O brasileiro Daniel Santos chega ao UFC Fight Night: Allen vs Costa com o momento em alta e uma missão clara: encostar mais perto do topo da categoria dos penas (até 145 lb). Na noite de sábado, ele vai atuar no co-main event do evento, enfrentando o veterano sul-coreano Dooho Choi, em uma luta que promete colocar frente a frente estilos de impacto e bastante experiência.
Daniel Santos encara o “Hall of Famer” Dooho Choi
Com 31 anos, “Willycat” retorna ao octógono no Meta APEX, em Las Vegas, para encarar Choi em duelo válido pela divisão dos penas. O confronto marca um novo capítulo na escalada do brasileiro, que terá mais uma chance de medir forças com um nome respeitado internacionalmente.
Este será o terceiro adversário sul-coreano consecutivo de Santos. Antes de Choi, ele venceu Jeong Yeong Lee e Joo Sant Yoo, construindo uma sequência que o levou ao cartel profissional de 13-2. Agora, a tarefa é ainda mais difícil: Dooho Choi é “The Korean Superboy” e ficou imortalizado no Hall da Fama do UFC após a luta contra Cub Swanson, ocorrida em dezembro de 2016, no UFC 206, quando o combate entrou na ala Fight Wing do Hall of Fame.
Nas palavras do brasileiro: “terceiro coreano em sequência”
Durante a semana de preparação, Santos comentou sobre a sequência de adversários do mesmo país e a familiaridade que acredita existir entre os estilos.
“Terceiro coreano em sequência. Eu acho que existem semelhanças entre os estilos, de certa forma,” afirmou ele, em conversa com o UFC.com.
“Obviamente, o Choi é um nome diferente — alguém com muita experiência na companhia e que também teve uma luta muito marcante contra o Cub Swanson. Existe uma familiaridade com o jogo dele, e eu acredito que estamos prontos para entregar um grande espetáculo no sábado,”
De estreia difícil ao embalo recente no UFC
Daniel Santos estreou no UFC em abril de 2022, no UFC 273, quando enfrentou Julio Arce e acabou derrotado por decisão. A partir daquele revés, porém, a trajetória virou: vieram vitórias sobre John Castaneda e Johnny Munoz Jr, antes de ele emplacar dois triunfos seguidos em 2025 contra Lee e Yoo.
O brasileiro também explicou como a ansiedade da estreia no octógono pesou no resultado. Segundo ele, o nervosismo de “primeira vez” é real e influencia diretamente a performance.
“Eu acho que foi a ansiedade da luta de estreia no UFC,”
“Toda vez que você vai entrar no octógono pela primeira vez, tem muita coisa envolvida. Você fica ansioso. Tem muita adrenalina também. Então, com mais lutas no octógono, você passa a estar lá, conhece o ambiente e se sente mais familiarizado. Eu acredito que essa ansiedade diminui e você passa a lutar de um jeito diferente,”
Com o tempo, a adaptação falou mais alto e ele emendou uma sequência de quatro triunfos, chegando ao confronto deste sábado com confiança e ritmo. Além de enfrentar um adversário de alto nível, Santos terá a oportunidade de atuar em um momento de grande visibilidade no card — justamente o tipo de cenário que ele buscou para acelerar sua evolução e ganhar espaço entre os melhores.
“Por isso eu trabalhei duro por tantos anos — para estar nessa posição,”
Objetivo de ranqueamento e busca por domínio
Santos enxerga a luta como mais um passo na direção do grupo dos principais da categoria. Para ele, cada oportunidade no UFC deve servir para avançar na classificação, provar evolução e sustentar a própria identidade dentro das lutas.
