Dominick Cruz acredita que Sean Strickland tem as ferramentas para “resolver” o enigma de Khamzat Chimaev — principalmente no que diz respeito a resistir ao controle no chão e, sobretudo, conseguir se levantar quando for pressionado.
Chimaev x Strickland: primeira defesa do cinturão
O atual campeão dos médios, Khamzat Chimaev, fará a primeira defesa de título diante de Sean Strickland no main event do UFC 328. A luta está marcada para 9 de maio, em Newark, no estado de New Jersey, com transmissão pelo serviço Paramount+.
O campeão chega com cartel de 15 vitórias e nenhuma derrota no MMA (9-0 no UFC). Já o desafiante, Strickland, tem 30-7 no MMA e 17-7 na organização.
Chimaev conquistou o cinturão após dominar Dricus du Plessis no solo. Mesmo assim, Cruz espera que Strickland ofereça uma resistência diferente, mais difícil do que a apresentada pelo sul-africano.
O que Cruz espera do confronto no chão
Em entrevista, Cruz explicou que o padrão de luta de Chimaev contra du Plessis foi de manter o adversário sob controle, e que ele acredita que Strickland vai exigir ainda mais.
“Para o Chimaev, a menos que ele tenha melhorado muito, naquele duelo com o Dricus ele só precisava lutar daquele jeito para continuar mantendo o cara no chão”, disse Cruz. “Com o Sean vai ser parecido. O Sean não é um sujeito fácil de segurar. Ele é muito, muito experiente para lidar com a posição de costas, levantando e sobrevivendo quando precisa. Esse é o estilo dele.”
Cruz também comparou o momento defensivo do americano ao tipo de jogo que ele próprio já utilizou na carreira.
“Eu tinha um jogo parecido, e eu era bem difícil de prender”, completou. “O Strickland tem essa mesma mentalidade. Contra o DDP, ele não estava tomando algumas das melhores decisões a partir das costas.”
Na sequência, Cruz avaliou a diferença de maturidade para se recuperar no grappling.
“Particularmente, eu acho que o Strickland está mais calejado em se levantar das costas do que o Dricus”, afirmou. “E tem outro ponto: o Chimaev usa posição acima de finalização. Ele trabalha o peso posicional e a perfeição disso em vez de ir direto para a submissão. Às vezes, buscar finalização acaba dando a brecha para o cara se levantar. Eu vejo como uma forma de ir desgastando e conduzir uma luta inteligente contra o DDP.”
“Vou com Strickland”: aposta na zebra
Apesar do cenário desfavorável para o desafiante — Strickland entra como underdog — Cruz declarou que, no fim, enxerga uma vitória do americano.
“Eu vou com o Strickland”, disse Cruz. “Vou com o americano. Por que não? Para mim não está tão desigual assim. Eu gosto do Strickland. Eu gosto desse estilo. Ele coloca tudo na mesa que transforma isso em uma luta de verdade.”
Cruz destacou a construção do boxe e do striking do americano como algo que pode dificultar o plano do campeão.
“O jeito de lutar do Sean no golpeamento foi montado para um lutador que tenta derrubar. Se existe alguém capaz de desafiar o Chimaev, é esse cara. A gente precisa ver isso. Eu gosto. Eu vou nele.”
Fechando a aposta, Cruz reforçou a confiança no confronto e a motivação para o triunfo.
“Por que não? Vamos lá, americano”, concluiu.
As declarações de Strickland sobre “arma” e a leitura de Cruz
Nos últimos dias, Strickland fez comentários dizendo que, caso fosse atacado por alguém do time do adversário, iria sacar uma arma. Cruz interpretou que, apesar das falas chamativas, aquilo faz parte do aquecimento antes do combate.
“Ele já foi preso, foi?”, questionou Cruz. “Ele fala muita coisa, mas no fim ele segue as regras até certo ponto.”
Cruz ponderou o significado do que foi dito e como isso estaria sendo tratado na prática.
“Quando ele está carregando uma arma, isso é legal”, afirmou. “Eu sinto que ele fica naquela linha: legal e não legal, seguindo as regras e desrespeitando em certos momentos. Ele anda na borda e fala bastante, mas por que não manter ele aí? Ele não está se dando mal. Ele não está tendo problemas. Ainda não.”
O ex-campeão ressaltou que, embora a possibilidade exista, até aqui não houve consequência concreta.
“Pode ele fazer algo que dê problema? Essa é outra pergunta. Mas até agora não fez. Então, eu não me importo de ele estar lá. Ele coloca muita coisa na mesa, só que eu acho que a pressão vai crescendo quando ele chega naquele ambiente. É difícil ser o cara. É mais difícil do que as pessoas imaginam ser o cara.”
O peso do papel de favorito e como isso pode ajudar Strickland
Para Cruz, o fato de Strickland entrar como underdog pode ser um fator psicológico importante, já que a cobrança muda quando o atleta é o campeão.
“A expectativa sobe, então você está sempre sendo cobrado para vencer”, argumentou Cruz. “O fato de o Strickland ser o azarão pode ajudar nessa luta. É aquela ideia de ‘todo mundo está olhando para outro lado e passando por cima de mim’.”
Ele então contrastou o ambiente do campeão com o do desafiante.
“Quando você é campeão, ninguém mais ignora você. Você vira o cara, então você precisa muito saber quem você é, porque você não pode mais contar com as pessoas te tratando como se você não tivesse chance na maioria das vezes. Você tem que saber quem você é porque é você que vai se alimentar para manter o ciclo de vitórias — e fazer isso por seis defesas seguidas. É um jogo diferente.”
Cruz concluiu dizendo que Strickland aprendeu essa dinâmica na primeira fase como campeão e pretende aplicar agora em um segundo reinado.
“É isso que o Strickland aprendeu na primeira passagem e vai levar para a segunda. Ele vai usar isso, vai adaptar”, finalizou.

