Jordan Leavitt chamou atenção durante a International Fight Week ao circular pelo UFC X com um visual marcante, cheio de tons vibrantes de laranja, amarelo e rosa, com um toque “disco” e um sorriso enorme que combinava com a própria personalidade. Pouco menos de um mês havia passado desde sua volta ao octógono — e desde a vitória sobre Kurt Holobaugh, que veio de forma dominante em apenas 99 segundos —, mas o impacto do resultado ainda parecia não ter sido totalmente assimilado pelo lutador.
Virada de mentalidade e estreia no peso
Em conversa realizada em Las Vegas, cidade natal de Leavitt, o americano falou sobre uma mudança importante que começou após sua derrota para Chase Hooper, ocorrida quase 600 dias antes — e pouco tempo antes do nascimento de sua segunda filha. Segundo ele, a forma como passou a encarar as perdas envolveu a construção de um “mecanismo de defesa” para diminuir o peso do revés, além de uma postura que, para ele, nunca foi de se elogiar pelo que conquistou. A ideia era explicar suas vitórias como resultado de sorte e de adversários em um dia abaixo.
Antes do combate contra Holobaugh, tudo teria mudado, e o desempenho no duelo refletiu essa nova fase. Em fevereiro, “The Monkey King” estreou na categoria dos penas em Houston e voltou a apresentar um nível alto: venceu Yadier del Valle por decisão unânime, causando o primeiro revés da carreira do rival.
Como foi o corte e a adaptação aos 145 lb
Já se preparando para sua segunda luta no peso leve dos penas neste sábado, Leavitt comentou como se sente em relação à rotina de corte. Ele afirmou que, ao contrário do que imaginava, está “bem melhor” agora e que, se alguém tivesse dito a ele que estaria mais magro, comendo menos e treinando forte, ele não teria acreditado. De acordo com o lutador, o corte teria sido o mais fácil que ele já enfrentou no UFC, com apenas 0,8 libra a menos no dia da pesagem, algo que ele atribuiu à organização: “fazer tudo certo” para chegar no limite sem improvisos.
Para Leavitt, a mudança de divisão funciona como mais um sinal de que a transformação na maneira de pensar e de se aproximar dos desafios antes do confronto contra Holobaugh realmente “pegou”, alterando a forma como ele se enxerga e como enxerga a própria carreira.
Autoconfiança: de “não dar crédito” para assumir o que conquistou
Embora atletas troquem de categoria por diversos motivos, Leavitt descreveu que existe algo mais profundo por trás do jeito leve com que ele abordou a mudança de peso e suas consequências. Ele começou falando do lado estético e do que passou a sentir no corpo. Na visão dele, antes a aparência lembrava um pai que joga vôlei aos fins de semana; agora, ele diz que parece e se sente mais como um atleta.
O lutador também ressaltou a sensação de leveza e a melhora no rendimento diário. Ao falar sobre consistência, ele afirmou que, com a alimentação mais regular e uma rotina mais estável, a energia fica “normal” ao longo da semana. Ele ainda relembrou como foi o último corte para a divisão: no “55” (última vez em que trabalhou para chegar ao peso), ele teria feito a meta comendo porções específicas, como porções de carne e salgadinhos de porco para cada refeição, seguido de duas horas de suor e, então, a finalização do trabalho até o momento de encarar Holobaugh.
Ao resumir a evolução, Leavitt foi direto: mesmo admitindo que aquele processo não teve nada de “profissional”, ele disse que agora está saudável o suficiente para bater os 145 lb e que, pela primeira vez, considera estar atuando como atleta de alto nível.
Ele também explicou por que essa aceitação de si próprio tem um peso tão grande: para ele, não dá para fingir autoconfiança e conforto real. O que muda de verdade aparece no comportamento, e ele diz que está vivendo isso no momento em que se prepara para sua segunda aparição na categoria dos penas.
Apesar de continuar sendo expansivo, brincalhão e rápido para sorrir — algo que o coloca como uma figura única no elenco do UFC —, Leavitt afirmou que ganhou confiança de modo genuíno. Ele passou a se dar mais crédito pelas conquistas, o que, por consequência, teria aumentado a disposição competitiva e a ambição dentro do octógono.
“Não sou só o cara simpático”: a leitura sobre o próprio momento
Quando questionado sobre como as pessoas enxergam sua fase atual, Leavitt disse que não se vê apenas como “o cara simpático” e que não é “um sujeito normal que luta”. Na visão dele, se fosse realmente uma pessoa comum, não estaria no UFC.
