Dustin Poirier acredita que Conor McGregor vai enfrentar uma missão bem mais difícil do que parece no reencontro contra Max Holloway. O irlandês volta ao UFC neste verão para encabeçar a International Fight Week, como principal atração do UFC 329, marcado para 11 de julho, em Las Vegas. O duelo também marca a primeira luta de McGregor em cinco anos e funciona como uma revanche do combate que ele venceu em 2013 contra Holloway — antes de ambos se tornarem campeões da organização.
Para Poirier, se McGregor quiser repetir o triunfo de quando enfrentou Holloway pela primeira vez, precisa lembrar exatamente o que funcionou naquela ocasião. O “Diamante” afirmou que, no primeiro encontro, McGregor demonstrou um repertório amplo de artes marciais, alternando ajustes de estratégia durante a luta.
“Eu não sei se ele está vivendo, dormindo e treinando tudo isso na academia, mas é certo que ele está se preparando. Naquela primeira luta, porém, eu vi um arsenal completo de artes marciais”, declarou Poirier. “Ele machucou as pernas do adversário e mudou para a luta agarrada. Ninguém esperava que ele fosse tentar quedas e entrar com esse tipo de ataque. Ele é um finalizador em pé, um cara que trabalha bem no striking. Mesmo assim, ele foi lá e venceu a luta, fez o que precisava fazer.”
Poerier ainda completou a leitura técnica do que McGregor conseguiu executar no passado. Na visão dele, a chave foi justamente dominar a transição entre estilos, usando a luta em pé como ponto de partida para chegar ao controle em outras fases do combate.
“Isso é dominar artes marciais: sair do kickboxing e conseguir derrubar o oponente, ganhar rounds e, no fim, vencer o combate. Eu achei que ele fez um trabalho excelente na primeira vez”, disse o lutador.
O que mudou desde 2013 e por que a mistura pode ser mais complicada
Apesar do que McGregor mostrou em 2013, Poirier ressaltou que muita coisa mudou ao longo dos anos. Desde aquele encontro, tanto McGregor quanto Holloway construíram carreiras de nível histórico, com conquistas relevantes e títulos acumulados. Ainda assim, o americano acredita que, desta vez, pode ser mais difícil para o irlandês alternar tão bem os elementos do jogo.
Mesmo com Charles Oliveira tendo dominado Holloway na luta valendo o cinturão “BMF” mais cedo neste ano, Poirier reforçou que a adaptação de McGregor pode encontrar limites, principalmente por características do próprio estilo do campeão interino do passado.
“O Conor não é um lutador desse tipo que vai para a luta agarrada de forma constante”, afirmou Poirier. “E ele não tem o fôlego. Se ele tentar lutar agarrado e não conseguir queda, ou se tiver que fazer uma raspagem e se recuperar, esses rounds finais vão ser um problema, ele vai sentir. Especialmente no peso 170, ele vai estar mais pesado. Eu acho que isso não é uma boa ideia.”
Na leitura do “Diamante”, Holloway tende a ser um adversário que cresce com o passar do tempo, por ser um atleta de alto volume, com condicionamento e potência que foram evoluindo ao longo da carreira.
“O Max é um cara de volume, tem cardio e agora tem poder também. Então eu penso que, quanto mais a luta vai andando, mais vira dor de cabeça. …”, disse Poirier, antes de aprofundar um outro ponto sobre a forma como o jogo de Holloway pode ser testado.
Mais adiante, Poirier comentou a diferença entre wrestling tradicional e o tipo de controle que Oliveira aplicou. Para ele, não basta comparar apenas a capacidade de defender quedas; é preciso entender os caminhos e os controles envolvidos em cada abordagem.
“O Charles não usou um wrestling tradicional”, acrescentou Poirier. “Foi muito controle com pegada no corpo, muita luta no clinch, coisas diferentes. Eu aposto que a defesa fundamental de wrestling do Max seja bem boa quando um cara está atirando golpes com frequência. Mas grappling e ficar se movendo, tentando achar costas e posições, é outro cenário. Para um lutador de jiu-jitsu, o grappling é um campo diferente do wrestling. As entradas, as quedas e a defesa são diferentes. Então eu não acho que vai ser isso. E eu não acho que o Conor tenha aquilo que o Charles teve para ficar em cima dele desse jeito.”
Experiência de Poirier contra McGregor e Holloway e preocupação com o retorno
Poirier, no entanto, não fala apenas como analista: ele conhece o contexto diretamente. Ao longo do período no UFC, o “Diamante” enfrentou tanto McGregor quanto Holloway três vezes. Além disso, foi o último rival de McGregor antes da longa pausa — justamente no combate em que o americano quebrou a perna do astro irlandês no UFC 264, em 2021.
Depois disso, embora Poirier tenha disputado quatro oportunidades por títulos do UFC, McGregor ficou fora por um período longo, o que aumenta a preocupação de Poirier sobre como o rival vai se comportar no UFC 329.
“Cinco anos é muito tempo”, disse Poirier. “Ele tem um monte de dúvidas que precisam ser respondidas depois do gongo, porque ele não sabe o que vai acontecer. O Conor também não tem certeza absoluta do que vai acontecer. Cinco anos é muito tempo. Subir e enfrentar um cara que esteve ativo, que foi campeão mundial, que foi campeão do ‘BMF’: esse cara enfrentou o melhor do melhor durante esses cinco anos em que você ficou fora.”
Top stories
- O retorno de Conor McGregor tem impulsionado vendas expressivas de ingressos, com algumas cadeiras custando mais de 24 mil dólares cada.
- Sean O’Malley lamentou não ter apoiado Josh Hokit em um evento na sede do UFC White House, dizendo: “Eu errei”.
- Ben Askren volta a competir após se recuperar de uma cirurgia dupla de transplante pulmonar, e vai enfrentar Belal Muhammad no RAF 11.
- B.J. Penn foi considerado apto para prosseguir com julgamento depois de passar por uma avaliação de saúde mental.
- Colby Covington quer ensinar Arman Tsarukyan com uma lição: “Eu planejo enfiar uma enterrada nele e ainda dar uma ‘wedgie’”.
Vídeos em destaque
- Entrevista com Sean O’Malley.
- Promo do confronto entre Topuria e Gaethje.
- Conteúdo “cozinhando com Volk”.
- Conteúdo sobre Justin Gaethje.
“Flavor in your ear”
- Formato “lutador contra escritor”.
Social media bouillabaísse
- Ilia respondeu.
- Vencedor.
- Não foi vencedor.
- A++.
- Duvidoso. Mas fez novos amigos!
- Michael Chandler é bom nisso.
- Direto do nível elite de “ser pai”.
Prévias de lutas
- Magomed Ankalaev (21-2-1) enfrenta Khalil Rountree Jr. (14-7); UFC Abu Dhabi, em 25 de julho.
- Umar Nurmagomedov (20-1) enfrenta David Martinez (14-1); UFC Abu Dhabi, em 25 de julho.
Mailbag
Espaço de perguntas e respostas (“Mailbag”).
Considerações finais
As expectativas finais de Poirier vão na direção de uma leitura dura para o retorno de McGregor: a impressão é de que seria surpreendente demais se o irlandês fosse sequer competitivo contra Holloway na fase atual. Segundo o texto, Max estaria em uma condição que tende a favorecer muito o lado dele, ainda mais porque Conor retorna depois de uma lesão considerada catastrófica e ficou longe do octógono por tempo prolongado; mesmo em seu auge, o confronto teria um estilo que poderia ser especialmente difícil para ele.
Ao final, a conclusão é de que só o que acontecer no octógono vai esclarecer o cenário.

