Aiemann Zahabi promete trocar “fora do padrão” e ameaçar Sean O’Malley no UFC

O canadense Aiemann Zahabi acredita que sua maneira incomum de atuar no boxe e no trocação será mais eficiente do que o estilo de Sean O’Malley no confronto que marca o UFC Freedom 250. O lutador, que vem construindo uma imagem de “striker fora do padrão”, aposta que a diferença não está só nas técnicas, mas principalmente na forma de combinar repertórios para tirar proveito dentro do octógono.

Zahabi (14-2 no MMA, 8-2 no UFC) vai encarar o ex-campeão dos galos Sean O’Malley (19-3 no MMA, 11-3 no UFC) no dia 14 de junho, em evento que será realizado a partir da Casa Branca, em Washington, D.C. A transmissão está prevista para o Paramount+.

O’Malley vê a afirmação de Zahabi de que ele é um trocador superior como uma estratégia de “desvio” para confundir antes do combate, mas o próprio desafiante explica o que quis dizer ao comparar estilos.

O que Zahabi entende como vantagem no trocação

“Existem formas diferentes de enxergar o trocação”, disse Zahabi. Para ele, a leitura de O’Malley se apoiaria na ideia de que, para vencer, seria necessário ser um striker extremamente “limpo” e tradicional. Zahabi, porém, discorda: segundo o canadense, a vitória não depende necessariamente de parecer com um lutador clássico de uma única modalidade.

O desafiante reforça que seu estilo não segue um molde visível. “A minha trocação não é tradicional no sentido de que eu não pareço um lutador de caratê. Eu não pareço um kickboxer, não pareço um boxeador e também não pareço um lutador de muay thai. Eu vejo como uma mistura de tudo isso”, afirmou.

Na visão do atleta, a chave está em transformar elementos de várias artes marciais em algo “funcional” para o combate. “Meu estilo é mais um Frankenstein. Eu pego o que eu gosto do muay thai, pego o que eu gosto do boxe, pego o que eu gosto do taekwondo, do caratê, e eu junto isso para deixar com cara de luta de verdade. Não precisa ser bonito, não precisa caber no padrão que as pessoas esperam de mim, e eu sinto que é aí que está minha vantagem”, completou.

Zahabi ainda citou o histórico de sparrings para justificar a confiança. “Eu treinei com um milhão de caras parecidas com ele, mas ele não treinou com um milhão de caras iguais a mim, porque ninguém tem exatamente a mesma ‘construção’ que eu trouxe para o trocação”, afirmou.

Chegada para o confronto e comparação de desempenhos

Zahabi chega ao compromisso depois de uma vitória por decisão dividida sobre Marlon Vera, em outubro do ano passado. Naquela luta, o canadense quebrou o osso do antebraço durante o combate, mas conseguiu administrar o desafio até o fim.

Do outro lado, O’Malley também vem de vitória recente sobre “Chito”. Ao analisar as atuações, Zahabi diz que enxerga diferenças importantes entre o que viu contra Vera e o que observou no combate do adversário com o mesmo oponente.

“Eu sinto que ele pode cansar nessa luta”, comentou Zahabi sobre O’Malley. Para o lutador, o rival estaria subestimando a pressão que pretende impor, além da capacidade de controlar o espaço e “cortar o octógono” para limitar ângulos e saídas.

Zahabi afirmou que assistiu ao duelo de O’Malley contra “Chito” e destacou um ponto específico: “Ele não conseguiu colocar o ‘Chito’ na grade. Eu sinto que o ‘Chito’ que ele enfrentou na segunda vez foi diferente do ‘Chito’ que eu enfrentei”.

Na comparação, Zahabi explica que, no seu encontro com Vera, o adversário teria buscado escapar e se movimentar com mais liberdade, enquanto na luta de O’Malley o “Chito” teria ficado mais parado, permitindo ao americano entrar e sair com mais dinâmica.

  1. Em sua luta com “Chito”, Vera teria mostrado disposição para fugir, mexer os pés e criar movimentação contínua.
  2. No combate de O’Malley contra “Chito”, o adversário teria se mantido mais firme no lugar, o que teria facilitado a entrada e a saída do campeão interino/estrela em ascensão, sem dar tanto espaço para resposta.
  3. Zahabi lembra que, quando ele avançou sobre “Chito”, o lutador recuou, o que teria impedido que Zahabi conectasse os mesmos ataques que O’Malley aplicou.

Com esse raciocínio, Zahabi transforma a análise em recado para o confronto: para ele, a forma como O’Malley controlará o ritmo e o posicionamento pode não ser suficiente diante da pressão e do controle de espaço que ele pretende impor no UFC Freedom 250.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.