O presidente do UFC, Dana White, esteve frente às câmeras no Kaseya Center após o UFC 327, reunindo jornalistas na coletiva de pós-evento e abordando uma série de temas quentes do último card, com destaque para viradas improváveis, planejamento de futuras datas e bastidores envolvendo nomes do topo do esporte.
Antecedentes
A noite teve momentos decisivos, mas um deles chamou atenção ainda antes de qualquer comemoração: a confirmação de uma lesão no joelho de Carlos Ulberg durante sua luta pelo cinturão contra Jiri Prochazka deixou o cenário extremamente desfavorável para o atleta da Nova Zelândia. A leitura inicial era de que o ex-campeão dos meio-pesados estaria a caminho de retomar o título.
Mesmo assim, o rumo do combate mudou com uma sequência dramática. Prochazka chegou a hesitar e, em seguida, acabou punido com um golpe pesado de esquerda, enquanto Ulberg conseguiu reorganizar a luta e inverter completamente o controle para conquistar o cinturão na categoria dos 205 libras.
Além do main event, o UFC 327 também reservou uma história diferente no heavyweight: a postura incomum de Josh Hokit antes da luta, com um personagem e atitudes fora do padrão, fez com que muita gente não encarasse bem o atleta que vinha de uma passagem pelo futebol americano. White admitiu que ele também tinha essa impressão. Contudo, tudo mudou quando Hokit entrou no octógono e entregou um dos combates mais marcantes do ano.
A luta
- Com o joelho aparentemente lesionado de Carlos Ulberg no contexto do título contra Jiri Prochazka, o prognóstico ficou desfavorável ao desafiante, com a sensação de que o ex-campeão caminhava para retomar o cinturão.
- Apesar do cenário ruim, Prochazka hesitou em um momento do duelo e acabou castigado por um golpe de esquerda, que funcionou como catalisador para a virada.
- Ulberg aproveitou a janela do combate para controlar a situação e transformar a luta a seu favor, garantindo a conquista do cinturão no peso até 205 libras.
- No heavyweight, Josh Hokit entrou no octógono após uma prévia de comportamento inusitado, mas rapidamente silenciou críticas com atuação forte contra Curtis Blaydes.
- Hokit venceu Curtis Blaydes por decisão unânime, em uma apresentação que entrou como uma das disputas mais impressionantes do evento.
O pós-luta
Ao comentar o capítulo do título, Dana White ressaltou a natureza da recuperação de Ulberg e observou que não era possível ter certeza total sobre o estado do joelho, embora o quadro parecesse se agravar ao longo do combate. O dirigente também destacou que, quando um atleta está machucado, a obrigação é tentar finalizar até que o árbitro interrompa.
“Sim, a luta parecia encerrada — mas eu acho que não acaba até acabar de verdade. Foi uma recuperação incrível. A gente não sabe com 100% de certeza, mas deu para perceber que ele estava chutando aquela perna da frente, e a perna da frente estava incomodando (Ulberg). Aí, de repente, foi a perna de trás que passou a doer. Pode ser algo como lesão de ligamento anterior (ACL). Algumas pessoas me disseram que o Prochazka estava brincando, fazendo um monte de coisa. Mas, quando você tem um cara machucado, você tem que tentar finalizar até o árbitro entrar e parar.”
White também se mostrou bastante impressionado com o desempenho de Hokit contra Curtis Blaydes. Para ele, o lutador “entrou no jogo” e entregou exatamente o que se espera de quem tem cartaz para encarar o topo.
“Ele cumpriu o que prometeu naquela noite. Quando alguém sai falando besteira, inventa um personagem e faz um tipo de esquete, isso não é meu estilo. Mas só respeito aos dois naquela luta. O combate foi absurdo. A partir daqui eu não vou dizer nada negativo sobre ele. Ele fez o que tinha de fazer. É uma coisa você ter um personagem e agir de qualquer jeito, e outra totalmente diferente você entrar para enfrentar o número cinco do mundo, um cara muito perigoso, e fazer o que ele fez com ele naquela noite.”
