Considerado um dos grandes nomes do peso-pesado na história do UFC, Cain Velasquez pode estar perto de uma nova fase na carreira — mas não parece que isso virá com o “modo campeão” de volta ao octógono. O ex-campeão não luta desde 2019, quando sofreu um nocaute em apenas 26 segundos diante de Francis Ngannou. Desde então, o americano viveu uma sequência de experiências fora do cenário competitivo, e agora surge a pergunta: a aposentadoria pode ser revertida?
O que Cain Velasquez fez desde 2019
Depois do fim da sua última luta no MMA, Velasquez passou por diferentes caminhos. Ele atuou como treinador na American Kickboxing Academy, academia ligada ao seu histórico, teve passagem pela WWE, buscou oportunidades no campo de uma medicina voltada a plantas e também enfrentou um processo judicial que mudou de forma significativa o rumo da vida pessoal.
No fim de 2024, Velasquez declarou “não contestado” a acusações de tentativa de homicídio e agressão com uso de arma de fogo, relacionadas a um episódio de 2022. Naquela ocasião, o caso envolvia um homem que era apontado como autor de abusos contra um familiar. A pena aplicada foi de cinco anos de prisão, mas ele acabou recebendo créditos de tempo cumprido e também regime de prisão domiciliar, o que permitiu que fosse colocado em liberdade no início deste ano.
Com isso, a janela para um possível retorno ao esporte volta a ser discutida, ainda que o contexto seja totalmente diferente do passado. A trajetória recente colocou Velasquez em outro patamar de prioridades, e o próprio cenário sugere que qualquer retorno ao cage teria um peso muito específico.
“Não tem lista de desejos, mas precisa ser muito dinheiro”: as condições do retorno
Em conversa com o companheiro de longa data Josh Thompson, ex-campeão do Strikeforce, Cain Velasquez deixou claro que, se houver luta, ela não será motivada por ambição esportiva tradicional. Ele disse que, em vez de perseguir um desafio ou um título, estaria disposto a analisar apenas se o valor fosse alto o suficiente.
Velasquez resumiu a ideia com franqueza: “Não existe uma lista de desejos sobre com quem eu quero lutar, mas se o dinheiro estiver certo, o dinheiro está certo. Tem que ser do jeito certo, e tem que ser realmente bom. Tem que ser muito, muito bom para eu fazer isso.”
Quando Thompson sugeriu a possibilidade de um duelo contra uma lenda do MMA, Fedor Emelianenko — confronto que fãs debatem há anos — Velasquez reforçou que a questão financeira seria o único motor para colocar o corpo novamente em combate.
“O dinheiro precisa ser o que me faça querer fazer isso, porque eu já falei antes: eu não quero fazer. Eu tenho outros interesses agora, mas o dinheiro tem que ser capaz de me fazer querer mesmo. E eu não acho que alguém esteja disposto a pagar esse tipo de valor”, afirmou Velasquez.
O maior obstáculo: tempo longe e realidade de um “evento único”
A dificuldade, portanto, não parece ser encontrar adversário, e sim fechar um acordo que faça sentido para o momento do lutador. Aos 43 anos e com sete anos desde a última aparição em luta, Velasquez não está mais na fase de buscar legado ou disputar cinturões. Se voltar, a tendência é que seja por um grande pagamento pontual, e não por uma sequência de compromissos visando objetivos de longo prazo.
Além disso, o UFC, por ter um olhar mais pragmático sobre planejamento e exposição de atletas ativos, talvez não tenha interesse em abrir espaço para um veterano que não compete desde 2019. Mesmo assim, outras organizações podem enxergar valor diferente nesse tipo de retorno, especialmente por conta do apelo de nome, história e potencial de atração comercial.
Possível rota alternativa e elogios a Jake Paul no ambiente do MVP
É nesse contexto que nomes ligados a eventos e promoções mais recentes passam a ser lembrados. Um exemplo é o MVP MMA, que tem destaque por reunir interesses de crossover e por buscar atrações que vão além do público tradicional do MMA.
Velasquez, recentemente, elogiou Jake Paul, cofundador do MVP MMA, e comentou positivamente sobre a experiência de ter comparecido ao MVP MMA 1. Ele também agradeceu Paul por ter permitido que interagisse com lutadores durante os momentos cerimoniais de encaradas.
Com a força de acordos financeiros, a força da nostalgia envolvendo grandes veteranos e o apetite crescente por lutas com apelo midiático, a ideia ganha tração. Ainda assim, existe um fator que nenhuma negociação consegue eliminar: o tempo.
“Cardio Cain” e o aviso final do relógio biológico
Mesmo com o incentivo de uma possível oportunidade, o “relógio” das lesões e o longo período longe do ritmo de competição continuam sendo a principal barreira. Aos 43 anos, com a carreira marcada por problemas físicos e longas pausas, a leitura mais comum é que Velasquez provavelmente já tenha vivido o último capítulo dentro de um octógono.
Porém, se alguém realmente colocar os recursos na mesa — o famoso “caminhão de dinheiro” — e se o veterano conseguir encaixar um camp capaz de sustentar o ritmo, Cain Velasquez pode surpreender. Afinal, apesar do cenário apontar para o fim da era, a possibilidade de “Cardio Cain” encontrar mais um ciclo de preparação ainda não está totalmente descartada.

