Anthony Smith acredita que o cinturão interino “de fato” do peso-meio-pesado do UFC, hoje nas mãos de Carlos Ulberg, ainda está relativamente seguro — pelo menos por enquanto. O motivo é a combinação entre o cenário da categoria e a forma como a organização costuma lidar com janelas de recuperação longas após cirurgias importantes.
Carlos Ulberg: o título conquistado e a lesão que muda o cronograma
Ulberg chega ao momento atual com um cartel de 14-1 no MMA e 10-1 dentro do UFC. No UFC 327, o lutador viveu a mistura de êxtase e sofrimento ao nocautear Jiri Prochazka de maneira explosiva e conquistar o cinturão vago dos meio-pesados. A conquista, porém, veio acompanhada de um problema físico severo: uma lesão no ligamento cruzado anterior (ACL) durante a luta.
Após o evento, Ulberg já passou por cirurgia no joelho em Las Vegas para reparar o dano. O atleta espera retornar “em bom tempo”, indicando que a recuperação deve ser acompanhada de perto pelo departamento médico e pelo planejamento de lutas do UFC.
É provável abrir mão do cinturão? Anthony Smith aposta em um caminho alternativo
Smith pondera que, pela média do tempo de recuperação para uma reconstrução do ACL, o intervalo habitual costuma ficar entre nove e 12 meses. Na divisão, há histórico recente de campeões que perderam o ritmo após lesões graves logo após conquistarem o ouro — como foi o caso de Jiri Prochazka e Jamahal Hill, que acabaram abrindo mão do cinturão em situações parecidas.
Mesmo assim, Smith entende que este cenário pode seguir por outra rota. Para ele, a tendência é o UFC evitar uma decisão precipitada e observar quem realmente surge como força principal dentro do ranking e da prateleira de “top contenders” no período em que Ulberg estiver fora.
O que Smith imagina para o UFC: interim só se o tempo continuar apertando
Além da lesão, Anthony Smith aponta duas variáveis que, no entendimento dele, favorecem a permanência do título com Ulberg: a categoria no momento não tem um nome que se destaque com nitidez como desafiante inevitável e, ao mesmo tempo, não existe um grande “buraco” no calendário que obrigue a criação imediata de uma luta emergencial pelo cinturão.
- Sem um quadro claro de quem colocaria diretamente na disputa emergencial, a tendência é o UFC deixar os principais nomes se enfrentarem para definir quem são os dois mais credenciados.
- Se, depois de algumas lutas, Ulberg ainda precisar de mais tempo — algo na faixa de mais seis ou sete meses — aí sim faria sentido discutir a criação de uma disputa interina.
- A leitura geral de Smith é que a organização não está com pressa para promover um “interim” agora no peso-meio-pesado.
Em sua análise, ele reforça que o UFC provavelmente vai preferir que a divisão “se organize” primeiro no octógono, com uma sequência de lutas para separar os melhores. Só depois, caso o retorno de Ulberg siga distante, a decisão poderia mudar.
Opções na divisão e a hipótese de Alex Pereira voltar ao meio-pesado
Smith também avalia que, com muitos integrantes do top 10 lesionados ou vindo de derrotas, o UFC pode ter dificuldade para montar uma vitrine forte de desafiante imediato. Ele enxerga Paulo Costa como um nome que pode pesar bastante nos próximos passos, já que o brasileiro venceu de forma relevante no UFC 327.
Contudo, Smith cita um fator extra que pode bagunçar o tabuleiro: a decisão de Alex Pereira de subir para o peso-pesado para enfrentar Ciryl Gane no UFC Freedom 250, em 14 de junho — exatamente o contexto que levou à luta entre Ulberg e Prochazka.
Se os resultados não saírem como Pereira espera no peso-pesado, Smith acredita que “Poatan” pode mirar um retorno ao meio-pesado assim que Ulberg estiver recuperado. O raciocínio do analista é que o brasileiro dificilmente ficaria parado após uma eventual derrota, e que Ulberg seria um adversário que exige cuidado especial.
Smith resumiu a ideia dizendo que Pereira não vai “sumir” após um revés e que, caso a situação não se resolva bem, ele pode enxergar uma oportunidade imediata. Para o americano, Ulberg é um confronto duro para qualquer um — e está entre os poucos nomes da divisão que, ao olhar o match-up, passam a sensação de que é “uma luta complicada”.
Próximos passos e onde acompanhar mais comentários
Para ouvir mais da avaliação de Anthony Smith, a conversa completa está disponível em sua participação no podcast “The Bohnfire”, com o repórter Mike Bohn.

