Whittaker crava vitória de Chimaev sobre Strickland no UFC 328

Robert Whittaker analisou o duelo entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland que acontece neste sábado, no main event do UFC 328, no Prudential Center, em Newark, nos Estados Unidos. Para o ex-campeão dos médios, Chimaev chega como favorito e vem sustentando seu status na divisão com uma combinação que mistura luta agarrada de alto nível, força bruta e grande capacidade atlética — inclusive em confrontos anteriores contra nomes de peso como o próprio Whittaker.

O confronto marca um momento importante para os dois: Chimaev tenta manter a invencibilidade e seguir como referência do meio-médio dos pesos médios, enquanto Strickland busca a zebra para conquistar o cinturão pela segunda vez. Whittaker, porém, alerta que a dificuldade real não está apenas em derrubar — e sim em tudo o que acontece depois que o rival é colocado no chão.

Nas palavras do campeão: o “puzzle” do wrestling de Chimaev

Em entrevista ao Paramount, Whittaker afirmou que ainda existe um quebra-cabeça a ser resolvido quando o assunto é o estilo de luta do russo/checheno — especialmente o componente de wrestling, que, na visão dele, tem características próprias e pouco “copiáveis” no curto prazo. O australiano disse que acredita ter uma resposta em mente sobre como causar problemas ao adversário, mas ressaltou que isso não significa que seja fácil executar o plano na prática.

“Depende”, começou Whittaker. “A gente ainda está tentando entender o quebra-cabeça desse wrestling com raízes russas e chechenas. Eu acho que tenho uma resposta na cabeça — não que eu consiga fazer —, mas eu penso que quem começa a dar trabalho para esse estilo são lutadores de altíssimo nível na arte do chão, mais especificamente aqueles com base muito sólida, como os caras que trabalham bem a partir das costas (do oponente).”

Whittaker lembrou que, até agora, não houve confirmação total de como quebrar o padrão de Chimaev em todos os cenários. Ele citou o que aconteceu em lutas anteriores, inclusive lembrando que, mesmo quando adversários tentaram controlar a narrativa com recursos de grappling, Chimaev conseguiu se impor com eficiência.

“Só que a gente ainda não viu isso acontecer de forma definitiva”, continuou. “Do mesmo jeito que ocorreu com Gilbert Burns e Chimaev: não foi simplesmente ‘segurar o cara no chão’. A ofensiva do Chimaev é perigosa. Para dar certo, você precisa conseguir trabalhar bem a partir das costas, sem se prender e sem travar quando estiver ali.”

O ex-campeão também puxou um paralelo com o que aconteceu com Merab Dvalishvili antes de perder para Petr Yan, usando o exemplo para reforçar que, mesmo quando todos acreditam ter a resposta, a luta real pode cobrar ajustes e resultados diferentes. Na visão dele, a pergunta é sempre a mesma: como impedir o adversário de manter o ritmo e o gás.

“E aí, quando você pensa que entendeu o quebra-cabeça, surge outro cenário. Tipo o Merab [Dvalishvili] antes da derrota para o Petr [Yan]. É a mesma dúvida: como vencer o Merab? Como parar aquele tanque de gás? O Petr foi lá e fez ao máximo, marcou todos os pontos. Então fica aquela sensação de que a gente só está esperando a próxima peça do dominó cair.”

Whittaker então projetou o que enxerga como o caminho mais provável para Chimaev no confronto. Ele reconheceu que Strickland fala muito e quase convence pela confiança, mas reforçou que, a partir do momento em que o checheno consegue encaixar as mãos e iniciar suas entradas, o padrão costuma ser inevitável.

“A gente quer ver se o Strickland tem o que precisa. Ele fala bastante, e eu quase penso ‘ok, ele vai conseguir’. Mas eu já estive ali com o Chimaev e vi o que ele consegue fazer quando pega o cara. Ele atira de uma distância muito grande e se compromete de verdade. Ele vai te colocar no chão. A questão é o que vem depois. E a gente já viu que ele tem cardio para sustentar isso por cinco rounds.”

Ao cravar sua expectativa para o resultado, Whittaker foi direto. “No modo mais honesto, de ‘arma na cabeça’, eu acho que o Chimaev vai acabar atropelando o Strickland.”

O peso da experiência: Whittaker cita o que sofreu contra Chimaev

Mesmo com Strickland entrando como o azarão, Whittaker apontou que o desafiante tem histórico de “estragar planos” e atuar como elemento surpresa. Ele citou que Strickland conquistou o título com uma virada marcante sobre Israel Adesanya, no UFC 293, e que mais recentemente venceu Anthony Hernandez com nocaute, encerrando uma sequência de oito vitórias consecutivas do adversário.

