GSP pressiona por reajuste no pay: “ônus” deve cair nos grandes nomes do UFC

O Hall da Fama do UFC Georges St-Pierre defendeu uma mudança no pagamento aos atletas e disse que o ônus precisa recair sobre os principais nomes do esporte na atualidade. O ex-campeão, que dominou duas categorias no maior evento do MMA, sustenta que a discussão sobre “lutador bem remunerado” não pode ficar apenas no passado.

St-Pierre já travou embates públicos com a organização durante a carreira por questões ligadas à compensação. Mesmo aposentado, ele continuou alimentando o debate e entende que o UFC construiu sua posição como número 1 com trabalho comercial intenso, chegando a se confundir com o próprio MMA no imaginário do público.

GSP mira mudança no modelo de remuneração

  • Georges St-Pierre quer que a maior remuneração beneficie os atletas e acredita que hoje os grandes nomes precisam agir.
  • O canadense cita que o UFC se tornou tão dominante que muita gente associa o esporte diretamente à marca.
  • St-Pierre afirma que o peso comercial atual reduz a força dos lutadores para negociar.
  • Ele lembra que, no auge, usou sua influência para pressionar por um novo contrato.

Em conversa com Demetrious Johnson no podcast “TheMighyCast”, St-Pierre comparou o poder de mercado do UFC a algo que “gruda” no cotidiano. Na avaliação dele, a organização teria se tornado referência a ponto de as pessoas dizerem “UFC” como quem fala uma marca específica, mesmo quando estão assistindo MMA em geral.

Georges St-Pierre também explicou que, ao buscar apagar a concorrência, o UFC fortaleceu sua máquina de negócios — algo que ele considera positivo para a empresa, mas negativo para quem luta. Na visão do ex-campeão, a consequência é uma perda de poder de barganha por parte dos atletas, que passam a ter menos influência nas negociações.

Pressão por contrato e aumento expressivo em 2008

  • St-Pierre usou sua posição de principal estrela para forçar a organização a abrir o “bolso”.
  • Em 2008, ele conseguiu um acordo mais vantajoso e viu sua remuneração sair de milhares para milhões.

Durante o período em que esteve no topo, St-Pierre usou a força do seu nome na hora de renovar contrato. Segundo ele, foi justamente esse momento de maior influência que permitiu que a promoção elevasse significativamente a oferta, especialmente em 2008, quando o valor do acordo passou a ser muito mais alto do que antes.

O ex-campeão ainda relembrou que, para que os atletas tivessem avanços, era responsabilidade de quem era popular naquele tempo enfrentar a organização. Ele citou que teve disputas diretas com o UFC não apenas sobre pagamento, mas também sobre como os lutadores eram retratados e sobre pontos ligados à imagem do esporte.

St-Pierre mencionou que buscava uma apresentação melhor do elenco, inclusive com postura formal em entrevistas e coletivas. Além disso, ele citou que também havia foco em regras de checagem antidoping, destacando que esse pacote de temas fazia parte das disputas que ele enfrentou ao longo da carreira.

Agora aposentado, ele acredita que sua influência não tem o mesmo peso dentro do UFC. Por isso, para St-Pierre, os grandes nomes atuais precisam assumir a função de pressionar por mudanças na forma como o lutador é compensado.

Percentual de divisão de receita: contraste com outras ligas

  • St-Pierre compara o UFC a outras organizações esportivas e afirma que o UFC paga uma fatia menor da receita aos atletas.
  • Ele cita que ligas como NBA, MLB, NFL e NHL pagam cerca de 50% da receita aos atletas.
  • Já no UFC, ele aponta um patamar de cerca de 17%.
  • O ex-campeão lembra que o UFC recentemente fechou um acordo de direitos de mídia de US$ 7,7 bilhões com a Paramount.

Ao comparar com outras grandes indústrias do esporte, St-Pierre sustenta que o UFC ainda remunera os atletas em um nível bem abaixo do que seria esperado. Ele enfatiza que, mesmo com o evento tendo garantido recentemente um contrato bilionário de direitos de mídia com a Paramount — no valor de US$ 7,7 bilhões —, o percentual destinado aos lutadores continuaria distante de outros modelos existentes.

St-Pierre também fez uma provocação a Demetrious Johnson dentro da conversa. Ele relembrou que Johnson teria discutido o tema de pagamento e que, diante da percepção de falta de valorização, acabou indo para outro evento, citando a escolha como uma demonstração de que era possível buscar alternativas.

Na avaliação do canadense, a ida para outro lugar teria sido uma decisão pessoal, mas, ao mesmo tempo, teria impactado positivamente lutadores que não têm o mesmo tipo de plataforma e poder de barganha. Para St-Pierre, esses atletas não conseguem fazer a mesma pressão porque dependem do que lhes é determinado, além de não terem dinheiro e influência para negociar como as estrelas conseguem.

Ele afirmou que, caso a organização não quisesse pagar do jeito que ele considerava correto, ele teria deixado o UFC. St-Pierre ainda reforçou que teve vários choques com Dana White, sem que isso fosse algo pessoal, e sim uma questão de negócios. Ao mesmo tempo, ele diz que a postura adotada na época também tinha um objetivo de ajudar outros lutadores.

Por fim, St-Pierre concluiu que agora a responsabilidade também recai sobre celebridades e atletas com grande visibilidade. Para ele, o “testemunho” foi passado para quem está em evidência e consegue falar abertamente sobre o tema, usando o holofote para pressionar por um tratamento melhor aos lutadores.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.