Jared Gordon quer “fazer um recado” no octógono após derrota para Rafa Garcia

Jared Gordon não tinha intenção de falar nada. Ele preferiu colocar o corpo em ação, entrou no octógono no Noche UFC em San Antonio, no mês de setembro passado, e após uma atuação corajosa foi interrompido por Rafa Garcia. A ideia era deixar o resultado falar por si — mesmo com tudo o que aconteceu antes e durante aquele compromisso.

O cenário, porém, ganhou outro peso quando o técnico de Rafa Garcia, Cub Swanson, foi até Gordon depois da luta. A conversa teria começado com uma abordagem discreta, quase como quem checa se está tudo bem, mas também com a confirmação de que algo não parecia correto com o lutador antes de ele entrar na jaula. Mesmo assim, Swanson teria deixado claro que não pretendia comentar o que viu com o próprio atleta.

“Eu não ia dizer nada, mas Belal falou”

Segundo Jared Gordon, a decisão de expor o caso ganhou força depois de uma publicação feita por Belal Muhammad. O lutador explicou que não pretendia revelar qualquer detalhe, mas que o antigo campeão dos meio-médios já havia tornado público que Gordon teria sido atingido por um carro antes do combate.

“Eu não ia falar nada, mas o Belal postou isso para o mundo que eu tinha sido acertado por um carro antes da luta”, disse Gordon, balançando a cabeça ao comentar que a informação acabou se tornando “pública”. O atleta resumiu: “A informação já tinha vazado”.

Gordon revelou que, na manhã de sexta-feira após a pesagem, um motorista manobrou o carro em um estacionamento, sem perceber a proximidade do veterano, e acabou atingindo o lutador. Ele afirmou que, no instante em que foi atingido, já entendeu que havia algo errado.

“Sim, eu estava com uma lesão de grau 1 no MCL e no ACL, mas eu senti que ainda dava para vencer e quase consegui”, declarou. “Foi uma luta excelente. Eu estava machucado; é isso. Teve outras coisas também: eu precisava de cirurgia no ombro por oito meses antes dessa luta. Eu só trabalhei em cima, fiquei com dor o camp inteiro, e o Rafa fez um ótimo trabalho. Eu não quero tirar nada do mérito dele.”

“É o plano de Deus. Tudo acontece por algum motivo, e eu estou aqui agora, lutando contra o Jim Miller num card enorme — provavelmente o maior do ano até aqui — então é isso”, completou.

Gordon volta ao “terreno antigo” no card do UFC 328

O compromisso deste fim de semana com Jim Miller no UFC 328 leva Jared Gordon de volta a uma região que ele conhece bem. Natural de Queens, o lutador retorna para as proximidades do que chama de suas “antigas bases”, já que será a primeira vez que ele luta em Nova Jersey desde o triunfo no CFFC 63 sobre Bill Algeo — luta que acabou sendo a última dele no circuito regional.

Gordon também relembrou os períodos treinando em Nova York e competindo no circuito regional do litoral leste, destacando que, embora a caminhada tenha trazido bons frutos, o caminho não foi simples. Ele afirmou que enfrentou problemas relacionados ao vício antes de iniciar um processo que hoje já dura mais de uma década: a sobriedade contínua começou em 27 de dezembro de 2015.

“Faz bem, parece casa. Eu sou grato”, disse Gordon. “Eu sou obviamente orgulhoso de mim mesmo e muito grato pela minha jornada. Eu não mudaria nada disso. Por ter feito o que fiz na organização, eu consegui construir uma marca, fazer parcerias com empresas diferentes, fechar apoios e trabalhar com alguns grupos. E também vão surgir outras coisas no futuro por causa da minha ligação com o UFC, então isso significa muito.”

“Meu esforço está dando resultado e eu acredito que o melhor ainda está por vir”, acrescentou.

A motivação agora tem rosto: filha e família

Mesmo quando os resultados não saem exatamente como ele gostaria em termos de consistência, Gordon argumenta que ainda enxerga dias grandes na própria carreira. Antes da derrota para Rafa Garcia, ele havia emplacado uma vitória por nocaute sobre Thiago Moises, brigado ponto a ponto em um combate de três rounds contra Nasrat Haqparast — um confronto que poderia ter pendido para qualquer lado — e ainda comemorado em Nova York com uma atuação dominante no primeiro round diante de Mark Madsen no Madison Square Garden.

Além dos fatores técnicos e do preparo, o lutador de 37 anos disse que foi impulsionado pela chegada da filha no ano passado. De acordo com ele, a presença da criança virou o principal motor do foco e da disciplina quando chega a hora de entrar no octógono.

“Toda a pressão caiu porque não é mais sobre Jared. Agora é sobre meu bebê e minha família”, afirmou. “Quando a pressão aparece, não importa, porque eu tenho que seguir em frente. Eu tenho essa princesinha em casa que precisa que o pai dê conta, entende?”

Gordon ainda reforçou a ideia de que, mesmo diante de cenários que seriam devastadores para qualquer atleta, a prioridade é continuar:

“Eu posso ser atingido por um carro, posso ser acertado de novo com uma cabeçada, posso ser roubado numa decisão — as piores coisas do mundo podem acontecer comigo — mas não importa, porque eu tenho que seguir. Eu tenho que ir para frente”, disse, com um sorriso. “Ter que lidar com tudo isso ficou mais fácil… não é sobre estar no holofote, ‘quero ficar famoso, preciso que as pessoas aplaudam’. Nada disso importa. Isso torna mais fácil e melhor trabalhar pesado e fazer todo dia o que eu não quero fazer. Eu fiz vários ajustes para esta luta e para a minha vida em geral, e eu sei que vai valer a pena. Todo mundo vai ver no sábado à noite.”

Jim Miller como adversário, não como referência emocional

Gordon também deixou claro que, embora seja especial dividir o card com Jim Miller — atleta que detém o recorde de mais aparições e vitórias na história do UFC —, naquele momento a história é outra: não é para pensar no tamanho do nome do adversário, e sim para provar valor e trazer uma vitória para casa.

“É muito legal — ele é um grande nome, uma lenda do esporte, tem mais vitórias no UFC, mais lutas no UFC, já enfrentou todo mundo”, disse Gordon sobre Miller. “Eu respeito ele, mas eu não me importo com isso agora. O foco é a minha família. Eu tenho um bebê em casa, tenho minha esposa, eu tenho um cachorro. Eu tenho tudo isso aqui. No fim, ele é só mais um adversário.”

“Eu sei que eu sou do nível do Top 15. Eu sei disso, e eu vou mostrar no sábado à noite”, concluiu.

Vitória “com impacto” é o que Gordon quer

Para Jared Gordon, a missão diante do octógono é objetiva: resolver dentro da distância. O lutador afirmou que quer construir uma vitória convincente, não apenas administrar resultado.

“Eu preciso vencer de forma enfática. Eu realmente acredito que é assim que tem que ser”, declarou. “Ganhar por decisão é ótimo — eu ganhei — mas eu preciso fazer um recado. Eu tenho que deixar claro.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.