O início da carreira profissional de Andrew Alirez no MMA pode passar despercebido para parte do público, mas o contexto por trás da estreia em Sparta Army vs. Marines 17, em Loveland, no Colorado, ajuda a entender por que o lutador chama atenção mesmo antes de colocar as luvas. A transição para o octógono, ainda que seja um novo capítulo, carrega a mesma essência de quando ele decidiu dar prioridade ao que acreditava ser certo, mesmo sem o brilho imediato que muitos esperam de atletas em ascensão.
Alirez construiu sua trajetória como um dos principais nomes do wrestling escolar nos Estados Unidos. Em vez de buscar fama longe de casa, ele escolheu permanecer em Greeley, sua cidade natal, no estado do Colorado. A decisão foi marcada por lealdade: o atleta se comprometeu com a Universidade do Northern Colorado, mantendo-se fiel ao ambiente que o formou e às pessoas que sempre estiveram ao seu lado.
Em entrevista recente, Alirez explicou a raiz dessa escolha. Ele contou que toda a família estudou no Greeley Central, citando que o pai foi campeão estadual e que irmãos, primos e outros parentes também fizeram parte daquela história. Segundo o lutador, ele foi quatro vezes campeão estadual e chegou ao college como o número 1 do ranking de recrutas na saída da faculdade. Ainda assim, mesmo com propostas vindas de praticamente todo o país, optou por ficar e representar um programa menor, no Northern Colorado, um caminho que descreveu como difícil, mas plenamente consciente.
Combinando sorte, trabalho duro e evolução técnica, a escolha se mostrou acertada. Em 2023, Alirez se tornou o primeiro campeão da divisão principal da NCAA na história da instituição, fechando a temporada com campanha de 28 vitórias e nenhuma derrota. No caminho, ele venceu adversários como Lachlan McNeil, Beau Bartlett e Real Woods, consolidando um cartel que virou referência dentro do wrestling universitário.
Depois de encerrar o ciclo no cenário colegial, Alirez ainda tentou alcançar o sonho olímpico por um curto período. Ele conseguiu vaga para as seletivas da equipe dos Estados Unidos, mas acabou derrotado de forma apertada por Nick Lee e, com isso, deixou o torneio. Mesmo assim, o tema voltou a passar pela cabeça do atleta, que considerou uma nova tentativa, porém decidiu não seguir por esse caminho.
O motivo é simples: desde criança, Alirez tinha outro objetivo. Para ele, não era questão de “se”, mas de “quando” iria se dedicar ao MMA. O lutador afirmou que, quando era mais novo, nem tinha tanta vontade de ir para a faculdade, pois queria começar a competir por volta dos 18 anos. Com o passar do tempo, a rota acadêmica apareceu como etapa natural, mas, em determinado momento, ele enxergou que teria de escolher entre buscar as Olimpíadas de 2028 ou apostar tudo na carreira de lutas. A decisão foi clara: ir integralmente para o combate.
Alirez vem de uma família ligada ao wrestling, mas talvez ainda mais a um modo de vida voltado para briga. O pai dele, Andrew Alirez, também foi lutador, transitando do wrestling para o MMA profissional. Uncles e primos passaram pelo mesmo caminho, e gerações anteriores tiveram relação com o boxe. O próprio atleta cresceu no boxe e construiu um cartel amador de 10 vitórias e zero derrotas, reforçando a base de mãos rápidas e leitura de distância que pode ajudar na adaptação ao MMA.
Embora a estreia profissional em Sparta Army vs. Marines 17 represente um novo empreendimento no esporte, Alirez vê o passo como uma volta às origens. Ele descreveu que, do jeito dele, quando decide fazer algo, faz “até o fim”, e que não estaria começando essa jornada se não acreditasse que um dia pode se tornar campeão mundial. De acordo com o atleta, o objetivo final passa pelo cinturão do UFC, visto como a meta diária de trabalho e foco.
Para estruturar esse salto no nível profissional, Alirez se cercou de parceiros de treino de alto padrão. O wrestling dele, por si só, já chama atenção e pode ser um diferencial contra muitos estreantes, inclusive entre atletas que já atuam no MMA em alto nível. Ao mesmo tempo, ele busca complementar a parte de trocação com concorrentes de referência, equilibrando o que já domina com o que precisa afiar para competir em pé e no clinch.
Na rotina, o lutador divide o tempo entre o Catalyst Jiu-Jitsu e o trabalho com o treinador renomado de luta greco/estilo MMA-wrestling Said Saparov no Pound 4 Pound Muay Thai. Além disso, ele também treina no Tiger Beetle Martial Arts, do treinador Cory Sandhagen, junto com atletas como Brandon Royval e Tatsuro Taira, entre outros nomes do cenário. Para Alirez, estar perto do melhor influencia diretamente a evolução, porque força o atleta a se colocar em situações de alto nível todos os dias.
O lutador, hoje com 25 anos, não pretende correr etapas. A estreia profissional acontece com peso casado de 140 libras, contra Bruce Martin, que chega com campanha de 0-2. Se a adaptação e os resultados forem os esperados, Alirez planeja descer para a categoria peso-galo. Ele afirmou que a estratégia inicial passa por observar o decorrer da luta, sem se prender a um único plano. Ainda assim, deixou claro que sua maior força é o wrestling e que, a qualquer momento em que surgir uma janela, ele pode derrubar e buscar finalização. A prioridade, segundo o atleta, é tirar o adversário do caminho o mais rápido possível, usando o controle terrestre como principal ferramenta.
Mesmo dizendo que pretende manter humildade, Alirez não deixa de carregar aquela “fome” de quem não se contenta em ser apenas mais um. Ele relatou que, durante a fase do wrestling, muitas vezes se sentia quase ofendido quando alguém pensava que poderia vencê-lo. Na visão do lutador, a mentalidade de sua família é de quem não ganha nada “de graça”, e que tudo precisa ser construído na base do esforço. Ele também comentou que existe uma postura mais leve e descontraída em parte dos wrestlers modernos — algo como sair para se divertir e fazer o melhor —, mas disse que nunca foi esse o perfil dele.
Alirez explicou que, em vez de se apagar, sempre internalizou a sensação de estar sendo subestimado por quem encarava a luta como algo possível de ser vencido contra ele. Esse sentimento foi moldado ao longo do tempo pela família e reforçado por sua vivência no boxe. Para o atleta, essa combinação fornece uma vantagem inicial para quem migra do wrestling para o MMA, e ele acredita que está em ótima posição por treinar com gente que realmente quer ajudar no desenvolvimento.
Ao projetar o futuro, Alirez enxerga reconhecimento mundial e conquistas por títulos, mas sabe que isso ainda é apenas uma visão — o que vai definir o caminho será o desempenho dentro do octógono. Ainda assim, há um ponto que ele considera inegociável: a lealdade às raízes em Greeley, cidade que ele representa desde o começo. Segundo o lutador, ele é um garoto do interior que sempre carregou a cidade no peito, estudou por lá, conquistou um título nacional histórico para o local e segue com a mesma identidade de quem quer crescer sem abandonar o lugar que o tornou quem é.

