Atual campeão peso-médio do UFC, Khamzat Chimaev deu mais um passo fora do octógono ao assinar com a RAF, organização voltada ao desenvolvimento de habilidades, com foco especial em aprimorar seu wrestling ainda neste ano. A movimentação, porém, pode funcionar como uma porta de entrada para desafios ainda maiores — inclusive um caminho inusitado que foge do roteiro tradicional do MMA.
Antecedentes
De acordo com Alan “Finfou” Nascimento, treinador de Chimaev, existe um cenário em que o lutador pode tentar o “caminho inverso”: em vez de trocar o tatame do esporte olímpico pelo UFC, ele poderia usar o sucesso no MMA como trampolim para buscar uma medalha olímpica. O treinador citou que apenas um número pequeno de atletas chegou ao UFC depois de competir nos Jogos Olímpicos e acredita que o pupilo pode ser o primeiro a tentar a rota oposta, migrando novamente para o wrestling com o objetivo de chegar ao ciclo olímpico.
Chimaev, que agora possui cidadania dos Emirados Árabes Unidos, não tem o sonho fechado apenas no papel. “Finfou” afirmou que não descarta a possibilidade de tentar uma vaga para os Jogos Olímpicos de 2028, em Los Angeles. A ideia envolveria participar de torneios maiores, representando os Emirados Árabes, e conquistar resultados suficientes para entrar na disputa olímpica.
O treinador reforçou que, além do plano esportivo, o tema faz parte de uma motivação de longa data. “Talvez, com esses treinamentos de wrestling, ele consiga integrar a seleção nacional e até tentar as Olimpíadas, como outros atletas da Chechênia que se naturalizaram em outros lugares e viraram campeões olímpicos, por exemplo em Paris”, disse “Finfou”. Ele completou que o objetivo é possível de ser perseguido e que o apoio ao sonho é total, lembrando que a paixão do lutador pelo wrestling vem de infância, antes mesmo da transição para o MMA.
Para que a classificação olímpica aconteça, Chimaev precisaria disputar e vencer competições relevantes sob a bandeira dos Emirados Árabes. Ainda que isso exija planejamento pesado, sobretudo por ele estar ativo no UFC, “Finfou” disse que ao menos tentaria o caminho. “Se ele tiver a oportunidade e realmente estiver disposto a pagar o preço por isso, vá em frente. Tenha fé, trabalhe e siga. Ele já é campeão na maior organização de lutas do mundo. Não consigo pensar em outro esporte que exija tanto do atleta. Se ele consegue chegar nesse nível no MMA, acredito que em qualquer outra área, se for seu sonho e você realmente quiser, nenhum sacrifício vai parecer grande demais”, afirmou.
A luta
Chimaev terá o foco principal no curto prazo. Ele vai defender o cinturão dos pesos-médios no sábado, no card principal do UFC 328, contra o ex-campeão Sean Strickland. A luta está marcada para 9 de maio. Até aqui, a RAF ainda não anunciou qual será a estreia do lutador no projeto, mas “Finfou” adiantou que Chimaev deve treinar com Abdulrashid Sadulaev — medalhista olímpico duas vezes e campeão mundial seis vezes — para potencializar seu wrestling.
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Chimaev chega à defesa de título com a preparação ampliada: a ideia é usar o ciclo com a RAF e o trabalho com Sadulaev para deixar o lado de luta agarrada ainda mais afiado.
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O treinador crava que a evolução do wrestling pode dificultar ainda mais o combate contra o campeão: seus adversários terão mais problemas para evitar quedas e entradas para o controle.
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“Finfou” reconhece que a defesa de quedas de Strickland é um ponto-chave do jogo do rival, mas ressalta que o ex-campeão ainda não enfrentou, nesta divisão, alguém com o mesmo nível de especialização em wrestling de Chimaev.
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Na leitura do treinador, Strickland costuma pressionar e trocar na trocação, tentando “encostar” no oponente para neutralizar ações, e usa situações que alteram o cenário — inclusive golpes de menor impacto, mas com efeito tático — para impedir as tentativas de derrubada.
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“Finfou” também aponta detalhes de defesa que vêm das entradas: o uso do joelho para dificultar aproximações e a dificuldade de vários atletas em encurtar a distância contra o estilo do americano.
Sobre o impacto direto do acordo com a RAF, “Finfou” afirmou que a parceria deve ajudar a melhorar de forma relevante a parte de wrestling do MMA de Chimaev, deixando a técnica “bem mais afiada” do que já é atualmente. Ele ainda brincou ao dizer que gostaria que essa mudança tivesse ocorrido antes desta luta.
Para contextualizar o desafio, “Finfou” destacou números de Strickland no UFC: ao longo da carreira na organização, o americano foi derrubado 15 vezes em 17 vitórias e 7 derrotas (17-7), com um recorte de 3 a 4 lutas em que ele realmente foi controlado após ser levado ao chão. Do outro lado, Chimaev tem no wrestling sua principal arma: somou 26 quedas em nove aparições no UFC, e quase metade delas, 12, vieram na performance que lhe rendeu o cinturão contra Dricus Du Plessis em 2025.
“É um estilo bem complicado de encontrar alguém no treino que consiga reproduzir”, disse “Finfou” sobre o jogo de Strickland. Segundo ele, é exatamente aí que o rival tende a criar mais dificuldades: no geral, Strickland não muda tanto a estrutura de suas lutas. O treinador lembrou que houve um final rápido na última vez contra “Fluffy”, mas, na visão mais geral do combate, o padrão do estilo não teria se transformado de maneira tão grande — levando em conta que, na prática, não há como “sentir” o ritmo e a resposta do adversário dentro do octógono apenas observando de fora.
Na avaliação do treinador, a chave para atrapalhar as tentativas de queda de Strickland passa por vários fatores combinados, embora isso não signifique que seja algo impossível de ser rompido. “Não dá para tirar méritos dele nesse ponto”, afirmou. “Mas, ao mesmo tempo, ele ainda não enfrentou alguém nesta divisão cujo jogo principal seja derrubar — alguém com o nível de wrestling do Chimaev. Ele não encarou esse tipo de cartel ainda. Quem ele enfrentou encaixou no estilo dele: luta em pé, troca enquanto ele avança, com muita frequência a intenção é tocar o adversário para impedir que ele faça o que precisa. E às vezes ele lança golpes que não são tão potentes, mas mudam completamente a situação. É assim que ele evita quedas, levantando o joelho para impedir as entradas. Eu também acho que muitos lutadores têm dificuldade para fechar a distância contra ele. Isso foi uma das coisas que trabalhamos bastante neste camp”, concluiu.
O pós-luta
Mesmo com o foco imediato no cinturão, o treinador deixou claro que o planejamento de Chimaev vai além do UFC. A RAF e o trabalho intensivo com wrestling entram como parte de um projeto mais amplo, que pode abrir caminho para uma tentativa olímpica no ciclo seguinte, desde que as condições de classificação — com participação em torneios sob a bandeira dos Emirados Árabes — sejam cumpridas.