“É isso que a gente quer fazer. São essas oportunidades que a gente quer: progredir, subir no ranking e chegar lá em cima. É isso que eu quero mostrar. Quero provar que sou um atleta completo, um atleta difícil, um adversário duro, alguém pronto para o desafio, que evoluiu e que pode ser campeão,”
“Eu quero mostrar domínio durante as lutas. Eu vim para dominar, vim para dominar a divisão, até chegar ao título. É isso que eu quero,”
Preparação: melhor forma da carreira e trabalho com o UFC Performance Institute
O brasileiro acredita que está chegando ao compromisso de sábado na melhor condição física de toda a carreira. Ele reconhece que problemas de saúde no começo do trajeto no UFC atrapalharam o embalo antes dos combates contra Lee e Yoo, mas afirma que agora está no ponto certo, após trabalhar com especialistas do UFC Performance Institute.
“A primeira coisa foi a nutrição,”
“Eu mudei coisas. E passei a trabalhar com alguém daqui, do UFC Performance Institute. Troquei o especialista de nutrição que cuidava de mim. A gente queria entender o que acontecia no passado, chegar na raiz de tudo e alinhar melhor o que está acontecendo aqui (no UFC PI). Queríamos estar alinhados, recebemos muitos direcionamentos e eu acho que esse foi o primeiro passo,”
“Depois veio força e condicionamento também. A gente mudou bastante coisa: insistindo forte, buscando mais desempenho. E isso aparece no seu físico, né?”
“A partir daí, eu senti que eu era um atleta de verdade, um atleta verdadeiro, um atleta profissional que cuidava de si. E aí eu comecei a ver os resultados,”
Foco total no Choi, mas com “planos” para o futuro
Mesmo com a atenção máxima no duelo contra Dooho Choi, Santos admite que o olhar precisa ir além. Para ele, o caminho é entrar no top 15 dos penas e abrir portas para confrontos ainda maiores. O brasileiro diz estar totalmente dedicado ao combate deste fim de semana, mas também faz questão de apontar dois nomes com quem gostaria de dividir o octógono caso conquiste o resultado que busca.
“Sinceramente, eu estava focado no Choi, 100% nisso. Eu fui muito dedicado para esta luta,”
“Mas eu sei que nesse esporte você precisa focar no futuro. Precisa focar no caminho. Precisa focar no que vem depois em direção ao campeonato. E eu tenho que estar atento a isso,”
Dois alvos: Pitbull e Aaron Pico
Entre as opções que passam pela cabeça do brasileiro, dois nomes ganham destaque: Patricio “Pitbull” e Aaron Pico. Santos argumenta que ambos representam passos naturais na escalada dele e que um triunfo sobre Choi pode colocá-lo em posição de disputar esse tipo de matchup.
“Eu estava pensando em dois nomes. Um deles é o Patricio Pitbull. Eu tenho o maior respeito por ele. Ele está ranqueado hoje em 15º lugar, e eu acho que essa é a posição que eu quero conquistar. Então, eu poderia lutar por isso, e eu acredito que seria um bom confronto,”
“E também o Aaron Pico. Seria também uma chance de vencê-lo, de provar isso. Ele é alguém que talvez precise, ou até tenha que, defender a posição dele. Eu estou pronto para isso, e eu acho que seria um confronto bem interessante para a gente fazer. Então esses são os dois combates que eu fico pensando,”
“Esperamos uma guerra” e promessa de final no fim
Para Santos, uma vitória sobre Choi pode servir de chave para confrontos maiores ao longo do ano. Ele também demonstrou respeito pelo histórico do sul-coreano no octógono e acredita que o estilo do adversário vai se encaixar bem com o dele, garantindo um co-main event empolgante para o público.
“Eu não espero nada além do que todo mundo está esperando: lutar uma guerra,”
“É por isso que eu vim aqui. É isso que ele quer fazer. E é isso que eu vou entregar também. Esse é o espírito da Chute Boxe. Toda vez que você enfrenta um atleta da Chute Boxe, é isso que você vai ver. A gente treina para guerras. A gente entrega guerras. É assim que a gente treina, e é isso que a gente vai fazer,”
“Eu espero uma luta dura e um espetáculo para todo mundo. E eu acho que a gente vai terminar com um confronto bem disputado por dois rounds, e eu vou sair para nocautear — talvez no terceiro round,”

