Quillan Salkilld estreia no UFC com nocaute relâmpago e ameaça Beneil Dariush

Foi em outro cenário, bem distante do “lar” de Quillan Salkilld, que ele chamou atenção pela primeira vez no UFC — e com impacto imediato. No seu início na organização, o lutador nocauteou em apenas 19 segundos, um resultado que marcou o público e deixou claro o tipo de ameaça que ele representa quando encontra a chance no octógono.

Apesar disso, a referência de “casa” não é tão simples quanto parece. O duelo ocorreu em Sydney, do outro lado da Austrália, enquanto Salkilld é de Perth. A distância entre as cidades é parecida com a de alguém de Atlanta dizendo que vai lutar “em casa” em Los Angeles — não é o mesmo contexto, ainda que seja o país.

No sábado, no UFC Fight Night 275, a situação muda. A ideia aqui é imaginar o que Salkilld pode entregar quando finalmente entrar no cage na sua cidade natal, a poucos minutos do lugar onde ele descansa à noite. E, para isso, ele terá um teste que pode redimensionar de vez o tamanho do seu momento.

Salkilld chega para o co-main event da RAC Arena com um cartel de 11-1 no MMA e 4-0 no UFC. Oponente será Beneil Dariush, que vem com 23-7-1 na carreira e 17-7-1 no cartel dentro da organização. Para o brasileiro? Não: para o australiano em questão, o desafio é gigantesco — tanto em dificuldade quanto em oportunidade — já que uma vitória sobre Dariush pode empurrar o lutador de 26 anos diretamente para a conversa do topo do peso-leve, colocando o nome dele perto de disputa por cinturão.

“Ficou ainda mais especial poder lutar aqui”

Em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira em Perth, Salkilld tratou o duelo como algo pessoal. “Para mim é muito legal. Eu venho imaginando lutar contra caras como o Beneil há anos. E agora que isso finalmente aconteceu, eu só penso: é insano. Estamos nessa fase, então eu tenho que manter o foco, ficar atento e não fazer nenhuma besteira. A meta é terminar o trabalho e sair com a vitória”, afirmou.

O lutador também relembrou o caminho até o presente e detalhou o desejo de competir no mesmo palco. “(Isso) é um sonho virando realidade. Estou esperando por isso há oito anos. Eu fui ao primeiro evento aqui em Perth, o UFC 221. Eu lembro de estar lá em cima e pensar como seria incrível lutar nesta mesma arena. Agora a gente consegue fazer isso”, completou.

Ritmo acelerado no peso-leve

O desempenho de Salkilld na divisão de até 70,3 kg realmente chama atenção. Ele praticamente “explodiu” na categoria desde o começo. Depois de estrear no UFC com um nocaute que rendeu bônus na promoção, vencendo Anshul Jubli em Sydney em apenas 19 segundos, ele voltou ao octógono e passou cerca de 15 minutos contra Yanal Ashmouz antes de retornar ao caminho das finalizações.

Em outro passo relevante, no UFC 321 — sua terceira aparição seguida em pay-per-view — ele nocauteou Nasrat Haqparast com um golpe alto ainda no primeiro round. E já em janeiro, no UFC 325, novamente em Sydney, ele conquistou o primeiro triunfo por submissão no UFC, finalizando Jamie Mullarkey no primeiro assalto com um mata-leão em pegada por trás (rear-naked choke).

Até aqui, todas as vitórias dele no UFC renderam bônus pós-luta. Isso, por si só, já coloca os outros nomes do peso-leve em alerta. Só que nenhum adversário enfrentado por Salkilld até agora trouxe um pacote de experiência no conjunto como o de Dariush — ainda mais quando se fala do tempo dentro da organização. O desafiante acumula mais de uma década no UFC, totalizando 25 lutas na casa.

Favoritismo, ranking e pressão extra

Mesmo com a diferença de histórico, é Salkilld quem aparece como o segundo maior favorito do card nas casas de apostas, com campanha de 5-1. Ou seja: a atenção sobre ele existe, e não necessariamente só por parte do público, mas também pelo que os números indicam.

Uma vitória sobre Dariush pode ter impacto direto no ranking oficial. Caso avance, Salkilld tem grande chance de aparecer já na próxima semana ranqueado, possivelmente até em uma posição próxima do atual patamar do próprio Dariush — que ocupa o número 12 na tabela oficial do UFC.

“Quero provar que pertenço ao topo”

Com a chance de transformar o cenário do peso-leve em Perth diante do próprio público, Salkilld reforçou a intenção de mostrar que chegou para brigar. “Estou tentando provar que eu faço parte do grupo de cima da divisão. Este é o meu caminho. Poder fazer isso na frente da minha torcida e voltar pra casa dez minutos depois… vai ser uma noite insana, insana”, disse.

O lutador ainda completou deixando claro o tipo de mensagem que quer deixar para os próximos desafios. “… Eu quero que eles vejam um peso-leve perigoso e faminto chegando. Um cara com fome de tomar o lugar deles. E eu quero me colocar no mapa, fazer com que fiquem bem preocupados com o que vem a seguir”, concluiu.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.