muda o mundo: quanto as coisas custam. Construir liberdade financeira a partir dos sonhos é bem difícil. Então eu só quero ir lá e vencer.”
“Uma vitória é uma vitória. A gente analisa o resto depois, entende? Tudo o que vier é consequência. Nada importa se eu não vencer. Nada importa se a gente não entrar na coluna de vitórias.”
- Nos últimos três camps, Allen treinou em Chicago, reconectando-se com Belal Muhammad (ex-Roufusport) sob orientação de Mike Valle e da equipe Valle Flow Striking.
- Allen relatou que busca uma preparação mais inteligente, com foco em chegar afiado para a luta e manter estabilidade mental e física.
- Após perder para Anthony Hernandez no ano passado, o lutador emplacou dois resultados de destaque: decisão unânime sobre Marvin Vettori no UFC 318 e atuação na luta principal contra Reinier de Ridder, em Vancouver, com interrupção antes do início do último round por decisão do corner.
- O confronto deste fim de semana é contra Shahbazyan, descrito como alto risco e baixo retorno.
- Allen afirmou que quer vencer e, se possível, buscar a finalização, mas deixou o triunfo como objetivo central para alcançar o terceiro resultado positivo seguido.
