Robelis Despaigne provoca Francis Ngannou e desafia para nocaute no octógono

Robelis Despaigne colocou o ex-campeão dos pesos-pesados do UFC, Francis Ngannou, no radar — e não economizou na ousadia ao fazer um chamando direto para um confronto entre os dois. A ideia surgiu depois que ambos venceram por nocaute no primeiro assalto em suas respectivas lutas no evento inaugural de MMA promovido pela MVP, que teve transmissão ao vivo pela Netflix neste sábado.

Despaigne, medalhista de bronze no taekwondo nos Jogos Olímpicos de 2012, quer “duelar” com Ngannou após estrear com vitória rápida. O cubano, que chegou ao cartel de 6-2, finalizou o ex-campeão do UFC Junior dos Santos ainda no primeiro round. Do outro lado, Ngannou manteve o ritmo e ampliou seu cartel para 19-3, ao nocautear o veterano Philipe Lins também no primeiro assalto.

Antecedentes

Na coletiva de imprensa pós-luta do MVP MMA 1, Ngannou foi provocado sobre o chamando feito por Despaigne. A resposta do camarão foi curta e positiva: “Por que não?”. Embora não tenha soado como um “sim” definitivo, a postura animou o brasileiro/cubano (conforme o contexto do evento) Despaigne, que acredita ter chances de conseguir esse confronto na sequência.

Em entrevista concedida em espanhol ao programa Hablemos MMA, Despaigne comentou que percebeu abertura no que ouviu do ex-campeão. Ele destacou que Ngannou não recusou a luta e que o foco do lutador segue sendo outro grande objetivo, deixando claro que isso pode interferir no timing do possível duelo com Jon Jones.

“Todo mundo sabe que o Francis é um atleta muito humilde, e eu achei bons aqueles comentários. Ele não recusou nada, não falou ‘não’ pra luta. A gente sabe qual é o principal sonho dele, que todo mundo também está esperando: a luta com ele e Jon Jones. Eu espero que o UFC não solte o Jon Jones tão cedo, para esse confronto acontecer”, afirmou Despaigne.

Ngannou e Jon Jones miram um encontro há anos. Mesmo assim, a concretização ainda parece distante: Jones ainda tem seis lutas restantes dentro do contrato com o UFC, e o histórico da organização indica que dificilmente libera estrelas no meio do acordo. Além disso, a tendência é que o UFC não se envolva em formatos de co-promoção com frequência.

A luta

Apesar de Ngannou ter sido muito mais favorito em sua luta do que Despaigne era na dele — considerando também o contexto do duelo de cada um no card — o tempo total de combate de Ngannou acabou durando mais do que o de Despaigne. O cubano admitiu surpresa pelo número de minutos, mas afirmou que não ficou desacreditado com o desfecho.

  1. Despaigne comentou que, por um instante, imaginou que a luta pudesse avançar para o segundo round — mas reconheceu que o poder de Ngannou faz com que um desfecho rápido esteja sempre no horizonte.

  2. Ele ressaltou que sabia que bastaria um único golpe para encerrar a disputa, independentemente de qual mão viesse a finalização.

  3. Mesmo levando mais tempo do que muita gente esperava, Despaigne afirmou que o resultado era previsível, dado o impacto dos nocautes envolvendo Ngannou.

“Por um momento eu pensei que a luta fosse chegar ao segundo round, mas a gente sabe do poder que o Francis carrega. Eu sabia que ele precisava de apenas um golpe pra terminar — fosse com a mão que fosse — e foi isso que aconteceu no final. Demorou um pouco mais do que o pessoal imaginava, mas o resultado era esperado”, disse Despaigne.

O cubano também fez uma avaliação técnica do que viu em Ngannou. Ele afirmou que considera a parte de trocação do rival muito alta e que, ao longo dos anos, a evolução ficou evidente. Para Despaigne, a apresentação deste sábado confirmou a percepção.

“É muito bom. Se você vê ele agora, ele está usando chutes, tentando acertar tanto baixo quanto alto, e fazendo isso bem. Ele também chuta com muita força. Eu vi ele aplicar um chute baixo e isso fez o Lins cair. Contra o Renan (Ferreira) ele fez a mesma coisa. A gente já sabe como é o nível de boxe dele. Ele já enfrentou Tyson Fury e Anthony Joshua, e o boxe dele estava bem. Além do mais, o poder é absurdo. Ele vem ganhando experiência e virando um lutador mais completo”, avaliou Despaigne.

Na visão do cubano, há um motivo que vai além de prêmios e títulos. Ngannou não perdeu desde que deixou o UFC como campeão, e segue sendo apontado por muitos como o melhor peso-pesado do mundo. Ainda assim, Despaigne acredita que oferece algo que nenhum outro oponente conseguiu colocar na mesa diante do ex-campeão.

  1. Despaigne apontou que Ngannou enfrentou lutadores muito “parados”, e que ele, ao contrário, tem um estilo que se move mais — exatamente o que ele acredita ser a chave para buscar a vitória.

  2. Ele também mencionou que possui poder de nocaute, ainda que talvez não tanto quanto o adversário, mas com capacidade para impactar em alto nível na divisão.

  3. Por fim, afirmou que vê esse poder como um caminho para ter sucesso contra Francis.

“Ele enfrentou oponentes que são bem parados; eu me mexo bastante, e eu sei que isso vai ser meu diferencial pra conseguir a vitória. Eu também tenho, talvez não tanto quanto ele, mas eu também tenho poder de nocaute. Você precisa ter esse poder no topo da categoria. Eu acho que uma das vias pra ter sucesso contra o Francis é justamente essa”, explicou Despaigne.

O pós-luta

Despaigne e Ngannou compartilham um detalhe que chama atenção: ambos têm alguns dos tempos médios de combate mais curtos do MMA, justamente por acumularem vitórias por nocaute logo no primeiro assalto. Se os dois se enfrentarem, para Despaigne, a tendência é que os juízes sequer sejam necessários.

Ao ser perguntado se um possível confronto poderia terminar nas mãos dos jurados, Despaigne foi direto: “Não existe chance. Vai ser muito difícil essa luta chegar à pontuação do juiz. Eu acho que desde o começo já vai ser isso: vamos ver quem consegue nocautear quem. Eu penso que seria muito difícil essa luta passar de cinco rounds”.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.