Chimaev perde o cinturão no UFC 328: o que vem após a luta contra Strickland

O que parecia impossível aconteceu: Khamzat Chimaev não é mais campeão dos médios após o UFC 328. O invicto que encantava o MMA foi interrompido por Sean Strickland, e o resultado trouxe uma mudança brusca no topo da categoria de 185 libras.

Como foi a luta do UFC 328

Chimaev entrou no duelo com a postura agressiva que fez muita gente enxergá-lo como a figura mais ameaçadora do esporte. No primeiro round contra Strickland, ele conseguiu impor o ritmo que o público esperava, chegando a causar a impressão de que poderia finalizar cedo.

Porém, Strickland resistiu. Mesmo enfrentando momentos difíceis e posições que não favoreciam seu estilo, o americano suportou a pressão e manteve a luta sob controle suficiente para sobreviver ao pior da tempestade. Conforme o combate avançou, a trajetória de Chimaev no grappling não engrenou como ele precisava, e a disputa foi se aproximando de um cenário “no detalhe” nos pés, sem que o desafiante conseguisse transformar a vantagem inicial em finalização.

Resultado e impacto no cartel

Ao fim de um confronto bem equilibrado, o cinturão dos médios trocou de mãos por decisão. Strickland venceu Chimaev por decisão dividida (split decision) no sábado, no Prudential Center, em Newark, no estado de New Jersey.

  • Khamzat Chimaev (cartel: 15-1 no MMA, 9-1 no UFC) perdeu a condição de invicto e o título dos médios
  • Sean Strickland (cartel: 31-7 no MMA, 18-7 no UFC) conquistou o cinturão no UFC 328 por decisão dividida

Apesar da derrota, Chimaev não deixou a situação transparecer revolta dentro do octógono. Ele teve postura digna ao entregar a faixa ao vencedor, colocando o cinturão na cintura de Strickland. O episódio, no entanto, não teve continuidade imediata com entrevista em cena conduzida por Joe Rogan, nem com aparições regulares para a imprensa nos bastidores.

O que muda para Chimaev após a derrota

Mesmo sem ficar conversando de forma longa após o combate, o planejamento para o futuro acabou sendo indicado pelos próximos passos. A movimentação mais citada envolve o corte de peso e, principalmente, a decisão de abandonar os médios na sequência.

Na fase imediata pós-luta, a informação que circulou foi de que Chimaev indicou que não pretende mais lutar na divisão de médio a partir de agora. A narrativa da semana de eventos girou bastante em torno do corte de peso e de como seria a confirmação do peso adequado para disputar o cinturão na categoria de 185 libras — um ponto que, segundo o contexto do combate, foi determinante para o tema da semana tanto no cenário de vitória quanto no de derrota.

Com isso, o quadro que se desenha é o de uma transição para o peso-pesado leve (light heavyweight). O caminho natural, para muitos, passa por um confronto com Paulo Costa, que aparece como adversário direto e com apelo imediato para o público.

Possível confronto: Chimaev vs. Paulo Costa

  • Paulo Costa (cartel: 16-4 no MMA, 8-4 no UFC) é citado como a grande luta em potencial para a nova divisão
  • Um cenário positivo poderia colocar a disputa como válida até mesmo por um título interino na divisão de 205 libras
  • Isso ocorreria enquanto o campeão dos pesos-pesados leves, Carlos Ulberg, se recupera de uma cirurgia no ligamento cruzado anterior (ACL)

A leitura é que um duelo entre Chimaev e Costa teria mais cara de “rivalidade de verdade” do que a própria luta contra Strickland. Além disso, para Chimaev, a oportunidade também se conecta a um objetivo maior: buscar fazer história ao conquistar cinturões em duas categorias distintas. Ele perdeu no UFC 328 o cinturão, o registro perfeito e a aura de invencibilidade, mas ainda permanece como um nome capaz de entrar em grandes lutas — e subir de divisão pode ser exatamente o tipo de desafio que reacende o interesse do público.

Revanche com Strickland é improvável

Apesar de o resultado ter sido apertado, a conversa ao redor de “injustiça” nas notas pode surgir. O instinto competitivo de Chimaev certamente não combina com uma derrota desse tipo, e é esperado que ele tente encontrar argumentos para a própria versão do que aconteceu no placar.

O problema é que, do lado de Strickland, a relação construída após o combate reduz qualquer chance de revanche com clima de revanche clássica. O clima “pacífico” entre os dois teria eliminado a animosidade que costuma alimentar uma segunda luta. Com isso, a tendência é que não seja um duelo que o público encare como algo indispensável — uma revanche que, em outras circunstâncias, poderia gerar grande cobrança.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.