Ao falar sobre a grandeza de Chimaev, Whittaker o faz com base em experiência própria. Ele relembrou que, em sua participação no UFC 308, teve o maxilar deslocado por Chimaev. Para o ex-campeão, preparar-se em acampamento pode até ajudar em detalhes, mas não garante um antídoto para o que acontece quando os dois finalmente entram no octógono.

“O ponto é: você pode treinar e esperar coisas o quanto quiser, mas por mais que a gente tenha preparado, não foi isso que decidiu”, disse Whittaker. “Ele foi simplesmente melhor do que o que o camp deixava pronto. A capacidade dele de ficar grudado em você, controlar posições, ajustar e mudar de ângulo assim que coloca as mãos em cima… isso é outro nível.”

Whittaker também destacou um aspecto que, para ele, ficou evidente no duelo de Chimaev contra Dricus du Plessis: a habilidade de segurar um oponente forte e difícil de derrubar, prolongar o ritmo ao longo de cinco rounds e manter ajustes constantes para não se desgastar cedo.

“A gente viu isso na luta com o Dricus. O Dricus é um cara difícil de segurar no chão, é grande e forte”, afirmou. “O modo como ele lidou com isso, estendeu o cardio por cinco rounds e continuou fazendo ajustes com eficiência, sem ‘morrer’ cedo… A única crítica que alguém poderia fazer antes daquela luta seria cardio. Investiu tanto na parte do wrestling no primeiro round e depois desacelerou mais nos rounds finais.”

Para Whittaker, o que muda a percepção é exatamente o fato de Chimaev ter fechado essa lacuna. “Então, ele conseguir fechar essa diferença, fazer as adaptações — a gente preparou bem também, como qualquer um faria, e eu imagino que o Dricus preparou do melhor jeito que dava — mas o nível dele precisa ser respeitado. É isso.”

Como Strickland pode criar problemas: jab, teeps e obstáculos

Para Strickland ter alguma chance real, Whittaker defende que o desafiante precisa priorizar o jogo em pé e tentar impedir que Chimaev chegue na zona de grappling com facilidade. Na leitura do ex-campeão, quando o confronto entra no território do checheno, a luta pode ficar tarde demais para corrigir o rumo.

“Honestamente, eu acho que o jab vai ser um obstáculo irritante para o Chimaev tentar entrar”, disse Whittaker. “Mas também tem o jeito como o Strickland levanta a perna para soltar aqueles teeps. Ele levanta o joelho e, ao mesmo tempo, usa o jab. Então, levantar o joelho pode ser um freio para o Chimaev tentar buscar as quedas livremente.”

Whittaker completou com um alerta sobre o risco de timing errado: se Chimaev errar o tempo da investida, pode acabar indo direto em uma joelhada — arma que pode punir a entrada em cheio.

“Se o Chimaev marcar o tempo errado, ele vai cair direto numa joelhada. Independentemente de quem seja, isso machuca. Então eu acho que são essas as peças do quebra-cabeça.”

O ex-campeão também minimizou a hipótese de que a chave seja a defesa de wrestling ou o jiu-jitsu de Strickland. Na visão dele, o caminho mais seguro passa por dificultar as decisões do adversário antes mesmo que o wrestling vire o centro da ação.

“Eu não penso que a resposta seja a defesa do Strickland no wrestling ou o jiu-jitsu”, afirmou. “Eu não acho que isso vai ser o fator. Eu acho que o Chimaev está tão comprometido com essa fórmula de luta agarrada total, que funciona para ele desde o primeiro dia, que não dá para ‘alcançar’. Não dá para correr atrás.”

Whittaker reconheceu que é possível criar barreiras, impor deterrentes e trabalhar cardio e eficiência para defender quedas e tentar empurrar o oponente de volta para os pés. Ainda assim, reforçou que essa não seria a solução principal para vencer Chimaev.

“Você pode colocar obstáculos, tentar criar dissuasão, tentar ajustar cardio, eficiência, níveis de energia para defender derrubadas e forçar ele a voltar para a parte de cima… mas eu não acho que é aí que está a resposta para bater o Chimaev. Eu acho que você precisa tentar construir obstáculos para ele ficar menos disposto a ir para onde ele é mais forte.”

O que está em jogo no UFC 328

Com o UFC 328 se aproximando, a análise de Whittaker coloca Strickland diante de um desafio claro: para transformar sua campanha em luta pelo título, o americano precisa manter o controle do ritmo na trocação, atrapalhar o acesso de Chimaev ao clinch e às quedas — e, principalmente, impedir que o duelo se transforme no tipo de cenário em que o checheno costuma dominar.

Do outro lado, Chimaev entra com a missão de seguir invicto e transformar sua assinatura de wrestling em mais um capítulo de controle dentro do octógono, sustentando a expectativa de que, mesmo quando o adversário resiste, a diferença de nível aparece na sequência da luta.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.