Luiz Gustavo conquistou uma chance pelo cinturão peso-leve do RIZIN após um nocaute brutal sobre Taisei Sakuraba em março, mas o brasileiro admitiu que não ficou indiferente ao impacto das próprias pancadas. Neste domingo, em Kobe, no Japão, “Killer” Gustavo encara Ilkhom Nazimov pelo título da divisão, e comentou sobre a situação de Sakuraba — filho do lendário Kazushi Sakuraba — que, segundo ele, teve a mandíbula fraturada no nocaute ainda no segundo round.
- Resultado: Luiz Gustavo está escalado para disputar o cinturão peso-leve do RIZIN contra Ilkhom Nazimov neste domingo (a luta ainda não ocorreu na fonte).
- Método: Gustavo venceu Taisei Sakuraba em março por nocaute no segundo round.
- Round e tempo: o nocaute de Gustavo sobre Taisei Sakuraba ocorreu no 2º round (tempo não informado na fonte).
- Categoria: peso-leve (RIZIN).
- Local: Kobe, Japão.
- Cartel/recortes de campanha citados: Gustavo tenta o título em sua segunda tentativa de chegar ao ouro em menos de dois anos, após ter desafiado Roberto Satoshi anteriormente; Nazimov é o atual campeão e venceu Satoshi em 13 segundos no mês de dezembro, enquanto Satoshi havia nocauteado Gustavo em 21 segundos.
Gustavo diz que lamenta lesão na mandíbula do rival
O brasileiro falou que, ao saber que o filho de Kazushi Sakuraba sofreu uma fratura na mandíbula por conta do golpe que levou ao nocaute no segundo assalto, sentiu um incômodo real. Para Luiz Gustavo, a vitória é o objetivo, mas existe uma linha que ele não gostaria de ultrapassar: “A gente quer ganhar de qualquer jeito, mas não do tipo que cause um dano sério ao adversário. Claro que perder dói, mas estou falando de lesões — como alguém precisar de cirurgia na mandíbula. A gente não quer isso para ninguém. Queremos vencer e machucar o mínimo necessário”, declarou.
Gustavo ainda reforçou que, para ele, o trabalho no MMA não pode ser interrompido por um problema grave. A ideia é que o atleta lesionado consiga se recuperar o quanto antes para voltar o ciclo o mais rápido possível: “Quero que ele se recupere logo e volte assim que der, porque isso é nosso ofício. Não dá para ficar fora de atividade”, completou.
Treino em Curitiba e a história por trás do duelo com o clã Sakuraba
Luiz Gustavo treina em Curitiba sob o comando de André Dida, treinador de longa data e conhecido por ter sido responsável por atletas como Wanderlei Silva, campeão do PRIDE. O brasileiro também comentou que o RIZIN construiu um enredo para o confronto dele envolvendo o filho de Sakuraba, explorando a rivalidade entre “The Axe Murderer” e “The Gracie Killer”. Na visão de Gustavo, o desfecho dessa narrativa acabou favorecendo o Brasil, da mesma forma que acontecia com frequência nos anos 2000.
Ao falar sobre como o RIZIN costuma escolher quem recebe a oportunidade de título, Gustavo destacou a ausência de um sistema de ranking tradicional como o que o público costuma ver em outras organizações. “No Japão, não existe um ranking como a gente imagina. Eles geralmente escolhem o cara que vende mais a luta e entrega boas apresentações. Todas as minhas lutas viram guerras: sempre tem nocaute, nunca fica parado, nunca vira um combate sem graça. A última luta foi muito boa e, como envolvia nomes grandes como Sakuraba e Wanderlei, vendeu muito”, afirmou.
Segundo ele, a credibilidade para disputar o cinturão veio tanto pelo impacto do resultado quanto pelo modo como a luta se desenhou. “O jeito do nocaute, a forma como o combate aconteceu, tudo isso me deu respaldo para brigar pelo cinturão”, disse.
Uma segunda chance pelo ouro e o objetivo de levar o cinturão ao Brasil
O brasileiro explicou que a repercussão daquele triunfo abriu a porta para mais uma tentativa de conquistar o título — sua segunda oportunidade de chegar ao ouro em menos de dois anos, após ter desafiado Roberto Satoshi. A trajetória recente do cenário do peso-leve, porém, teve mudanças rápidas: Nazimov, atual campeão, destronou Satoshi em apenas 13 segundos em dezembro. Foi ainda mais veloz do que o próprio Satoshi havia sido diante de Gustavo, quando nocauteou o brasileiro em 21 segundos.
“Eu mereço o cinturão”, declarou Luiz Gustavo. “Eu estou há muito tempo nessa organização, lutei bastante para conseguir essa chance pelo título. Infelizmente eu perdi a primeira tentativa, mas eu ganhei outra oportunidade e eu mereço. Vou trazer esse cinturão para o Brasil. Desde que eu entrei nessa promoção, eu disse que seria campeão, e agora chegou a hora.”
Sonho de lutar no Japão e confiança diante do “MMA math”
Luiz Gustavo também falou sobre o significado de enfrentar o campeão no Japão, lembrando o impacto histórico do PRIDE na formação dele como fã e como atleta. “Todo mundo assistiu ao PRIDE e sonhou em ter aquela imagem na parede de casa, poder dizer que lutou no Japão. Foi lá que tudo começou. Eu assistia ao Wanderlei lutando no PRIDE quando eu tinha 9 anos e pensava: ‘Um dia eu quero lutar aqui’. Já faz oito anos que eu estou nesse ambiente, e a energia dos torcedores japoneses é diferente de tudo. É um sonho realizado, ainda mais agora que eu vou disputar o cinturão”, afirmou.
Na sequência, o brasileiro comentou que não quer que “a conta do MMA” — aquela comparação fria de resultados anteriores — diminua a confiança antes do confronto com o homem que derrotou seu maior inimigo no cenário. “Se dois caras lutarem cem vezes, vão existir cem resultados diferentes. Então não dá para transformar isso em matemática”, disse.
Ele avaliou o cenário com a ressalva de que, no esporte, as surpresas fazem parte do jogo: “Qualquer coisa pode acontecer lá dentro. Infelizmente o Satoshi perdeu rápido e não conseguiu mostrar o que ele tem. Assim como eu perdi rápido para o Satoshi e também não consegui colocar meu jogo. Essa é a mágica do MMA: qualquer coisa pode acontecer.”
Estilo de trocação promete luta aberta, mas com um possível plano de queda
Gustavo espera um duelo favorável ao seu estilo, ainda que reconheça o risco de o adversário tentar mudar o roteiro do combate. “É um matchup muito bom para mim. Eu sou um lutador de trocação, e ele também é. Então eu tenho certeza de que vai ser uma luta excelente. Só tem uma condição: que ele não tente ficar me segurando”, comentou.
O brasileiro acredita que, mesmo em lutas contra trocadores, muitos adversários acabam tentando levar o combate para o chão e controlar a distância com quedas e controle. “Normalmente, esses caras que são strikers querem me derrubar e ficar ali, segurando. Mas se ele realmente quiser trocar, então vai ser uma luta incrível”, concluiu, projetando um combate que pode ser tanto de pressão na trocação quanto de ajustes táticos durante o caminho para a vitória pelo cinturão.

