Aspinall x Gane: drama do olho “cansa” fãs e Gane minimiza clima no UFC

Tom Aspinall passou os últimos seis meses reclamando das “unhas nojentas” do rival de categoria, o peso-pesado Ciryl Gane. A provocação ganhou força após um episódio que, para muitos, teria sido até proposital: um golpe com o dedo no olho que deixou o campeão dos pesados sem condições de seguir durante o combate principal do UFC 321, realizado no fim do ano passado, em Abu Dhabi.

Com o clima de guerra de palavras em alta, Gane respondeu às críticas. Em entrevista, o francês afirmou que a estratégia de comunicação do adversário foi “bem ruim” e que, hoje, ele espera que um suporte profissional ajude Aspinall a melhorar o jeito de se expressar, já que, na visão de Gane, isso teria ficado “catastrófico”. O peso-pesado ainda comentou que, em algumas situações, seria melhor não falar demais, lembrando que certos acontecimentos fazem parte do esporte: “Às vezes é melhor nem dizer nada. Essas coisas acontecem. Não precisa exagerar, aumentar a história”. Ele também ironizou o modo como Aspinall teria reagido ao episódio: “O cara ficou fazendo ‘ahh, ahh’, como se não conseguisse mais dirigir”.

Na sequência, Gane detalhou sua leitura do caso e afirmou que Aspinall teria atribuído ao golpe no olho consequências como visão dupla, tontura e até uma suspensão temporária para dirigir. O francês, porém, disse que a conversa perdeu o sentido em determinado momento, destacando que o rival teria passado muito tempo tentando criar acusações sobre coisas que ele não soube explicar: “Ele falou um monte de coisas e passou tanto tempo tentando me acusar de sabe-se lá o quê. Em algum ponto, já não fazia mais sentido”.

Gane ainda sugeriu que até parte do próprio público de Aspinall teria demonstrado exaustão com o desenrolar: “Talvez até os fãs dele pensassem: ‘Ué, cara, já deu. Relaxa. Essas coisas acontecem. A gente está com você, mas você precisa se acalmar um pouco’”. Por fim, o lutador reforçou que não teria sido afetado pelo episódio e minimizou o peso do que é dito fora do octógono: “Mas foi essa a comunicação dele. Eu não fui afetado em nada. Mídia social é secundária”.

Enquanto a briga verbal segue, a disputa esportiva do cinturão passa a ser o foco. A faixa dos pesos pesados, que pesa 265 libras, também deve ficar em segundo plano na volta de Gane ao octógono. No próximo mês, em Washington, DC, “Bon Gamin” enfrenta o ex-campeão dos meio-médios e dos meio-pesados, Alex Pereira, em duelo válido pelo título interino da categoria, no coevento principal do UFC White House.

O vencedor do confronto é considerado o provável nome para unificar os cinturões contra Tom Aspinall em algum momento mais adiante ao longo do ano, já que o campeão tem retorno previsto. Antes disso, Aspinall já havia retomado a preparação: em março, ele voltou a treinar em “nível leve”.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.