Chimaev admite “cenários ruins” antes da 1ª defesa de cinturão no UFC 328

Khamzat Chimaev é, sem exageros, uma das figuras mais imponentes do elenco do UFC — e, mesmo assim, o próprio lutador admite que existem cenários capazes de colocá-lo em desvantagem enorme. Faltando poucos dias para sua primeira defesa de cinturão dos meio-médios (categoria dos médios) contra Sean Strickland no UFC 328, o sueco de nascimento e atuação internacional também se prepara para um marco esperado: sua estreia no RAF, após ter assinado com a promoção recentemente.

  • Resultado/Confronto principal citado na fonte: defesa de título no UFC 328 contra Sean Strickland

  • Assinatura e planejamento: estreia prevista no RAF após acordo recente

  • Estratégia e contexto: Chimaev projeta que os desafios no RAF podem vir de adversários com base semelhante na luta

  • Nome citado como possível adversário no RAF: Kyle Snyder (campeão olímpico), apontado por ele como um dos poucos nomes do UFC que encararia no formato

  • Recompensa mencionada: Chimaev ofereceu US$ 200 mil para quem sobrevivesse a um sparring

Chimaev explica por que não pretende encarar os maiores “wrestlers” do mundo no RAF

Mesmo aguardando confirmação sobre quem será seu primeiro oponente no RAF, Chimaev já deixou claro que acredita que o nível de competição virá, em grande parte, de atletas com histórico parecido no wrestling e no grappling. Ainda assim, ele não se vê enfrentando os principais nomes do mundo nesse estilo — e citou, como exemplo, justamente o campeão olímpico Kyle Snyder.

Na conversa, Chimaev ponderou o “sentido” de enfrentar um atleta desse calibre no contexto do esporte misto. Para o lutador, lutar contra um campeão olímpico seria mais do que um desafio técnico: viraria um tipo de “supercombate”, sem utilidade imediata. Ele também comentou que, se a ideia fosse realmente competir pelo wrestling em alto nível, então o caminho natural seria ter seguido o circuito olímpico.

Ao falar sobre a possibilidade, Chimaev mencionou diretamente a chance de encarar Bo Nickal — lembrando que Nickal também migrou para o MMA e, portanto, a comparação faz mais sentido no “formato” da modalidade. A lógica defendida pelo campeão é que, quando o adversário está competindo no MMA, o duelo passa a ter encaixe mais prático e competitivo.

Rivalidade no wrestling muda de modalidade: Chimaev admite diferença entre treinar para MMA e para ouro olímpico

Chimaev costuma transmitir confiança ao projetar que vai esmagar quem aparecer pela frente no UFC e, ao longo de nove lutas na organização, esse discurso realmente se traduziu em desempenho dominante. Porém, mesmo com tanta força e controle, ele fez questão de reconhecer uma distinção essencial: wrestling para MMA não é igual ao wrestling voltado ao ouro olímpico.

O lutador afirmou que não passou anos gastando milhares e milhares de entradas para queda dupla com o mesmo foco e volume que atletas olímpicos treinam. Ele também lembrou que a última vez em que realmente trabalhou esse tipo de golpe foi há muito tempo, citando Arman Tsarukyan como referência desse período, quando o trabalho teria ocorrido de forma mais descontraída. A conclusão de Chimaev foi direta: MMA e wrestling são esportes diferentes, e o público muitas vezes não entende essa separação.

Desafio aberto no RAF: oferta de US$ 200 mil para quem topar sparring

Logo após a divulgação do acordo com o RAF, Chimaev usou o Twitter para lançar um desafio aberto. A proposta era simples: qualquer wrestler de elite que quisesse fazer sparring com ele teria uma recompensa de US$ 200 mil — com a ressalva de que deveria “sobreviver” ao encontro. A mensagem reforçou a confiança do lutador, mas também evidenciou a intenção de atrair adversários que realmente testem seu jogo fora do octógono.

Kyle Snyder reage: entende a desvantagem, mas quer sentir na prática

Kyle Snyder, por sua vez, demonstrou que sabe exatamente o que está em jogo. Na visão dele, Chimaev também estaria em desvantagem no cage do mesmo jeito que Snyder estaria nas bases de luta “mista” caso enfrentasse o rival no cenário de treino proposto.

O campeão olímpico comentou que viu o tweet sobre o sparring com um atleta olímpico e o pagamento de US$ 200 mil. Ele reconheceu que a iniciativa de Chimaev seria divertida e disse que, se um dia o encontro acontecesse, gostaria de viver essa experiência. Snyder também observou que, sem conhecer as regras exatas do sparring, não dá para cravar como seria a situação — especialmente porque, segundo ele, não teria experiência em boxe ou em jiu-jitsu para lidar com um cenário mais “misturado”. Ainda assim, a curiosidade permaneceu.

Snyder destacou ainda que Chimaev está ocupado com a preparação para Strickland e que ambos trabalham com equipes de alto nível: Chimaev treina com Coach Sam Calavitta; Snyder, por sua vez, diz que também trabalha bastante com ele. O olímpico encerrou a ideia dizendo que torce para que, em algum momento, eles possam se cruzar e, se não for para um sparring, ao menos para competirem em confronto dentro do RAF — e deixou claro que admira a mentalidade competitiva de Chimaev, caracterizada pela vontade de dominar todo mundo.

Respeito e reconhecimento: Snyder quer o duelo de wrestling, mas mantém foco no próximo compromisso

Para Snyder, o desejo de encarar Chimaev no wrestling se resume a respeito. Ele enxerga o domínio do rival no octógono, destacando como Chimaev atravessou a maior parte da concorrência com muita agressividade e controle. Ao mesmo tempo, Snyder não discorda totalmente da ideia de Chimaev sobre as probabilidades: no wrestling, a vantagem pode não ser tão favorável quanto o público imagina.

Com isso, Snyder afirmou que, por enquanto, vai manter o foco no próximo compromisso no RAF 9 e também se preparar para os Mundiais. Enquanto ele entra no ciclo de campeonatos, Chimaev segue com a preparação para Strickland no UFC 328.

Apesar disso, Snyder não descartou totalmente a chance de um dia desafiar Chimaev num confronto de wrestling. Só que, antes de qualquer tentativa, ele aconselhou o campeão do UFC na categoria a buscar mais lutas e mais experiências que façam sentido para o contexto do desafio. Para Snyder, o caminho mais lógico seria Chimaev encaixar mais combates antes de tentar algo do tipo.

Ele citou ainda a influência de pessoas ligadas ao planejamento de lutas — mencionando Izzy Martinez e Chad Bronstein como figuras que, segundo ele, são persuasivas quando o assunto é fechar matchups. Snyder exemplificou com a situação envolvendo Urijah Faber e Arman, sugerindo que, mesmo quando não havia muita empolgação inicial, a negociação acabou avançando. A leitura final foi que, se houver vontade e encaixe, esse tipo de confronto pode acabar acontecendo no futuro.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.