Apenas algumas semanas depois de Carlos Ulberg conquistar o cinturão dos meio-pesados, a vitória já começou a ganhar um status quase lendário no imaginário do MMA. O cenário foi improvável: ele precisou lidar com uma lesão no joelho, enfrentou o caos e a imprevisibilidade de Jiří Procházka e, ainda assim, encaixou um nocaute no primeiro round no momento em que parecia que a maré tinha virado contra ele.
- Resultado: Carlos Ulberg venceu Jiří Procházka e conquistou o título peso-meio-pesado
- Método: nocaute no primeiro round
- Round e tempo: não informados na fonte
- Categoria: meio-pesados (205 lb)
- Local (contexto da publicação): Miami (discussão do período pós-evento)
- Cartel dos lutadores: não informados na fonte
Cirurgia e início da recuperação
Seis dias após a luta, em 16 de abril, Ulberg passou por uma cirurgia em Las Vegas com o objetivo de reparar o joelho. O atleta está nos primeiros passos do processo de reabilitação no UFC Performance Institute, um período que costuma ser longo e exigente, mas em que ele demonstra gratidão pela estrutura oferecida.
Em entrevista, Ulberg explicou que a equipe de profissionais tem conduzido tudo com positividade e acompanhamento próximo. Ele detalhou que a lesão é compatível com um caso de ruptura de ligamento (LCA/ACL) e comentou que a expectativa inicial era de um intervalo maior para a recuperação, com possibilidade de estender entre seis e oito meses dependendo do ritmo. No entanto, segundo o lutador, a evolução observada nas primeiras semanas foi rápida, e ele indicou que o corpo está respondendo bem ao tratamento.
“A equipe tem sido incrível. Tudo muito positivo em relação ao progresso e à reabilitação. Então, sim, é um ACL. A gente entrou na cirurgia pensando que talvez desse para recuperar em algo como seis a oito meses a mais, dependendo de como evoluíssemos. Mas, com o ritmo que estamos vendo agora, já faz só uma semana e a gente já está andando bem. Acho que temos uma boa fórmula e o corpo está cicatrizando rápido”, afirmou Ulberg.
Treinos leves sob supervisão médica
Ulberg também reforçou que está levando a recuperação a sério, sem “prometer demais”. Ele compartilhou vídeos de sessões realizadas duas vezes ao dia, mostrando o neozelandês trabalhando com cuidado, em atividades controladas, sob supervisão de Dr. Heather Linden, vice-presidente de medicina esportiva da equipe ligada ao UFC.
Mesmo que cada ganho pequeno pareça pouco perto do tamanho do desafio, a fase inicial é justamente onde o atleta precisa atravessar o jogo mental. Quando a rotina sai do treinamento diário e passa a ser substituída por um trabalho repetitivo — às vezes tedioso —, a batalha psicológica pode pesar tanto quanto a física.
Foco no processo, sem entrar no modo de desânimo
Apesar de a recuperação impor frustração para muitos atletas, Ulberg conseguiu equilibrar a decepção de lidar com meses de reabilitação com a motivação por ter atingido o objetivo máximo. O lutador, conhecido pelo temperamento sereno e confiante, não direciona o pensamento para o lado negativo do tempo parado. Em vez disso, ele tenta “atacar” o processo, como se fosse mais uma etapa de preparação.
“Eu acredito que vou chegar lá bem rápido. Eu já fiz a base mental há anos, então eu sei como colocar meu corpo e minha cabeça no lugar certo”, disse ele, deixando claro que prepara o terreno mentalmente para o retorno.
Aproveitando o momento do cinturão em Las Vegas
Enquanto a recuperação segue, Ulberg continua aproveitando as vantagens de ter sido campeão e de estar em Las Vegas. Ele marcou presença em eventos populares, incluindo WrestleMania e PowerSlap, além de subir ao palco com o músico J Boog. Para o atleta, foi um período bem diferente do que ele vive durante camp de luta, mas ainda assim conectado ao “mundo” que o cinturão abre.
Em outra interação no Performance Institute, Ulberg também cruzou o ex-campeão dos galos Cody Garbrandt. Os dois conversaram sobre a paixão do norte-americano por motocicletas. Ulberg comentou que queria, por conta própria, entrar em uma moto e “sentir o vento”, mas a equipe logo interrompeu a ideia, fechando a porta para qualquer ação que pudesse colocar o joelho em risco.
Próximos passos: voltar a treinar e encarar os melhores
Com o ambiente positivo e o espírito elevado, Ulberg diz se orgulhar da postura demonstrada na vitória sobre Procházka. Para ele, o recado foi claro: mesmo quando o corpo está comprometido, a luta não acaba — e, a partir do momento em que for liberado para voltar aos treinos, a prioridade será se testar novamente contra o que há de mais forte na divisão.
“Eu só quero lutar com os melhores, cara. Eu acho que essa é a única forma: bater nos melhores e se manter no topo, garantindo que você fez sua parte direitinho. Eu tenho o cinturão, e quem quiser pode vir buscar”, concluiu Ulberg.

