Conor McGregor mira retorno: o obstáculo mental para voltar ao octógono

Conor McGregor vai precisar superar um obstáculo mental importante ao tentar voltar após uma lesão grave, justamente para voltar a competir em alto nível no UFC.

Ficha técnica

  • Resultado/Confronto: Conor McGregor x Max Holloway — luta principal do UFC 329
  • Retorno após lesão: McGregor não lutava desde a lesão na perna, ocorrida em 2021
  • Cartel (MMA/UFC): McGregor (22-6 no MMA, 10-4 no UFC) e Holloway (27-9 no MMA, 23-9 no UFC)
  • Data e local: 11 de julho, T-Mobile Arena, em Las Vegas
  • Categoria: welterweight (meio-médio) — mudança em relação ao primeiro encontro

Lesão em 2021 e intervalo de cinco anos

McGregor chega ao retorno depois de quebrar a perna em uma derrota por nocaute técnico (TKO) para Dustin Poirier, em julho de 2021. Desde aquele combate, o irlandês não subiu ao octógono. Agora, após um hiato de cinco anos longe das lutas, ele enfrentará Max Holloway no main event do UFC 329, em 11 de julho, na T-Mobile Arena, em Las Vegas.

A partida terá transmissão pelo Paramount+, e marca um reencontro de estilos em um momento delicado para McGregor, que busca voltar com a mentalidade ajustada para lidar com cenários inesperados — principalmente aqueles que envolvem lesões.

McGregor planeja “por trás” o pior e o melhor cenário

Ao falar sobre o processo de preparação, McGregor destacou que a volta do atleta após uma fratura pode alterar o desempenho, lembrando que nomes como Anderson Silva e Chris Weidman não ficaram exatamente os mesmos depois de fraturarem a perna. Ainda assim, o lutador afirma que trabalhou para estar pronto para qualquer desdobramento dentro do octógono.

Segundo McGregor, com mais experiência, ele tem feito um planejamento “ao contrário”, começando pelo cenário ideal e também preparando respostas para o pior caso. Ele descreve, por exemplo, uma situação em que o plano perfeito seria nocautear o adversário com um grande golpe de mão — o tipo de final que faz a torcida explodir —, mas contrapõe isso com um cenário de ruptura física no meio do primeiro round, como uma luxação no ombro.

O irlandês detalhou a linha de raciocínio: se o ombro sair no decorrer do combate, quais seriam os mecanismos e quais ajustes ele faria imediatamente. Ele citou a possibilidade de a luxação ocorrer no ombro da frente no início do combate, questionando como reagiria, se mudaria a guarda e se buscaria uma transição para as costas. Na visão dele, a preparação não é ficar remoendo possibilidades negativas, e sim ter um “arsenal” mental pronto para responder caso algo saia do planejado.

McGregor também explicou que, se um segmento do corpo “falha” — como tornozelo, joelho ou ombro — a luta não está automaticamente encerrada. Para ele, o combate só termina quando o oponente impõe a situação final; caso contrário, ainda existe caminho para resistir, sobreviver ao momento crítico e encontrar condições para vencer. Ele afirmou que, conforme ganhou experiência, foi refinando esse método de planejamento: partir do pior cenário, caminhar em direção ao melhor e focar na preparação para o desfecho desejado, de modo a ter respostas para qualquer evento que possa acontecer durante a luta.

Underdog e mudança de categoria em relação ao primeiro encontro

McGregor chega como grande azarão contra Max Holloway. As duas estrelas também terão uma diferença importante em relação ao primeiro duelo entre eles: o combate original, em agosto de 2013, aconteceu na categoria dos penas (featherweight). Naquela ocasião, o irlandês venceu Holloway por decisão unânime.

Agora, ambos voltarão a se enfrentar com a luta marcada em welterweight (meio-médio), abrindo um novo capítulo para um confronto que, apesar do histórico de McGregor no topo, exigirá ainda mais controle emocional e adaptação técnica diante de um adversário de elite como Holloway.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.