Ele também comentou que, por medo, não reconhecia quem ele era e o quanto já havia feito. Segundo o lutador, ele sempre diminuía os próprios feitos, lembrando que menos de 1% das pessoas chegam ao UFC e que, em média, os atletas têm menos de duas lutas na organização. Ainda assim, ele afirmou estar na décima luta no UFC, citou três bônus na carreira e disse que coleciona vitórias por finalização e momentos marcantes, além de ter enfrentado um combate bastante divulgado. Tudo isso, na avaliação dele, somado à própria idade — ele completou 31 anos — cria a sensação de que muita coisa ainda está apenas começando.
Leavitt acrescentou que recebe elogios e respeito de outras pessoas, o que ele considera positivo, mas a parte mais importante é o respeito que ele passou a ter por si mesmo. Ele afirmou que deixou de ter vergonha ao ver vídeos de situações “bobalhonas” como forma de lidar com a própria pressão no passado, tratando isso como um mecanismo para diminuir o tamanho do que fazia em prol do desenvolvimento dentro do esporte.
Na conclusão, ele descreveu o sentimento de se observar no espelho e enxergar o lutador — não “o cara que por acaso luta”.
Intensidade, ambição e a promessa de dominar o próximo desafio
Com essa nova aceitação de quem ele é e do que conquistou, Leavitt disse que a intensidade e a ambição para transformar sonhos em realidade dentro do octógono cresceram.
Ele relembrou um momento de encruzilhada em que poderia ter usado as dificuldades como desculpa, enxergando a adversidade como um limite para o melhor desempenho. Para ele, porém, a decisão foi interpretar a adversidade como algo positivo. Leavitt afirmou que gosta de falhar e que a “luta” faz com que ele descubra quem é. Agora que ele se conhece melhor — como pessoa e como lutador —, ele acredita que os adversários vão sofrer com isso.
O lutador declarou esperar que a divisão dos penas esteja em oração, pois diz que “chegou”. Ele citou seu retrospecto: 5-0 na carreira na categoria e 13-3 no total. Leavitt afirmou que todos têm sonhos e metas grandes, mas que uma parte deles não vai acontecer, e que isso não é necessariamente algo ruim. Na sequência, ele reforçou a ideia de que, para tomar o que quer, é preciso ir até lá e arrancar do adversário, prometendo lutar com tudo.
Ao justificar a própria postura, ele disse que antes pensava em “quão sortudo” era por tudo estar acontecendo para ele. Agora, sua leitura mudou: “nada aconteceu comigo — eu que aconteceu”. Para Leavitt, a vida dele é reflexo do trabalho feito e das coisas vividas, e ele afirma que assume tanto falhas quanto acertos. Ele concluiu que é assustador, mas sem desculpas e com conforto com a própria responsabilidade.
Preparação para o UFC neste sábado: confronto com Joanderson Brito
Neste fim de semana, em uma edição do card na Meta APEX, Leavitt volta ao octógono com uma versão renovada de “The Monkey King” para buscar mais uma afirmação. O adversário será o brasileiro Joanderson Brito, que encerrou uma sequência negativa de duas lutas ao vencer Isaac Thomson por decisão unânime no último evento do ano de 2025.
Leavitt se mostrou animado com o duelo por entender que Brito tem características que tornam o combate difícil. Ele descreveu o rival como alguém que “joga no modo gamer”: que chega rápido, pressiona o oponente, tenta impor o próprio plano de jogo e traz intensidade. Para o americano, não é um tipo de desafio que aparecia com frequência havia alguns anos, já que, segundo ele, a maioria dos adversários anteriores vinha com perfis de grappling com altura e envergadura, ou lutadores mais completos.
O lutador afirmou que sabe exatamente o que Brito deve tentar: pressão constante, mão direita forte, chute de direita forte e um volume alto com personalidade. A estratégia de Leavitt, de acordo com ele, é diminuir o brilho do plano do brasileiro. Ele disse que vai tentar impedir o que Brito pretende executar e acredita que isso deve acontecer.
Na descrição do “cenário perfeito”, Leavitt disse que quer que tudo comece rápido, a partir do momento em que encostarem as mãos. Ele quer implementar seu plano desde o início, evitando um combate de vai e vem. A meta seria deixar claro já no primeiro minuto que se trata de uma luta de Jordan Leavitt — com controle e imposição.
Ao imaginar o desfecho, ele projetou uma vitória, orgulho da própria atuação e, em seguida, comemorar o aniversário com cheesecake. Por fim, o lutador afirmou que, depois disso, vai observar o que o futuro reserva.