Depois da vitória que colocou Hokit como um dos destaques do evento, Dana White anunciou que o atleta enfrentaria Derrick Lewis em uma data posterior, como inclusão de última hora no UFC Freedom 250, que acontece na Casa Branca. O dirigente explicou como a luta foi costurada, em um roteiro que começou com uma pergunta direta do presidente sobre por que Lewis não estava no card.
“O que é louco é que, organicamente, cerca de uma hora antes disso, o presidente me perguntou: ‘Por que o Derrick Lewis não está no card da Casa Branca?’ Eu respondi: ‘Eu volto em cinco minutos!’… Eu fui e liguei para o Derrick Lewis e falei: ‘O presidente quer saber por que você não está no card da Casa Branca.’ E ele disse: ‘Política. Política me tirou do card.’ Eu falei: ‘Você quer lutar no card?’ E ele respondeu: ‘Quero sim lutar no card. Diz para o presidente que eu agradeço.’
“Aí eu falei para o Nick Maynard: ‘Arruma uma luta pro Derrick. Vamos conversar na semana que vem.’ E tanto faz o que aconteceu depois: a luta do Hokit acontece, e o Joe Rogan — eu estava com o fone — o Rogan manda: ‘Tem outro espaço aberto no card da Casa Branca para o Hokit?’ Eu: ‘Meu Deus!’ Aí eu peguei o Mick e falei: ‘Volta lá e confirma se ele está disponível.’ O Hokit estava indo para uma ambulância. E ele disse que sim.”
Contratações, retornos e próximos passos
Durante a transmissão do UFC 327, também foi divulgado que Gable Steveson assinou com a organização, com estreia prevista para acontecer na UFC International Fight Week. White afirmou que o primeiro adversário ainda não estava definido, mas disse que quer ver como o atleta vai se comportar em sua apresentação no octógono.
“Eu acho que, quando você coloca alguém no UFC, todo mundo sente aquela ansiedade inicial. No começo, é assim mesmo. Você coloca para lutar — não existe luta fácil aqui. Vamos ver como ele vai se sair.”
Outro tema levantado na coletiva foi a possibilidade de Jon Jones deixar a aposentadoria. White comentou que Jones estava presente no evento e que, de acordo com a movimentação ao redor do lutador, assistir às lutas teria acendido uma vontade de voltar — ainda que isso não significasse uma decisão confirmada. O presidente, porém, afirmou que não conversou diretamente com Jones sobre um retorno.
“Não. E olha… como isso é diferente do que o Jon vem fazendo nos últimos dez anos? Vocês sabem. Eu sempre olhei para (Jones) assim: eu dizia para o Lorenzo (Fertitta) que você nunca vai construir um negócio com esse cara. Mas quando ele aparece, é divertido.”
Em relação ao cenário feminino, Dana White tratou do impasse que envolve a campeã dos galos Kayla Harrison, que está fora da cirurgia e se recuperando bem. Com o público acompanhando as movimentações após as duas terem sido vistas no UFC 327, a expectativa cresce para um confronto com a ex-campeã Amanda Nunes. O dirigente foi questionado sobre datas, mas respondeu que ainda não há definição.
“Não. A gente vai ter que acompanhar como ela vai evoluir e como ela vai se sentir. Deixa eu te dizer o que você não quer depois de uma cirurgia: você não quer a Amanda Nunes pegando sua cabeça e puxando você para todos os lados pelo pescoço. Então vamos garantir que ela esteja 100% curada e aí a gente marca essa luta.”
White ainda retomou comentários recentes sobre o entendimento de que Lorenzo Fertitta teria mencionado uma leitura parecida com “domínio” em algum momento, mas colocou um freio na ideia com uma resposta bem-humorada, lembrando sua própria idade e o ritmo de treinos e lutas.
“Sim, eu assisti aquela luta… e eu acho que ele dominou.”
“Eu acho que o Lorenzo falou algo nessa linha,” ele relembrou, antes de descartar o tema.
“Sim, eu tenho cinquenta e seis anos… vou fazer cinquenta e sete em julho. Eu luto para conseguir levantar da cama todo dia! Cinquenta e seis anos. Vou fazer cinquenta e sete em julho. Eu luto para conseguir levantar da cama todo dia. Mas, sim… eu lembro vagamente de algo assim. Talvez.”
