Rico Verhoeven mira o UFC e revela por que escolheu o boxe em vez do octógono

Rico Verhoeven deixou o posto de campeão pesado do GLORY e também encerrou sua passagem pelo kickboxing para buscar novos desafios no mercado de lutas. Depois de mais de uma década invicto, acumulando defesas de título e consolidando o nome como um dos atletas mais temidos do esporte, o holandês rapidamente virou alvo de especulações no cenário global — incluindo interesse explícito do UFC.

O movimento ganhou força depois que Verhoeven demonstrou disposição para migrar para o MMA. Em paralelo, havia um fator que facilitava a aproximação: ele treinou por anos ao lado do campeão dos pesos-pesados do UFC, Tom Aspinall. Ainda assim, apesar do apelo para permanecer no circuito de MMA, Verhoeven acabou escolhendo outro caminho.

Verhoeven explica por que recusou o UFC

Em entrevista, Verhoeven contou que a decisão começou a ser construída quando entendeu que seu vínculo no kickboxing estava perto do fim. Na visão dele, o ciclo no GLORY já havia sido cumprido, e a partir daí o foco passou a ser encontrar oportunidades diferentes no esporte.

“Foi uma jornada enorme. Eu senti de verdade que o meu contrato no GLORY estava chegando ao fim, e pensei: ‘a gente já fez tudo’. O kickboxing parecia que tinha se esgotado para mim. Aí começamos a olhar ao redor, ver quais eram as chances, e analisamos o UFC e também uma grande oportunidade de cruzamento para o boxe. As duas opções estavam na mesa, mas a chance do boxe me pareceu mais interessante — então foi essa a estrada que a gente tomou”, disse Verhoeven.

Joshua seria o caminho, mas a tragédia mudou tudo

Antes de consolidar a parceria para encarar Oleksandr Usyk, Verhoeven esteve em conversas para enfrentar Anthony Joshua. O plano, porém, sofreu um impacto pessoal: o britânico passou por uma tragédia envolvendo um acidente de carro na Nigéria, no qual dois de seus amigos morreram. Com isso, Joshua ficou fora de qualquer retorno a curto prazo, e Verhoeven precisou reposicionar o desafio.

A ideia do duelo com Usyk nasceu após a mudança de rota

Verhoeven detalhou que, após a definição de seguir para outro adversário, a conversa com o treinador aconteceu durante um período de preparação na Espanha. Ele afirmou que manteve o planejamento do camp, voltou ao centro de treinamento e discutiu com a equipe a possibilidade de ajustar o alvo do combate.

“Eu estava na Espanha em um camp específico para aquela luta. Eu só continuei o treinamento, voltei para o ginásio e conversei com a equipe: ‘pessoal, qual é a atualização? O que a gente pode fazer?’. Talvez desse para lutar com outra pessoa… Mas quem? Quem a gente quer enfrentar? Eu não sabia. Aí meu treinador, Peter Fury, falou: ‘e o Oleksandr Usyk?’. Eu respondi: ‘por que não?’. Eu achei uma ideia excelente, faz sentido. Um campeão do kickboxing que é indiscutível contra um boxer indiscutível. Eu acho que tem uma história aí”, afirmou.

Segundo Verhoeven, a troca foi rápida quando a proposta chegou ao outro lado. Ele descreveu o processo como um caminho direto, com retorno positivo do atleta e a confirmação do acordo.

“A gente conversou, gostou da ideia e eu falei: ‘vou falar com eles, vou apresentar e contar que eu tenho uma proposta’. Aí eu só ouço: ‘eu amei’. Então eu falo com o Usyk e vamos. Acho que passou uma semana e meia e ele me ligou: ‘eu falei com ele, ele disse que topa, ele gosta disso também’. O quê? Então vamos! O resto é história”, completou.

Usyk chega com números impressionantes

Com o peso alto do cenário atual, Usyk ocupa o topo da divisão e mantém campanha perfeita no boxe profissional: são 24 vitórias, sem derrotas. Entre os resultados de maior destaque estão triunfos sobre Anthony Joshua, Daniel Dubois e Tyson Fury. Mesmo enfrentando adversários com vantagem física quase em todos os confrontos, Usyk se sustenta como um dos adversários mais difíceis por causa do repertório técnico e da forma como controla ritmos e distâncias.

“A maior prova é entrar com apenas o segundo duelo”: o discurso de Verhoeven

Verhoeven ressaltou que a missão é gigantesca para alguém que estará disputando apenas o segundo combate profissional no boxe. Seu primeiro confronto ocorreu em 2014, quando venceu por nocaute. Mesmo assim, ele se mostrou empolgado com o desafio e tratou a pressão como combustível.

“Eu adoro isso. Quanto maior o desafio, melhor. Para mim, eu não sinto que preciso me defender o tempo todo. O ponto é que as pessoas não conhecem a história. Elas não sabem quem eu sou. Não sabem de onde eu vim. Eu estou com a família Fury há mais de 15 anos. Como é que elas poderiam saber? Sempre é fácil demais quando todo mundo e tudo é colocado em caixinhas. A minha caixa é o kickboxing: ‘Rico, esse é o seu lugar, você foi campeão, fez coisas incríveis, mas continua nessa caixinha’. Eu gosto de pensar fora da caixa”, declarou.

Além do boxe, ele afirmou que tem interesse em outras frentes e explicou como essa transição faz sentido para o momento. Para Verhoeven, também pesa o fator de entrar no esporte com rapidez e já mirar um título importante.

“Eu gosto de boxear. Eu gosto de MMA. Eu gosto de atuar. Eu gosto de tentar coisas. Às vezes você tenta e pensa: ‘não era pra mim’. Mas, pelo menos, você tentou. E nesse caso, eu venho treinando boxe há muito tempo. Para mim, fez sentido. E lutar imediatamente pelo campeonato mundial do WBC deixa tudo ainda maior e melhor”, disse.

O papel de azarão não incomoda: “Eu vou causar surpresa”

Por conta da dominância no kickboxing, Verhoeven quase sempre entrou como favorito nos combates, principalmente nos últimos anos em que competiu pelo GLORY. Agora, aos 37 anos, ele encara Usyk como um azarão assumido — e, de forma diferente do que muitos atletas fariam, ele demonstrou gostar desse cenário.

“O alvo esteve nas minhas costas por tanto tempo quanto eu consigo lembrar. Mas o alvo não está nas minhas costas desta vez. Eu posso causar uma zebra. Eu posso provocar uma surpresa”, afirmou.

Verhoeven também indicou que pretende trazer elementos que, segundo ele, muitos boxeadores não fazem do mesmo jeito, explorando mobilidade e pressão em um estilo próprio.

“Eu vou colocar algo na mesa que ele ainda não viu. Eu vou me mover, vou fazer coisas e vou atacar de uma forma específica que boxeadores simplesmente não fazem”, completou.

Foco total no dia do combate e a promessa do “próximo passo”

Mesmo enxergando possibilidades futuras, Verhoeven deixou claro que a prioridade é o compromisso marcado para o sábado, no Egito, contra Usyk. Para ele, o pensamento do momento é simples: entrar com tudo, tentar chocar o mundo e, só depois, avaliar o próximo adversário.

“Eu estou entrando nisso e vou dar tudo o que eu tenho. Vai ser uma luta de verdade, daquelas pesadas. Eu estou pronto para chocar o mundo. Eu acho que chegou a hora de descobrir quem é o homem mais perigoso do planeta. Então, depois que eu vencer o Oleksandr Usyk, vamos ver quem vem em seguida. Porque eu estou pronto para descobrir”, finalizou Verhoeven.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.